Saúde

Gripe: Variante K e emergência em Goiás acendem alerta sanitário no DF

Com apenas 23% dos idosos e 10% das crianças imunizadas, capital registra 67 casos e uma morte por gripe. Epidemiologista recomenda uso de máscara para quem apresenta sintomas da doença

Mais de 100 mil doses foram aplicadas nos diferentes grupos prioritários. Até o momento, a cobertura está bem abaixo da meta de 90%
 -  (crédito: Sandro Araújo/Agência Saúde)
Mais de 100 mil doses foram aplicadas nos diferentes grupos prioritários. Até o momento, a cobertura está bem abaixo da meta de 90% - (crédito: Sandro Araújo/Agência Saúde)

O estado de emergência decretado em Goiás devido ao avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) pela variante K do vírus influenza A (H3N2) acendeu o alerta sanitário no Distrito Federal. Com a circulação viral em alta em todo o Centro-Oeste e as fronteiras integradas, epidemiologista ouvido pelo Correio adverte que o cenário exige uma postura proativa da saúde pública e o retorno imediato do uso de máscaras por sintomáticos para frear a transmissão e evitar que a pressão sobre os leitos de UTI, já crítica no estado vizinho, se repita em solo brasiliense.

A Secretaria de Saúde do DF confirmou a circulação do tipo K no DF, variante que já apresenta predominância na América do Sul em 2026. "A identificação desse subclado está dentro do comportamento esperado dos vírus respiratórios. É fundamental reforçar  que, até o momento, não há evidências de aumento da gravidade dos casos nem de redução da proteção conferida pelas vacinas. Seguimos com monitoramento permanente, e a população pode permanecer tranquila, mantendo a vacinação em dia", reforçou o secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante

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Dados da vigilância epidemiológica revelam que foram registrados 67 casos SRAG por influenza, incluindo uma morte. Juracy reforça que a vacinação é a principal estratégia de prevenção contra formas graves da doença, além da adoção de medidas como higienização das mãos, etiqueta respiratória e evitar aglomerações em caso de sintomas gripais.

Roberto Bittencourt, epidemiologista e professor doutor na Universidade Católica de Brasília, alertou que o GDF tem que acelerar a cobertura vacinal e fazer campanhas. "Existem várias atitudes que podem ser adotadas, principalmente, na atenção primária, como o rastreio dos casos e quais estão evoluindo com maior gravidade", sugeriu. 

Apesar do cenário de 2026 sugerir, até o momento, a ocorrência dentro do padrão sazonal esperado de influenza, a dinâmica reforça a importância do monitoramento contínuo diante da possibilidade de aumento de casos nas próximas semanas epidemiológicas considerando o histórico de início da sazonalidade nos meses de março e abril.

 

Abaixo da meta

Além da influenza, o Distrito Federal registra a circulação de outros vírus respiratórios, como o vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e metapneumovírus. Por aqui, a campanha de vacinação contra a influenza começou em março. Mais de 100 mil doses foram aplicadas nos diferentes grupos prioritários. Até o momento, a cobertura está bem abaixo da meta de 90%.   

Segundo a Secretaria de Saúde, 23% dos idosos se imunizaram, 19,5% das gestantes e 10% das crianças de 6 meses a menores de seis anos. O cenário se repete em âmbito nacional. No Brasil, a cobertura vacinal contra o vírus nos grupos preferenciais está em 16,92%, percentual insuficiente para frear a circulação viral na população mais suscetível a complicações. 

Um boletim divulgado pela Fiocruz na última quinta-feira alertou para o aumento de casos de SRAG em crianças menores de 2 anos no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do país.

No DF, houve vacinação este fim de semana em Ceilândia e Itapoã. Devido ao feriado de Tiradentes e ao aniversário de Brasília, não haverá vacinação na segunda nem na terça-feira. Hoje, como de costume, também não há aplicação das doses. Na quarta, as mais de 100 salas de imunização do DF voltam a abrir em horário normal. A lista completa com endereços e horários de atendimento está disponível no site da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF).

 

Três perguntas para

Roberto Bittencourt, epidemiologista e professor doutor na Universidade Católica de Brasília

O aumento de casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Goiás pode afetar o Distrito Federal?

Sim, pode afetar o Distrito Federal, mas temos que ponderar isso dentro de um contexto. Não dá para culpar diretamente o aumento da gripe no Distrito Federal aos casos do estado de Goiás, porque os casos estão disseminados para todo lado. Todas as fronteiras do DF estão envolvidas, mas, se há uma um foco de Goiás para cá, essa transmissão vai acontecer, sem nenhuma dúvida.

 

O que o GDF deve fazer para evitar o aumento de casos e de mortes por gripe na capital federal?

O GDF tem que acelerar a cobertura vacinal e fazer campanhas. Existem várias atitudes que podem ser feitas principalmente na atenção primária, como o rastreio dos casos e quais estão evoluindo com maior gravidade. As equipes de saúde da família têm que mapear a população de risco sobre o seu território e ter uma atitude proativa para evitar complicações.

 

Como a população pode se proteger?

Todo mundo que está gripado automaticamente tem que colocar máscara, tanto para se proteger, quanto para ter uma mínima capacidade de interferir na propagação do vírus, assim preservando o restante da sua família. Mesmo em casa, é preciso colocar máscara para evitar a transmissão e impedir esse surto sazonal.

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postado em 19/04/2026 04:00
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