Entretenimento

Circos encantam o público no DF

No Dia Nacional do Circo, estudantes experimentam a magia do trapézio, do Globo da Morte e dos palhaços em uma tradição que atravessa os séculos

 27/03/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. Circo Real
       -  (crédito:  Bruna Gaston CB/DA Press)
27/03/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. Circo Real - (crédito: Bruna Gaston CB/DA Press)

Abelardo Silva, o palhaço Piolin, nascido há 129 anos, em Ribeirão Preto (SP), dedicou cinco décadas de vida ao circo. Criado dentro desse universo lúdico, Abelardo foi patrono da cadeira 29 da Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto (Alarp) e, pela contribuição que deu ao mundo circense, a data de seu nascimento, 27 de março, se tornou o Dia Nacional do Circo. Agora, 53 anos após a sua morte, circos brasileiros fazem a sua própria história, encantando públicos de todas as idades.

No estacionamento do segundo maior estádio do Brasil em capacidade — o Mané Garrincha —, o Real Circo trouxe suas cores, longas lonas e bailarinos pela primeira vez a Brasília. Enchendo a casa com mil pessoas por espetáculo, o circo tem recebido 5 mil brasilienses a cada fim de semana. Criado há 23 anos pela família Brandão, os membros não se restringem apenas à administração, mas participam, também, das atrações. Segundo a bailarina e diretora de marketing do grupo, Renally Brandão, ela e os seus dois irmãos se dedicam ao circo familiar desde novos.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

O trio cresceu em meio às longas viagens e à atmosfera enebriante do picadeiro. A mais velha, Raquel Brandão, 30 anos, arrebata o público com as suas manobras no Globo da Morte, enquanto o mais novo, Reinaldo Brandão, 18, mais conhecido como Palhaço Reizinho, é o condutor do espetáculo. "Estamos sendo abraçados pelo público da capital — a casa tem vendido todas as entradas. Oferecemos uma proposta diferente de circo. Unindo a tradicionalidade ao novo, com bandas ao vivo e tela de LED", descreve Renally, 25 anos, que também é trapezista em dupla com Reinaldo nas apresentações.

O circo trouxe a Brasília 50 profissionais, entre eles acrobatas, globistas, malabaristas, palhaços e equilibristas, além da chamada Orquestra Real, que inunda o ambiente com uma sonoridade digna de palácios, embalados com uma adaptação de metal e até mesmo de rock. 

Durante as manhãs e tardes dos dias úteis, o espetáculo é adaptado para um público especial: as crianças. Pensando no entretenimento dos pequenos apreciadores, o barulho excessivo é reduzido e adicionado um show com dinossauros. Na manhã de ontem, a apresentação acabou por causar admiração e choque em Davi Lucas, de 4 anos. "Eu gostei muito, muito. Mas chorei quando vi o dinossauro", disse o menino.

Também ontem, ao menos 500 crianças da Escola Classe 40, do Sol Nascente, tiveram uma manhã especial. Para comemorar o Dia do Circo, a meninada ganhou uma sessão extra do Circo Real Português, em temporada no Taguaparque. A supervisora da escola, Gisele Rodrigues, destacou a importância dessa atividade para as crianças.

"É muito importante para os alunos essa saída pedagógica e vivenciarem outros espaços, ainda mais no Dia do Circo, com esse espetáculo tão maravilhoso. Nem todo mundo consegue vir, porque a excursão é custeada, mas nós levamos para a escola, também, os artistas circenses numa parceria muito generosa", ressaltou. "Essa temática do circo foi trabalhada na escola e, agora, as crianças vão poder vivenciar aqui, nesse ambiente tão lúdico", acrescentou.

Tradição

O Circo Real Português tem raízes estabelecidas desde o início do século passado. A companhia mantém viva uma tradição passada de geração em geração, como relatou o circense Cleibe Portugal, 82 anos, herdeiro de uma linhagem que começou com seu avô, o pioneiro Antônio Carvalho Portugal.

"Eu nasci em 1944, e meu avô já estava com o circo", contou Cleibe. Segundo ele, a trajetória começou de forma simples, com o avô, imigrante português, que chegou ao Brasil sem emprego e passou a se apresentar em praças públicas. "Ele fazia espetáculo na praça, reunia o público e puxava carro com os dentes. Depois passava o chapéu para se sustentar", relembrou.

