Meio ambiente

Voluntários fazem mutirão de limpeza no Lago Paranoá

Entre os objetos encontrados e que chamaram atenção estavam um totem com a foto do cantor de pagode Thiaguinho, uma espreguiçadeira, um pneu e uma tampa de freezer. Também foram recolhidas diversas garrafas de vidro e de plástico, latinhas e cigarros eletrônicos

Por Jailson Sena*, especial para o Correio — Para celebrar o Dia Mundial da Água, celebrado no domingo (22/3), a Associação dos Servidores do Senado Federal (Assefe) realizou o Dia de Limpeza da Orla. A iniciativa buscou chamar a atenção para os impactos do descarte inadequado de resíduos e para a importância do cuidado contínuo com áreas de convivência às margens do Lago Paranoá.

Foi retirada meia tonelada de lixo. Entre os objetos encontrados e que chamaram atenção estavam um totem com a foto do cantor de pagode Thiaguinho, uma espreguiçadeira, um pneu e uma tampa de freezer. Também foram recolhidas diversas garrafas de vidro e de plástico, latinhas e cigarros eletrônicos.

Joaberto Sant'Anna, presidente da Assefe e organizador do evento, disse que a ação é um lembrete do que se deve fazer ao longo de todo o ano. "A gente trabalhar essa conscientização faz com que nós tenhamos um lago por mais tempo com tudo o que ele oferece. E lembrando também que os dias de preservação de água são todos os dias do ano", destacou.

A limpeza do lago foi feita por 20 mergulhadores e três equipes de canoagem. O trabalho começou a partir da orla, avançando cerca de 20 metros lago adentro, em dois sentidos: um em direção à marina da Assefe e outro em direção à ponte da associação. A ação teve o apoio da Marinha do Brasil, que garantiu a segurança dos participantes.

Para o diretor executivo do Instituto Cerrados, Yuri Salmona, além dessas ações, é preciso que as autoridades façam também as limpezas preventivas nas regiões de afluentes. "A gente entende que isso deve ser consistente e sistemático para, de fato, limpar o lago", ressaltou.
"Por mais que você tenha uma sociedade bem sensibilizada pelo tema, você precisa ter coleta seletiva muito bem implementada e bolsões de coleta de resíduos nas áreas de afluência do lago", opinou. "Por exemplo, têm vários riachos, rios e grotas que estão jogando água para o lago. Parte dos resíduos plásticos vem por essas vias", exemplificou.

O servidor público e morador de Águas Claras João Barbieri participou pela segunda vez de uma iniciativa de limpeza. Para ele, não é "algo legal" ter que recolher os lixos que as pessoas deveriam não jogar, mas é um ato de fazer o bem à natureza. "É bom contribuir para o meio ambiente, contribuir para deixar o lago limpo, que é um ponto turístico que todo mundo usufrui, que o povo gosta. Mas o mais importante é ensinar as pessoas que a gente não precisaria fazer esse serviço se todos fizessem a sua parte, de não jogar lixo", defendeu.

A servidora pública Rakell Dimasnki, de 41 anos, participou pela primeira vez do evento. Ela tem o costume de mergulhar no Lago Paranoá e acaba encontrando muita sujeira. "Eu me deparo com uma variedade grande de dejetos, material plástico, sobras de churrasco, atividades que as pessoas, às vezes, realizam na beira do lago", relatou.
Exposição

Além da limpeza, a ação incluiu exposição artística com materiais descartados feitas pelo artista e médico Eddy Urquidi. A ideia é mostrar que nem tudo vira lixo e que pode se transformar em arte. "A maioria dos temas que eu trouxe é da temática marinha, de águas, justamente por conta do Dia Internacional das Águas. A maioria das obras é de material hospitalar, que é coletado de forma estéril. Eu executei todas as obras e as idealizei", contou. A exposição fica até o dia 21 de abril na Assefe.

O secretário de Relações Institucionais do DF, Agaciel Maia, também esteve no evento. Ele é um dos primeiros sócios da Assefe e acompanha ações como essa desde 1970. O secretário avaliou que, atualmente, esses tipos de inciativa estão mais fortes. "Sempre participei dessa atividade, que tem o lema 'quem ama não joga lixo'. Agora está mais forte, mais organizado e conta com esses mergulhadores onde antes eram apenas caminhadas na orla", relembrou.

O evento também teve rodas de falas de conscientização, plantio simbólico e o lançamento da Assefe Energia, modelo de geração distribuída de energia solar que possibilita uma redução de 20% no custo da conta de quem aderir ao programa, voltado aos membros do clube. "Ela é feita aqui no DF e passa a ser subsidiada do nosso associado. O excedente nós vamos oferecer para a comunidade de Brasília", explicou Sant'Anna.
Jailson R. Sena -
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