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Economista analisa novo capítulo da crise do BRB após prisão

César Bergo, economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), afirmou que os altos valores negociados, em forma de imóveis de luxo, apontam para um esquema de "compra de indivíduos, escolhidos de forma estratégica"

César Bergo, economista e professor da UnB, é o entrevistado do CB.Poder desta quinta-feira (16/4) -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
César Bergo, economista e professor da UnB, é o entrevistado do CB.Poder desta quinta-feira (16/4) - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Após a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, vieram à tona a negociação de pagamento de propina do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o então dirigente do BRB, e um sofisticado esquema para dar aparência de legalidade a títulos podres da instituição liquidada pelo Banco Central. Em entrevista ao CB.Poder — parceria entre o Correio e a TV Brasília — desta quinta-feira (16/4), o economista e especialista em mercado financeiro César Bergo, professor da Universidade de Brasília (UnB), analisou o novo capítulo do maior escândalo do setor financeiro do país.  

Aos jornalistas Ana Maria Campos e Carlos Alexandre de Souza, Bergo avaliou que os altos valores negociados entre Paulo Henrique e Vorcaro, para a concretização do negócio que envolvia compra de títulos podres do Master, apontam para um esquema estruturado de fraudes bancárias. “Foi montado em cima da compra de indivíduos, escolhidos de forma estratégica, com valores muito grandes para que eles aceitassem.”

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Bergo afirma, também, que as notícias acerca da relação entre Master e BRB apontam que o banco público estava vulnerável à fraude financeira, e, possivelmente, foi por esse motivo que foi escolhido pelos mandantes. 

Com experiência em diretorias de banco, o economista aponta que esse tipo de esquema não pode ter sido causado unicamente por problemas internos. Ele explica que, para a aprovação das compras realizadas pelo BRB, vários setores de fiscalização do banco agiram de forma negligente, como o compliance, controles internos, comitê de auditoria e conselho de administração. “Ele (Paulo Henrique) não agiu sozinho. Houve negligência, imprudência e omissão de vários funcionários”, afirmou.

Entenda a prisão do ex-presidente

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso na manhã desta quinta-feira (16/4) pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades na compra de ativos do Banco Master pelo BRB. Além de Costa, foi preso Daniel Lopes Monteiro, advogado vinculado ao escritório Monteiro Rusu, apontado como operador jurídico-financeiro do esquema investigado. 

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Na decisão que culminou em ambas as prisões, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça apontou para "graves falhas de governança" na última gestão do BRB. No texto, ao qual o Correio teve acesso, são divulgados diálogos entre Paulo Henrique e Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, que indicam que o ex-presidente do BRB já sabia das inconsistências das carteiras de crédito ofertadas.

As mensagens mostram que, em paralelo às negociações das carteiras do Master, Paulo Henrique e Daniel Vorcaro negociavam um esquema de vantagem indevida. Em concessão à compra das carteiras, o ex-presidente do BRB receberia R$ 146,5 milhões de Vorcaro em seis imóveis de alto padrão em São Paulo e no Distrito Federal.

 

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postado em 16/04/2026 16:18
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