
Leandro Grass, presidente do Iphan, foi o entrevistado do CB.Poder nesta terça-feira (24/3). Na bancada, as jornalistas Samanta Sallum e Sibele Negromonte (D)
- (crédito: Bruna Gaston CB/DA Press)
Por Manuela Sá* — Às vésperas de sua saída da presidência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para concorrer ao Palácio do Buriti como pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Leandro Grass fez uma balanço de sua gestão em entrevista, nesta terça-feira (25/3), no programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Às jornalistas Samanta Sallum e Sibele Negromonte, Grass fez um balanço de sua gestão no Iphan, afirmou que o GDF precisa pedir ajuda ao governo federal para buscar uma solução para o Banco de Brasília (BRB) e falou sobre a construção de uma aliança de esquerda no DF para vencer a extrema direita nas eleições.
Qual é o balanço da sua gestão no Iphan em Brasília?
Pegamos um órgão que estava desencorajado, enfraquecido e conseguimos projetá-lo com resultados importantes. Em Brasília, especificamente, o Iphan tem entregas muito significativas. Um exemplo é a Praça dos Três Poderes, que está em obras, além dos projetos que estão sendo contratados para o Catetinho, o Museu Vivo da Memória Candanga, das ações de patrimônio imaterial que o Iphan tem realizado, o deslocamento da política do patrimônio para regiões que não eram atendidas, como Brazlândia, Ceilândia e Planaltina. Produzimos materiais no Paranoá, recuperamos toda a trajetória dos pioneiros da região. (...) Brasília tinha dois processos de patrimonialização muito importantes: um material e outro imaterial. Um era o tombamento da Pedra Fundamental, em Planaltina, que a gente concluiu. Hoje, ela é patrimônio nacional. E existe o registro do Vale do Amanhecer como lugar dentro da agenda do patrimônio imaterial. Esse processo avançou. O Iphan vai concluí-lo ainda este ano.
Como avalia a atual situação neste momento crítico do BRB?
Fui candidato ao governo em 2022 contra o governador Ibaneis. Perdi a eleição por menos de 5 mil votos, e, para mim, não é nenhuma novidade o que está acontecendo. Infelizmente, queria ser surpreendido, porque corrupção, por exemplo, é uma rotina deste governo desde 2019. Houve corrupção no Iges-DF, o secretário foi preso, houve vários escândalos. Houve corrupção na Secretaria de Economia, o Ney Ferraz foi condenado. A gente tem escândalos de corrupção na educação, em relação a aluguéis de prédios, em relação a contratos. O BRB é o maior desses escândalos. O maior da história. Talvez o maior crime financeiro da história da América Latina, um dos maiores do mundo, que colocou em risco o banco da cidade. Colocou esse banco, que era para apoiar as pessoas, os empresários, os empreendedores pequenos e a agricultura, a serviço dos amigos do governador e da vice-governadora. Não é de hoje que a gente denuncia problemas do BRB. O Ibaneis, por exemplo, colocou o BRB para financiar e patrocinar o leilão de gado, em que ele era vendedor de gado. Patrocinou o camarote da Fórmula 1, onde estava o governador e seus amigos. Também teve o envolvimento do Ibaneis e da Celina Leão, defendendo sempre a venda do Master para o BRB. Ibaneis falou várias vezes, Celina também, que aquilo era importante, de que nós estávamos atrapalhando aquela operação fraudulenta. Não há dúvida de que o governador e a vice-governadora, que muitas vezes tentam fugir desse debate estão profundamente envolvidos. Espero que as investigações cheguem à conclusão de que eles estavam, sim, completamente mergulhados e que eles sejam responsabilizados por tudo o que fizeram, inclusive com o confisco dos seus bens. E o prejuízo para a Brasília é gigantesco, para os servidores públicos, para o empresariado que tem financiamento no BRB, para a população, para as políticas públicas da cidade. É o pior momento da história de Brasília.
Como salvar o BRB?
O problema é que eles criaram uma situação em que as alternativas para salvar o BRB não são muitas. O que eles estão tentando fazer agora? A questão dos imóveis, que é uma lambança sem precedentes. (...) O caminho, hoje, viável, seria a gente articular uma discussão de federalização ou de estratégias em nível nacional para apoiar o BRB. E isso envolve uma postura que o governador do DF e a vice não têm. Ibaneis não tem nem a envergadura política, nem a humildade para bater na porta do governo federal e tentar abrir um diálogo para resolver o problema do BRB. O Ibaneis, há um ano e meio, disse que não pisava no mesmo lugar que o Lula. Isso é de uma mediocridade que eu nunca vi em Brasília. O Cristovam (Buarque) foi governador desta cidade e o presidente era o Fernando Henrique Cardoso, de oposição ao PT. Depois, o Roriz foi governador e o presidente era o Lula. E eles conversavam. O Arruda foi governador e o presidente era o Lula. O Agnelo, depois, Rollemberg. O Ibaneis dialogava com o Bolsonaro, que não fez nada por Brasília. E, agora, não quer conversar com o Lula. Então, não tem saída do BRB que não passe pela atuação pessoal do governador.
Mas o Lula também não recebe. Houve dois ou três pedidos de audiência do Ibaneis, não em relação ao BRB, mas na questão do aumento da segurança pública e outros assuntos, que a presidência não respondeu.
Eu desconheço, porque o aumento da polícia foi resolvido pelo governo, inclusive.
Sim, via Ministério da Gestão. A interlocução era entre a Secretaria de Segurança e o Ministério da Gestão.
Eu desconheço qualquer pedido de audiência do Ibaneis para o Lula.
Entre esses imóveis que foram disponibilizados na tentativa de dar como garantia para salvar o BRB, tem a Serrinha do Paranoá.
É um absurdo isso. Eles querem vender uma área de recarga hídrica. Quando cai a chuva, essa água vai para o lençol freático e alimenta as nascentes. Eu fui presidente da Frente Parlamentar Ambientalista quando eu era deputado e a gente fez vários debates sobre a importância da Serrinha.
Falam também, que a Gleba A está prevista, dentro do Pdot, para ser parcialmente urbanizada.
É claro que o governo vai usar uma narrativa que justifica o que ele quer fazer. Se isso está no Pdot, então o Pdot tem um problema grave que tem que ser corrigido.
Como está a construção de uma aliança de esquerda ou centro-esquerda em oposição a Ibaneis?
A gente tem defendido desde 2019 que houvesse uma grande união para derrotar esse grupo político de Ibaneis e Celina. Eu tenho trabalhado ativamente por isso desde sempre. A gente tem que fazer a maior aliança possível para derrotar Ibaneis, Celina, Michelle Bolsonaro e a extrema direita toda. Para que isso aconteça, há etapas. A primeira é unificar os partidos que têm um alinhamento mais estreito, que é o campo progressista. Depois, a gente pode ampliar isso com outras forças políticas. A gente já tem um grupo de partidos unificados em torno da minha pré-candidatura.
Quais?
O Partido Verde, o PT, o PCdoB. O PDT também está à mesa conosco. O PSol e a Rede estão conversando muito perto. E a gente já abriu o canal com o PSB. Convidamos o PSB para vice-governadoria na semana passada e estamos aguardando o retorno deles. Não vamos discutir o nome nem a composição. Cada partido tem as suas escolhas. E eu espero que todo mundo tenha maturidade e lucidez para entender que ou a gente se une ou Brasília vai continuar vivendo o pior momento da sua história.
Assista à entrevista
*Estagiária sob a supervisão de Malcia Afonso
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postado em 25/03/2026 00:00
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