A partir dessas apresentações improvisadas, o artista construiu uma trajetória que evoluiu de pequenos galpões alugados para um circo estruturado, inicialmente sem lona e, mais tarde, completo. Com o crescimento da família, Antônio teve nove filhos, surgiram diferentes companhias do Circo Universo, como Circo Portugal, Circo Estoril e o próprio Circo Real Português.

Cleibe destacou que o nome "Portugal" foi adotado como homenagem ao apelido carinhoso que seu avô recebeu ao chegar ao país.

Resistência

Cleibe reconhece os desafios atuais. "Hoje tem celular, televisão, redes sociais… O circo fica escanteado. Não tem como competir com tanta coisa", lamentou.

Ainda assim, ele defende a preservação das raízes. "O circo não pode largar a sua essência. O artista é a alma do espetáculo. Se acabar o circo, acabam os artistas", afirmou.

Para ele, o público infantil é fundamental para manter essa tradição viva. "O circo é igual a peixe: se sair da água, morre. E essa água são as crianças", disse. Ainda segundo ele, iniciativas voltadas ao público escolar ajudam a manter o interesse e a continuidade da arte.

Os alunos da Escola Classe 40 lotaram a lona em uma apresentação especial, com a história de Alice no país das Maravilhas. A professora Jane Carneiro Lima explicou que a atividade faz parte do projeto pedagógico da escola.

"É um momento de alegria, mas também de aprendizado. Está dentro da base curricular, onde levamos os alunos para conhecer outros ambientes, como parques, shoppings e o circo", afirmou.

Segundo ela, a escola realiza a visita todos os anos, com apoio dos pais, que contribuem para proporcionar a experiência às crianças.

Para os alunos, o espetáculo foi marcado por emoção e surpresa. Sofia Bonfim, 7, destacou a apresentação das motos como a melhor parte. "Foi o que eu mais estava esperando", afirmou, com alegria.

Mesmo diante das dificuldades financeiras e da concorrência com novas formas de entretenimento, Cleibe Portugal mantém viva a paixão herdada da família. Ele relembra um ensinamento do avô: "O circo é uma arte que educa. Talvez não dê dinheiro, mas é uma missão".

Agenda

As apresentações do Real Circo acontecem todos os dias, exceto às quartas-feiras, no Estacionamento da Arena BRB Nilson Nelson, às 20h. Aos sábados e domingos, as sessões têm início às 16h, 18h30 e 20h30. A expectativa é de que o circo continue no DF em abril.

Já o Circo Real Português ainda estará até domingo, (29/3), às 16h, 18h e 20h, na Entrada principal do Taguaparque, em Taguatinga.

 

  • Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque
    Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque Foto: Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque
    Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque Foto: Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque
    Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque Foto: Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque
    Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque Foto: Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque
    Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque Foto: Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque
    Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque Foto: Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Circo Real Português, no Taguaparque, recebeu crianças da rede pública e terá sessões até este domingo (29)
    Circo Real Português, no Taguaparque, recebeu crianças da rede pública e terá sessões até este domingo (29) Foto: Fotos: Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque
    Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque Foto: Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque
    Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque Foto: Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque
    Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque Foto: Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque
    Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque Foto: Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque
    Circo Real Português recebe crianças da rede pública no Taguaparque Foto: Davi Cruz/CB/D.A Press
  •  27/03/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. Circo Real
    27/03/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. Circo Real Foto: Bruna Gaston CB/DA Press
  •  27/03/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. Circo Real
    27/03/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. Circo Real Foto: Bruna Gaston CB/DA Press
  •  27/03/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. Circo Real
    27/03/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. Circo Real Foto: Bruna Gaston CB/DA Press
  •  27/03/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. Circo Real
    27/03/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. Circo Real Foto: Bruna Gaston CB/DA Press
  •  27/03/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. Circo Real
    27/03/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. Circo Real Foto: Bruna Gaston CB/DA Press
  • Acrobatas, globistas, malabaristas, palhaços e equilibristas encantam o público que vai ao Circo Real, no estacionamento do Mané Garrincha
    Acrobatas, globistas, malabaristas, palhaços e equilibristas encantam o público que vai ao Circo Real, no estacionamento do Mané Garrincha Foto: Fotos: Bruna Gaston/CB/D.A Press
  • Google Discover Icon
DC
postado em 28/03/2026 06:00
x