ANIVERSÁRIO DE CEILÂNDIA

Comerciantes se mantêm atuantes desde o início de Ceilândia

A vocação econômica passa pela determinação de empreendedores que acreditam na cidade

Unindo o sangue empreendedor e a colaboração familiar, o Pastel do Galo se firmou como um dos estabelecimentos mais movimentados do Setor O e do P Sul. O comerciante Cláudio Roberto Dias, 45 anos, enxerga a cidade não apenas como uma oportunidade de negócios, mas um ponto decisivo de virada na jornada.

Ele conta que o comércio fez parte de toda a vida. "Meu pai sempre teve essa veia de comerciante, então tentamos vencer através do comércio. Uma barraquinha na estrada foi o início de tudo (uma grande rede de lojas)", conta. A pastelaria tem um fator emocional familiar muito forte. A ideia do nome surgiu da esposa, quando precisaram trocar a fachada. "Antes, tínhamos um nome muito grande. Em uma viagem, minha esposa viu uma loja que tinha 'galo' no letreiro e disse na mesma hora: 'amor, vamos fazer uma homenagem em vida ao seu pai'. Não precisei pensar duas vezes para saber que esse era o nome certo", diz. 

A administração da marca é inteiramente familiar: do nome até a gestão. Cláudio cuida da unidade de Brazlândia; a filha é responsável pela loja do P Sul; um primo administra o ponto do Setor O, enquantro um sobrinho gerencia em Anápolis (GO). "Dá para conciliar negócios e família, apesar das brigas, sempre procuramos resolver da melhor forma", brinca.

Atualmente, a marca possui quatro unidades, inclusive, com uma franquia em Anápolis. Dias revela que nunca imaginou que o negócio fosse deslanchar e conquistar o sucesso que tem hoje. "Não era algo que passava pela nossa cabeça abrir cada vez mais unidades. Foi uma surpresa muito grande", comenta. O ponto de virada foi a aceitação que Ceilândia teve com a primeira unidade. "Como a gente viu essa aceitação que o público daqui teve, percebemos que poderíamos crescer e expandir ainda mais", acrescenta. Com desejo de expansão, ele adianta que a ideia é abrir uma unidade em cada região administrativa, inclusive em Taguatinga, no Setor H Norte.

Ceilândia abraçou Cláudio em dois momentos da vida: na infância, na fase em que morou no P Sul, e quando decidiu inaugurar a pastelaria na cidade. Ele relembra que chegou aos 12 anos, em 1992, e residiu na região até 1995. Apesar do pouco tempo, ele declara que ama a localidade. "Eu tenho boas memórias de ter vivido aqui. Foi uma época muito boa, por isso fiz questão de abrir duas unidades aqui", afirma. 

Ele também comenta que, apesar de o negócio apresentar riscos, inaugurar a pastelaria parecia uma ideia certeira. Com sangue nordestino, aproveitou para prosperar com a marca.

Bar do Verdão mantém tradição

À frente do Bar do Verdão há 17 anos, Maurício Souza, 59 anos, continua a tradição de botecos de quadra. O negócio, que anteriormente pertencia ao sogro, segue sendo um ponto de encontro da população mais antiga da cidade.

Apesar da gestão há quase duas décadas, Souza comenta que o empreendimento existe há mais de 45 anos, sempre no mesmo endereço. "Meu sogro criou esse bar há muito tempo. Sempre foi o xodó dele. Somente depois de muito tempo, nós (Souza e a esposa) fomos tomar conta", diz.

O sogro arrendou o estabelecimento para o casal e, mesmo com a administração feita por pessoas mais jovens, eles fizeram questão de manter os costumes iniciados pelo primeiro dono. "Herdamos os clientes. Alguns já se foram, mas têm muitos que continuam frequentando. Nossos maiores fregueses são aposentados que gostam do ambiente e valorizam o bar raiz", conta Maurício. Mesmo com a pressão pela modernidade, o comerciante, orgulhoso, comenta que os próprios clientes não deixaram que o bar se transformasse em outra coisa. "Eles gostam muito do nosso jeito. O povo gosta e não quer que mude", acrescenta.

Maurício e a esposa não escondem o apreço que têm por Ceilândia. "A cidade representa tudo para mim. Apesar de morar em outra cidade (Samambaia), minha vida inteira praticamente acontece aqui. A cidade me acolheu muito bem", diz. Outro ponto positivo citado pelo empreendedor é a pulsação comercial da região. "Nossa vizinhança aqui e os outros comércios são espetaculares. Nunca tivemos problemas com ninguém. Tudo é ótimo", ressalta.

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