Entrevista | Iara Campos de Carvalho | gerente de Internação do Hospital de Base

DF reforça rede contra doença renal e amplia a oferta de diálise

Ao CB.Poder, gestora detalhou ampliação da hemodiálise e alertou para fatores de risco. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que, em 2030, deve haver cerca de 3.650 pessoas em diálise na capital

A ampliação da oferta de hemodiálise na rede pública do Distrito Federal e os desafios diante do envelhecimento da população foram discutidos, nesta terça-feira (3/3), no CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Aos jornalistas Sibele Negromonte e Ronayre Nunes, a gerente de Serviços de Internação do Hospital de Base do Distrito Federal, Iara Campos de Carvalho, falou sobre investimentos recentes, prevenção e perspectivas para os próximos anos. Segundoa gestora, a Secretaria de Saúde vem se planejando há mais de um ano para ampliar a oferta de diálise na rede pública. 

O processo começou pelos hospitais regionais de Taguatinga e do Gama. Nessas unidades, foi realizada uma ampla avaliação da infraestrutura, incluindo a substituição do sistema de osmose, responsável pelo tratamento da água utilizada na hemodiálise. De forma inédita no Distrito Federal, foi implantado um equipamento de hemodiálise de duplo passo, que amplia a eficiência e a segurança do procedimento.

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Na maioria dos casos que evoluem na doença renal crônica é necessária a diálise. Temos novidades na rede? Novos aparelhos foram adquiridos?

A Secretaria de Saúde vem se planejando há mais de um ano para aumentar a oferta de diálise à população. Esse aumento é uma pauta prioritária do governador Ibaneis Rocha e da vice-governadora Celina Leão. Começamos a ampliação pelo Hospital Regional de Taguatinga e pelo Hospital Regional do Gama. Nesses locais, foi feita uma avaliação completa da infraestrutura, incluindo a troca do sistema de osmose, responsável pelo tratamento da água utilizada na hemodiálise, que precisa ser ultrapura. De forma inédita no Distrito Federal, implantamos o sistema de hemodiálise de duplo passo. Além disso, foram adquiridas 65 máquinas, distribuídas na rede: 29 novas para Taguatinga e 19 para o Gama.

A hemodiálise costuma ser uma etapa avançada da doença renal crônica. Como as pessoas podem acompanhar a saúde dos rins e evitar chegar a esse tratamento?

As principais doenças que levam à insuficiência renal crônica são hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares. O ponto central é o controle dessas condições. Precisamos manter a pressão arterial em níveis adequados, o diabetes controlado e investir no cuidado desde a atenção primária. Não basta apenas planejar a oferta de diálise. É fundamental fortalecer a prevenção das doenças que levam à perda da função renal.

Como saber se os rins estão saudáveis e se não será necessária uma atenção maior no futuro?

O principal exame para avaliar a função renal é a creatinina, um exame de sangue simples, barato e disponível na rede pública. Além disso, o exame de urina também é essencial para verificar alterações precoces. Com esses dois exames, já conseguimos ter uma boa noção da saúde dos rins. 

Com o envelhecimento da população, naturalmente há perda da capacidade de filtração. Isso significa que teremos mais casos de doença renal crônica?

Hoje, no mundo, cerca de 10% da população tem algum estágio de doença renal crônica. Entre os idosos, esse percentual pode chegar a 30%. A partir dos 40 anos, perdemos aproximadamente 1 ml de função de filtração renal por ano. Isso torna a doença mais prevalente na população idosa, o que exige planejamento e ampliação da assistência.

No Brasil e no DF, há números sobre a doença? Brasília está preparada?

Dados do Ministério da Saúde mostram que, no Distrito Federal, cerca de 13% da população tem doença renal crônica. Em relação à diálise, aproximadamente 0,13% da população realiza o tratamento. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que, em 2030, devemos chegar a cerca de 3.650 pessoas em diálise no DF. É uma incidência elevada, e precisamos nos programar para atender essa demanda com qualidade e, principalmente, reforçar a prevenção.

Sobre o transplante renal como alternativa, quais são os requisitos?

A principal contraindicação para o transplante envolve problemas cardíacos graves ou câncer ativo. O paciente que não apresenta contraindicações passa por uma avaliação criteriosa e, se apto, é inserido na fila. O transplante renal é um procedimento seguro, tanto para quem recebe quanto para quem doa. A indicação para doação só é feita após uma série de exames e investigações rigorosas.

 

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