MEMÓRIA

Mulheres pioneiras de Brasília se encontram para compartilhar histórias da capital

Moradoras que chegaram à capital federal entre 1959 e 1969 se reúnem no Lago Sul para celebrar o Dia Internacional da Mulher. Elas relembraram histórias de Brasília e fortaleceram uma amizade de décadas

Ainda em clima de comemoração pelo Dia Internacional da Mulher, o Grupo de Pioneiras Candangas realizou o primeiro encontro de 2026. A reunião aconteceu na Casa de Biscoitos Mineiros, no Lago Sul, e reuniu mulheres que chegaram a Brasília entre 1959 e 1969, período de construção e consolidação da capital. Em um encontro descontraído, 12 participantes compartilharam lembranças, histórias e experiências vividas durante os primeiros anos da cidade, enquanto tomavam café e relembravam uma época considerada única. Com registros físicos e nos celulares, memórias foram resgatadas.

Criado há três anos, o grupo mantém encontros trimestrais com o objetivo de preservar memórias e fortalecer os laços entre mulheres que fizeram parte da história. Segundo a líder do grupo, Elizabet Campos, as reuniões são um momento especial de troca e de valorização das vivências dessas pioneiras. 

"Ao todo, somos 30 pioneiras. Nos encontros, contamos fatos marcantes desde a chegada em Brasília. Falamos das dificuldades, dos sabores e das surpresas que tivemos ao chegar aqui. Compartilhamos alegrias, tristezas e rimos muito das nossas histórias", afirma. 

Ela destaca, ainda, o compromisso do grupo com a cidade. "Temos um propósito que é lutar pela preservação da qualidade de vida da capital que vimos nascer. Nos orgulhamos de termos participado da construção de Brasília. A efervescência daquele tempo imprimiu em meu espírito um profundo amor por Brasília, respeito ao trabalho dos candangos e às amizades que perduram até hoje como elo da construção da minha história de vida", completa.

Entre as participantes estava a fazendeira Maria Helena Gomide, 80 anos, moradora da Asa Sul e primeira-dama do último prefeito do Distrito Federal, Wadjô da Costa Gomide. Durante o encontro, ela mostrou fotos de uma ocasião especial em que o casal recebeu, em Brasília, a rainha da Inglaterra Elizabeth II e o príncipe Philip. 

"Ela era linda e super simpática. Achei ela um encanto. Nós os levamos para conhecerem a Torre de TV. Oscar Niemeyer mostrou o projeto da cidade para eles e acharam tudo maravilhoso", recorda. 

Segundo Maria Helena, o encontro rendeu até uma curiosa troca de presentes. "Nessa ocasião, ela nos deu um casal de cisnes. Em retribuição, nós, o Distrito Federal, demos um casal de onças, a pedido deles", conta. 

Sobre as reuniões do grupo, ela destaca a importância de manter o contato com antigas amigas. "Muitas eu convivi anos atrás. Passamos muito tempo juntas. Isso é muito importante. A gente relembra os tempos idos e vividos. Eu vim para cá quando Brasília tinha seis anos. Sempre gostei de Brasília. Quando viajo, fico doida para voltar."

A artista plástica e gastrônoma Cláudia Jucá, 58, considerada a "caçula" do grupo, nasceu em Brasília quando a cidade ainda era marcada pela poeira e pela terra vermelha. Filha de um homem que veio trabalhar como garçom para o ex-presidente Juscelino Kubitschek, ela diz se sentir parte das histórias contadas pelas pioneiras. No encontro, exibiu fotos de seu pai, Jorge, com imenso orgulho.

"Me consideram pioneira porque eu nasci em Brasília. Sou da gema. E elas me abraçaram, porque todas as histórias delas, tudo que elas contam, eu me sinto incluída em cada história", relata. "Mesmo sendo criança, eu me lembro de vários fatos que aconteceram em Brasília. Me sinto super feliz e privilegiada por fazer parte desse grupo. O mais incrível é que as histórias nunca se repetem".

Autora do livro Mulheres Pioneiras de Brasília, Elvira Barney, 87, conta que a chegada ao grupo foi marcada por uma recepção especial. "No meu primeiro encontro, fui homenageada por elas, lá no Museu Vivo da Memória Candanga. Foi muito bom. Eu levei os livros para sortear, e elas adoraram. Acho importante nos encontrarmos para socializar."

Para a fazendeira Maria José Rodrigues, 84, os encontros são também uma oportunidade de reencontrar antigas amigas e relembrar momentos importantes da vida. "Eu gosto muito desses encontros. Conversamos sobre tudo. Várias são amigas", afirma. Durante a reunião, ela também mostrou fotografias de quando se formou em jornalismo, em 1961.

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