Aniversário de Ceilândia

UnB e IFB ampliam acesso ao ensino superior com campi na Ceilândia

Educação perto de casa transforma trajetórias e amplia oportunidades. Conheça histórias de estudantes que vão à luta

A cada ano, Ceilândia tem se firmado como um dos principais polos de educação do Distrito Federal. Com a presença de instituições como a Universidade de Brasília (UnB), o Instituto Federal de Brasília (IFB) e novas iniciativas de ensino superior, a região também se destaca pela força da rede pública básica, grande responsável por formar estudantes que têm conquistado espaço nas universidades.

Entre os exemplos está o Centro de Ensino Médio 09, apontado pela Coordenação Regional de Ensino da região como a unidade com melhores índices de aprovação em vestibulares. A escola atende cerca de 1,2 mil alunos e tem como foco principal o acesso ao ensino superior. "A escola pública é possível. Não é porque é uma classe menos favorecida que não consegue chegar onde deve chegar, que é nas universidades", afirmou a diretora Maria José, professora de história com 35 anos de atuação na educação.

À frente da unidade desde 2008, a gestora destaca o compromisso coletivo como base dos resultados. Segundo ela, cerca de 80% dos estudantes demonstram interesse real pelos estudos. "O nosso foco é a universidade", resume.

Para além dos números, de acordo com Maria José, o desempenho reflete também o perfil da cidade. Segundo a diretora, Ceilândia carrega identidade e acolhimento, especialmente para populações vindas do Nordeste. "Ceilândia recebe a todos. Aqui, tenho o Nordeste todinho. É a cidade símbolo de identidade", diz. Na educação, ela vê a região como protagonista. "Ceilândia é ponta de lança. Vai, enfrenta, encara e faz a coisa acontecer", acrescenta.

Entre os estudantes que simbolizam esse avanço está Gustavo Azevedo, que, aos 18 anos, conquistou quatro aprovações no vestibular. Morador da cidade, ele destaca o peso da conquista na trajetória familiar. "Na minha família, muitos não tiveram acesso à universidade pública. Passar nos vestibulares significa muito, é prova de muita luta", afirma.

O estudante, que sonha em ser médico, disse que vai seguir estudando até ser aprovado no curso. Além disso, Gustavo aponta o impacto social da educação na periferia. "O povo de Ceilândia é muito marginalizado. A gente precisa lutar para estar nesses espaços", destaca. Para ele, a cidade é fonte de motivação: "É incentivo, é força. Prova que o lugar onde você mora não define quem você é e aonde pode chegar".

No IFB, há oferta de ensino técnico, médio, superior e até pós-graduação. A estudante do 2º ano Emanuelle Santos, 17, que cursa técnico em eletrônica, destaca a importância dessa proximidade. "Sempre estudei aqui e gosto muito, porque há muitas oportunidades de estudo. É fundamental ter esse mundo de novas experiências pertinho de nós. Ajuda na questão de não precisar ficar três horas por dia em transporte público para ter ensino de qualidade", afirma. 

Representante da turma e engajada, ela também revela o desejo de retribuir à comunidade. "Eu ainda não tenho um sonho de profissão, mas sinto que o meu lugar é ajudar e acolher as pessoas da periferia, assim como eu fui ajudada, principalmente por intermédio da educação. Meu lugar é e sempre foi aqui na quebrada", completa.

Cursando enfermagem na UnB, Maria Cecília Amorim, 22, também moradora da região, ressalta os benefícios de estudar próximo de casa. "Sempre tive vontade de estudar no campus de Ceilândia por ser mais próximo. Isso ajuda muito na minha rotina, facilita o deslocamento, economiza tempo e me deixa mais tranquila por estar em um lugar que eu conheço".

Para ela, a presença de instituições de ensino na região representa avanço no desenvolvimento. "Ter tudo em Ceilândia é extremamente importante, porque mostra o crescimento da região e dá mais oportunidades para as pessoas. Desde a educação infantil até o ensino superior, isso contribui para o desenvolvimento da comunidade e evita que as pessoas precisem se deslocar para longe".


 

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