Julgamento

Acusado de liderar chacina, Gideon nega envolvimento em sumiço do irmão

Gideon Batista de Menezes se defendeu das acusações sobre o desparecimento do irmão. O sumiço ainda é um mistério

A foto tirada por Gideon do irmão adotivo mostrava Guilherme apreensivo e aflito em viagem -  (crédito: Editoria de arte/Material cedido ao Correio)
A foto tirada por Gideon do irmão adotivo mostrava Guilherme apreensivo e aflito em viagem - (crédito: Editoria de arte/Material cedido ao Correio)

Acusado de ser o mentor da maior chacina da história do Distrito Federal que vitimou 10 pessoas da mesma família, Gideon Batista de Menezes, 58 anos, defendeu-se das acusações sobre o desaparecimento do irmão Guilherme de Meneses, 57, com paradeiro incerto desde novembro de 2021. A declaração foi feita no Tribunal do Júri nesta quarta-feira (15/4).

Em abril de 2023, o Correio revelou, com base em entrevistas, registros fotográficos e áudios, que familiares e conhecidos de Gideon acreditam ser ele o responsável pela morte do próprio irmão de criação. O suposto assassinato teria ocorrido em novembro daquele ano, quando os dois deixaram a cidade de Mar Grande (BA) com destino à capital federal. Gideon chegou ao Distrito Federal, mas o irmão não. Desde então, o paradeiro de Guilherme é desconhecido.

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Em novembro de 2021, Gideon apareceu com uma suposta proposta de emprego em Brasília ao irmão. Ele disse que a oportunidade era boa e que os dois fariam a viagem em breve. A oferta rápida e aparentemente bondosa causou estranheza na família. A parente entrevistada pelo Correio foi uma das responsáveis por tentar convencer Guilherme a desistir. "Lembro que o Guilherme estava com uma alta quantia guardada na conta. Uma semana antes da viagem, tentamos fazer com que ele comprasse uma casa e não deixasse o dinheiro no banco. O Gideon ficou furioso e falou que não era para gastar o dinheiro com isso", conta.

Mas a viagem foi acertada. Em 11 de novembro, Gideon e o irmão adotivo saíram do interior da Bahia com destino ao DF. A familiar relembra uma das últimas palavras ditas por Gideon antes de sair de casa. "Ele falou que não era para ficar ligando para ele no meio da estrada, porque ele não ia atender o telefone".

A viagem ocorria sem interferências, até Gideon tirar uma foto do irmão na beira da estrada e enviar aos familiares. O fato é que a feição de Guilherme preocupou os parentes. A foto, obtida pelo Correio, mostra o homem do lado de fora do carro e aparentemente assustado com o registro. "Pelo o que conheço dele, a fisionomia me deixou preocupada. Me passa uma sensação de aflição, melancolia. Quando ele se sentia aflito no trabalho, o aspecto era o mesmo", disse a colega de serviço de Guilherme.

Quando Gideon chegou ao Distrito Federal disse aos familiares não saber do paradeiro de Guilherme. O criminoso alegava que o irmão havia ido se encontrar com amigos em Samambaia e não deu mais notícias. A família não acredita nessa versão.

“Eu trouxe meu irmão e perdi o contato com ele. Tem fotos que tirei com ele. Quando retornei à Bahia, minha irmã perguntou sobre o Guilherme e disse que ele não queria ficar comigo na chácara. Não foi a primeira vez que meu irmão sumiu. Certa vez, ficou quatro anos desaparecido e retornou”, declarou.

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postado em 15/04/2026 17:46
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