
A tentativa de retirada de um recém-nascido do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), no Distrito Federal, que aconteceu no último sábado (28/3), repercutiu entre profissionais de saúde e autoridades. Presa em flagrante, a técnica de enfermagem Eliane Borges Tavares, de 44 anos, trabalhou no hospital por três anos e surpreendeu colegas de trabalho, que descrevem a conduta como completamente fora do padrão de comportamento da profissional.
“Ela é uma mulher muito doce e gentil. Quando fiquei sabendo do que aconteceu, não acreditei. Ela nunca fez nada parecido antes”, afirmou uma funcionária do hospital, que preferiu não se identificar. Segundo a colega, Eliane mantinha uma postura discreta no ambiente de trabalho e não apresentava sinais de instabilidade visíveis à equipe.
Leia também: Técnica de enfermagem é presa após tentar sequestrar recém-nascido
A investigação também não encontrou, até o momento, indícios de planejamento prévio. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Mário Henrique Garcia, a técnica não possui histórico criminal. “Não há indícios de que ela premeditou o acontecimento. Ela não tem outras passagens”, afirmou.
Relembre o caso
Eliane foi detida após ser interceptada por seguranças ao tentar deixar a maternidade do HRSM com um bebê que havia nascido há poucas horas. A mãe da criança estava sedada e não pôde intervir.
Segundo relatos, a técnica saiu do setor obstétrico em atitude considerada suspeita e ignorou a primeira abordagem dos vigilantes. Ao ser contida, apresentou versões contraditórias: inicialmente, disse que se tratava de um “teste” de segurança, mas depois chorou e pediu desculpas, alegando problemas pessoais.
A Polícia Militar foi acionada, e a suspeita foi levada à delegacia. A prisão em flagrante por subtração de incapaz foi ratificada, mas, no dia seguinte, a Justiça concedeu liberdade provisória. Entre as medidas cautelares, ela está proibida de acessar maternidades e deve manter distância do hospital e das testemunhas.
Abalo emocional
A defesa da técnica sustenta que o episódio ocorreu em meio a um quadro de fragilidade emocional. Segundo os advogados, Eliane enfrenta as consequências da morte recente do filho, de 24 anos, ocorrida em junho de 2025, no exterior.
O jovem vivia no Chile havia cerca de três anos, onde trabalhava como guia turístico. Ele morreu após sofrer uma crise convulsiva seguida de parada cardíaca.
De acordo com a defesa, a perda causou um abalo psicológico significativo, levando ao afastamento da profissional e à necessidade de acompanhamento psiquiátrico. Eliane teria retornado ao trabalho apenas em janeiro de 2026, ainda sob tratamento médico.
O caso segue sob investigação da 33ª Delegacia de Polícia de Santa Maria, que apura as circunstâncias da ocorrência e se houve intenção de subtração de incapaz ou a prática de outros crimes.

Política
Vestibular e PAS