investigação

Agressão atribuída a Turra pode ser julgada como tentativa de homicídio

Ministério Público concorda com pedido da defesa da vítima para mudar enquadramento do crime. Justiça ainda decidirá se caso irá para o Tribunal do Júri

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) concordou com o pedido da defesa de Arthur Azevedo Valentim para que a agressão atribuída ao ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, deixe de ser tratada como lesão corporal e passe a ser enquadrada como tentativa de homicídio. A solicitação foi encaminhada à Justiça do Distrito Federal, que decidirá se o processo será remetido ao Tribunal do Júri.

Em 23 de janeiro, Pedro Turra agrediu Rodrigo Castanheira, de 16 anos, que morreu em 7 de fevereiro devido às agressões. Pedro responde por homicídio doloso qualificado por motivo fútil.

Antes desse episódio, Turra já havia se envolvido em outra agressão, esta contra Arthur Azevedo Valentim, durante uma discussão meses antes do caso envolvendo Rodrigo Castanheira. É esse episódio que agora passa por uma nova avaliação jurídica.

Inicialmente tratado como lesão corporal leve, o processo ganhou novos contornos nessa quarta-feira (12/3), após a defesa apresentar elementos que, segundo os advogados, indicam possível intenção de matar por parte do ex-piloto.

Com a manifestação favorável do Ministério Público, a ação pode ser remetida à Vara do Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.

Segundo o advogado de defesa de Valentim, Vinícius Maia Rodrigues, a gravidade dos fatos é incompatível com a tipificação inicial de lesão corporal leve. “Por isso, pedimos o reconhecimento de tentativa de homicídio e o envio do caso ao Tribunal do Júri. O Ministério Público se manifestou no mesmo sentido, e esperamos que a Justiça faça a correta qualificação jurídica dos fatos.”

O crime

De acordo com o boletim de ocorrência registrado em 28 de junho de 2025, a agressão aconteceu em uma praça de Águas Claras, no Distrito Federal. Arthur estava sozinho quando Pedro chegou ao local acompanhado de quatro amigos.

Segundo a denúncia, Pedro desferiu golpes contra a vítima. O jovem conseguiu evitar novas agressões, mas foi atingido por diversos socos no rosto enquanto estava no chão.

Com receio de ser novamente atacado ou de sofrer agressões também por parte dos amigos que acompanhavam o agressor, a vítima disse que decidiu apenas se proteger, sem reagir. Conforme o registro policial, a sequência de agressões durou cerca de cinco minutos.

“Acredito que tudo poderia ter sido diferente se a agressão durasse mais tempo. Talvez o Rodrigo ainda estivesse aqui se o Pedro tivesse sido parado antes”, disse Arthur para o Correio

A agressão teria sido interrompida apenas quando amigos de Pedro o retiraram de cima da vítima. Apesar de não participarem diretamente das agressões, eles teriam permanecido no entorno observando o ocorrido.

Depois de conseguir deixar o local, Arthur procurou a Polícia Civil para registrar a ocorrência. Com a nova manifestação do Ministério Público, o processo poderá seguir para análise da Justiça sob a tipificação de tentativa de homicídio, cabendo ao Tribunal do Júri decidir sobre a eventual responsabilidade penal do acusado.

A reportagem buscou contato com a defesa de Pedro Turra, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. Ele está preso desde 30 de janeiro pelas agressões a Rodrigo Castanheira seguidas de morte.

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