Uma nova técnica para a realização de angioplastia coronária — desobstrução de artérias do coração — foi implementada pela equipe de cardiologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB). O procedimento utiliza um cateter com finura milimétrica para identificar, com o uso de inteligência artificial (IA), placas de gordura e cálcio que entopem os vasos do coração. Quem explica como a tecnologia pode facilitar o combate a doenças cardiovasculares é o cardiologista intervencionista do HUB Mateus Veloso, convidado do CB.Saúde — parceria entre o Correio e a TV Brasília — desta quinta-feira (12/3). O médico destacou que a nova forma de fazer imagens das artérias é eficaz para casos mais graves de obstrução. "O software permite planejar como será o tratamento e, posteriormente, ter certeza de que fizemos o melhor procedimento possível", afirmou às jornalistas Sibele Negromonte e Mila Ferreira.
Uma técnica inovadora foi utilizada pela primeira vez no HUB, na semana passada. Com o auxílio da IA, é possível visualizar melhor os vasos coronários e desentupi-los. Como é o procedimento?
Normalmente, para tratar os vasos do coração, injetamos contraste por meio de um cateter, que é como se fosse um canudo, e conseguimos desenhar o contorno do vaso. Muitas vezes, obtemos todas as informações necessárias apenas com esse tipo de imagem. Mas, em alguns casos, o processo é um pouco mais complicado, é fundamental entrar no vaso para entender a situação. É justamente isso que essa técnica faz, passamos uma lente por dentro do vaso do coração e, assim, conseguimos refinar ainda mais os detalhes, tanto para entender o que há e planejar o tratamento quanto para, após o procedimento realizado, ter a certeza de que oferecemos o melhor tratamento possível.
E com essa visão mais refinada, atingida por meio do uso dessa tecnologia, é possível também evitar intercorrências futuras nos vasos coronários?
Sim, temos acesso a várias informações que permitem agir preventivamente. Por exemplo, após a colocação do stent no procedimento de angioplastia, conseguimos visualizar detalhes com muito mais precisão. Um ponto crucial é que o stent, que é uma estrutura que abre para empurrar a placa e restabelecer o fluxo sanguíneo, precisa ficar bem próximo à parede do vaso para funcionar perfeitamente. No momento em que utilizamos essa câmera interna após o tratamento, conseguimos medir e termos certeza da distância entre o stent e a parede do vaso, garantindo que ele fique o que chamamos de bem aposto, para não trazer problemas no futuro. Se houver um espaço entre a parede do vaso e o stent, pode ocorrer a formação de um coágulo, o que traria complicações posteriores. Outro ponto interessante é que, na angiografia comum, vemos uma estrutura tridimensional em apenas duas dimensões, o que gera o risco de interpretarmos erroneamente o que estamos vendo. Ao utilizarmos essa nova tecnologia de imagem, podemos observar que uma área que imaginávamos ser pequena é, na verdade, grande, indicando que o paciente talvez nem precise de intervenção. Dessa forma, evitamos o risco de um procedimento desnecessário, podendo afirmar com segurança que o paciente ficará bem apenas com o tratamento medicamentoso.
E quanto à prevenção? O que precisamos fazer para evitar problemas, pois sabemos que, infelizmente, as doenças cardiovasculares ainda são as que mais matam homens e mulheres no mundo?
Começa tudo pelo exame de sangue, pelo mais simples. Nessa análise, o colesterol é algo importante de cuidarmos, mas há também um indicador mais recente que tem chamado a atenção na cardiologia, chamado lipoproteína A, que é um indicador de doença cardiovascular melhor que o colesterol, inclusive. Além disso, é importante avaliar a glicemia e a pressão arterial. O sono também é algo superimportante que, às vezes, desprezamos, mas dormir bem é fundamental para a saúde cardiovascular. Somado a isso, temos o controle de peso, a atividade física e o não fumar.
Quanto a uma pessoa que nunca fez exame de colesterol e não sabe se tem pressão alta. Quais sintomas que a fariam perceber que algo está errado com o coração?
O primeiro ponto é justamente este: não espere o sintoma. Toda doença começa de maneira subclínica, ou seja, ela não manifesta o que está acontecendo de imediato. Por isso, procure orientação médica muito antes de os sintomas aparecerem. Em relação aos sintomas físicos, os sinais de alerta são dor no peito, falta de ar e cansaço desproporcional. Se senti-los, procure ajuda rapidamente para verificar o que está ocorrendo.
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*Estagiário sob a supervisão de Malcia Afonso
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