
Ao participar do painel focado no futuro da capital, a arquiteta, urbanista e diretora executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do DF (Codese/DF), Ivelise Longhi, defendeu que o planejamento urbano deve ser pautado pela "Agenda da Felicidade", um conceito promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) que vincula o bem-estar ao acesso eficiente a serviços básicos e políticas públicas acolhedoras. Ela trouxe uma visão humanista e estratégica para o debate promovido pelo Correio nesta terça-feira (14/4), "Brasília 66 Anos: uma cidade em constante transformação".
"Cidades não são feitas de concreto, elas são feitas de experiências humanas. Nós somos pessoas e fazemos as cidades do jeito que queremos através de nossas escolhas conscientes", afirmou.
Para a urbanista, o futuro de Brasília exige a superação da fragmentação espacial e a criação de novas centralidades urbanas que aproximem moradia, emprego e lazer. Ivelise destacou que o Codese está preparando um documento para os futuros candidatos ao GDF, focado em uma cidade mais integrada e resiliente.
"Precisamos buscar flexibilizações de uso e descentralizar o emprego. Não basta termos o maior PIB do país se ele está concentrado na mão de poucos. A igualdade precisa se manifestar na questão espacial e na mobilidade", pontuou. Ela reforçou que, embora a mobilidade seja um desafio global, um sistema eficiente — incluindo a exploração de novas matrizes econômicas e indústrias limpas — é o que garante a verdadeira equidade urbana.
A arquiteta e urbanista também provocou uma reflexão sobre a identidade brasiliense, defendendo que a capital deve ser compreendida como um todo, englobando as 35 regiões administrativas e a Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno (Ride). Segundo ela, a metrópole real já extrapola as fronteiras geográficas e exige uma gestão coletiva. "Brasília é o Distrito Federal, mas precisamos pensar nas 'Brasílias'. O morador de Ceilândia ou do Gama precisa se sentir representado quando falamos da capital. A cidade só mudará de fato quando a população se reconhecer como protagonista, participar ativamente e cobrar", destacou.
Brasília, 66 anos
Gratuito e aberto ao público, o debate “Brasília 66 Anos: uma cidade em constante transformação” reúne autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir os rumos políticos, econômicos e sociais da capital. O encontro ocorre no auditório do Correio Braziliense, com transmissão ao vivo nos canais do jornal, e propõe uma reflexão sobre as mudanças que marcaram a cidade ao longo das últimas décadas.
A programação é dividida em dois grandes blocos de discussão: o primeiro painel focou na expansão urbana e infraestrutura das regiões administrativas além do Plano Piloto, enquanto o segundo debate aborda o planejamento, inovação e qualidade de vida para o futuro da capital. A iniciativa busca promover o diálogo e contribuir para o planejamento do desenvolvimento regional do DF.

Cidades DF
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