
Em depoimento ao Tribunal do Júri, Fabrício Silva, um dos réus pela chacina que matou 10 pessoas da mesma família, contrariou a versão apresentada por Gideon Batista e afirmou que o acusado foi o responsável por liderar o plano criminoso de extermínio.
Segundo ele, Gideon e Horácio Carlos exerciam o comando das ações, enquanto os demais atuavam sob ordens diretas. Carlomam dos Santos, um dos acusados, atuava na parte “operacional”, tanto nas execuções quantos nos sequestros.
Fabrício relatou que foi procurado por Gideon com a promessa de obtenção de dinheiro, sem detalhamento inicial do plano. “Ele disse que daria muito dinheiro e que o Horácio já tinha aceitado”, afirmou. De acordo com o réu, foi a partir desse contato que passou a se envolver, ainda que, segundo sustenta, sem conhecimento prévio da dimensão dos crimes.
Com o plano em ação, Fabrício foi designado a vigiar o cativeiro onde ficaram as vítimas Renata Belchior, Gabriela Belchior, Cláudia Regina Marques e Ana Beatriz. Em relação a Marcos Antônio, esquartejado e enterrado no quintal da casa, disse tê-lo visto uma vez na residência ainda com vida.
Segundo ele, sua função se restringia a tarefas como preparo de alimentos, enquanto Carlomam mantinha contato direto com as vítimas. “Não tinha nada contra elas”, disse.
Ainda conforme o depoimento, ele decidiu deixar o grupo após tomar conhecimento da morte de Renata e Gabriela. “Fiquei nervoso quando soube. Abandonei, mas não ia entregar eles”, declarou. Fabrício relatou que chegou a ser chamado de volta dias depois, sob a alegação de que ainda era necessário para a continuidade do plano.
O réu também alegou que Gideon determinou o sequestro de Thiago Belchior por suspeitar que ele poderia comprometer a ação. Por fim, sustentou que não participou das mortes. “Gideon e Horácio comandavam tudo”, afirmou.

Cidades DF
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