
O ator, diretor de teatro e produtor cultural Néio Lúcio morreu na noite de terça-feira (7/4), aos 73 anos. Ele era um dos principais articuladores do Concerto Cabeças, projeto precursor da ocupação de espaços públicos na capital federal para eventos artísticos. Foi Néio o idealizador, produtor e apresentador de todas as edições do concerto, que lançou cantores e compositores, como Oswaldo Montenegro, Cássia Eller, Renato Matos, Eduardo Rangel, e os grupos Liga Tripa, Mel da Terra e Pessoal do Beijo.
Segundo Renato Matos, cantor, compositor e amigo de Néio, o produtor cultural estava com problemas no coração há um tempo e teve uma decaída nos últimos dias. "Estou muito triste, porque é uma grande perda. Sequer consegui dormir com a notícia. Ele era um irmão querido", comentou.
Renato ainda destacou que o diretor de teatro foi o responsável pelo tropicalismo de Brasília. "E ele criou o concerto Cabeças, um acontecimento que está incrustado na história de Brasília, tendo uma importância tão grande quanto a nossa cidade. Néio era um artista completo", disse o cantor.
Ao Correio, o poeta Nicolas Behr classificou Néio como "o cabeça do Concerto Cabeças", cujo papel foi fundamental na transformação de Brasília e humanização da "maquete" e da ocupação dos espaços públicos. "Ele deixou seu legado na arte, história, força e vibração. Que siga na luz", afirmou.
O ex-governador Rodrigo Rollemberg lamentou a perda do produtor cultural, destacando, em homenagem nas redes sociais, o legado do amigo. "Néio era um ídolo para muitos de minha geração. Um cara que irradiava alegria, beleza, criatividade. Fez no Concerto Cabeças a cabeça de muita gente, inclusive a minha. Lúcio Costa amava como ele soube interpretar e viver a cidade", declarou.
Legado
Em dezembro de 1978, Néio Lúcio transformou uma lojinha nos fundos da comercial da 311 Sul no centro irradiador do que era a cultura brasiliense na época. "Ele foi o grande articulador", lembrou o pesquisador e documentarista Moacir Macedo, em entrevista ao Correio em 2023.
"O Concerto Cabeças era a ponta do iceberg da nossa presença na cidade, nosso woodstockzinho candango, o fim da rebeldia dos anos 1970", comparou o poeta Nicolas Behr, em depoimento para um documentário sobre o projeto, lançado há três anos.
As apresentações do movimento, ocorridas em plena ditadura, se deram do fim dos anos 1970 até o fim dos anos 1980, sempre nos últimos domingos de cada mês. Foi por meio do Concerto Cabeças que os brasilienses ocuparam o "grande quintal coletivo" da capital para difundir arte.
Velório
O velório de Néio será na quinta-feira (9/4), no Espaço Cultural Renato Russo, entre 13h30 e 16h30. O sepultamento será às 17h30, no Campo da Esperança da Asa Sul.

Cidades DF
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