CASO MASTER

BRB confirma prejuízo R$ 2,6 bilhões em títulos adquiridos da empresa Tirreno

Segundo o Banco de Brasília, dos R$ 21,9 bilhões em ativos adquiridos de Daniel Vorcaro, os oriundos da empresa Tirreno não existem. Outros R$ 6,2 bilhões são referentes a títulos considerados frágeis ou supervalorizados, totalizando uma provisão de R$ 8,8 bilhões

Assembleia Geral Extraordinária irá deliberar sobre a proposta de aumento do capital social. O preço de emissão das novas ações deve ser fixado em R$ 5,36 -  (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
Assembleia Geral Extraordinária irá deliberar sobre a proposta de aumento do capital social. O preço de emissão das novas ações deve ser fixado em R$ 5,36 - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

A compra de R$ 21,9 bilhões em ativos do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) gerou um prejuízo de R$ 2,6 bilhões e a provisão é que pode chegar a R$ 8,8 bilhões. O prejuízo contabilizado refere-se a títulos adquiridos da empresa Tirreno. “Não têm lastro. São pó. Não existe título, carteira ou cédula bancária” afirmou o presidente do BRB, Nelson de Souza.

A diferença entre o prejuízo já constatado e a provisão de R$ 8,8 bilhões corresponde a títulos que o BRB identificou como frágeis. “No caso dessa diferença de R$ 6,2 bilhões, avaliamos que são títulos que sugerem alguma fraude, podem estar  supervalorizados ou são muito frágeis”, esclareceu Souza.

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O BRB realiza, nesta quarta-feira (22/4) uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) com os acionistas para discutir o plano de capitalização do banco, considerado essencial para a recuperação da instituição.

Na terça-feira (21/4), o BRB divulgou uma nota detalhando a negociação com a Quadra Capital, comunicada ao mercado na segunda-feira, para estruturação de fundo de investimento com ativos recebidos em operações com o Banco Master. Segundo o comunicado, do total de R$ 21,9 bilhões em ativos oriundos do Master, R$ 1,9 bilhão está sendo absorvido pelo mercado financeiro, referente a carteiras de atacado, varejo, fundos e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

De acordo com a instituição, os R$ 20 bilhões restantes estão em processo de negociação com a Quadra Capital. O montante corresponde ao chamado “valor de face” dos ativos. Considerando o deságio aplicado na operação, o valor efetivamente negociado com a Quadra é de R$ 15 bilhões. Desse total, R$ 4 bilhões serão pagos à vista, enquanto o restante será quitado ao longo do contrato.

O banco destacou que a entrada imediata desses R$ 4 bilhões “deve reforçar a liquidez da instituição, além de fortalecer sua estrutura de capital e contribuir para uma gestão mais eficiente dos ativos”. Adicionalmente, o BRB negocia um empréstimo de R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Assembleia

Ao todo, o banco tem 6.004 acionistas. Além da capitalização, serão homologados na assembleia desta quarta-feira os novos nomes para o Conselho de Administração da instituição. A assembleia acontece às 10h, em formato virtual.Entre as pautas a serem discutidas na AGE de hoje está a deliberação sobre a proposta de aumento do capital social.

O preço de emissão das novas ações deve ser fixado em R$ 5,36.
O aumento de capital será realizado por meio de subscrição privada de ações. Na ocasião, também será discutida alteração no Estatuto Social do BRB. A proposta é que o limite de ações que o banco está autorizado a emitir cresça de 720 milhões para 2,5 bilhões. O aumento dará ao banco uma margem maior para captar recursos no mercado.

A assembleia vai deliberar, ainda, sobre a homologação dos nomes do presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e de Joaquim Lima de Oliveira e de Sérgio Iunes Brito para o Conselho de Administração. Assim que assumiu a presidência, Nelson foi nomeado para o conselho até a aprovação pela AGE. Além disso, em virtude de cargos vagos, a assembleia precisa aprovar os nomes de Joaquim e Sérgio.

Em 30 de abril, os acionistas voltam a se reunir em assembleia geral para analisar o desempenho financeiro de 2025 e deliberar sobre pautas administrativas estratégicas. Apesar disso, a expectativa no mercado é de que não haja uma decisão definitiva sobre as contas nesse primeiro encontro. A tendência é que a análise mais aprofundada dos números seja postergada para uma reunião extraordinária, ainda sem data definida no cronograma oficial.

Para o economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) César Bergo, o contexto exige cautela e reforça a sensibilidade do momento vivido pela instituição. “Não é algo comum e isso é muito ruim, porque representa uma quebra de confiança e indica alguma dificuldade”, afirma. Segundo ele, em situações como essa, decisões tendem a ser mais cuidadosas e, muitas vezes, diluídas ao longo de novas etapas deliberativas.

Responsabilidade

A governadora Celina Leão (PP) afirmou, por meio de nota, que segue atuando para garantir a estabilidade do banco público local. “A operação com a gestora Quadra Capital, comunicada recentemente ao mercado, representa mais um passo importante dentro de um conjunto de medidas estruturadas para fortalecer a instituição e preservar seu papel estratégico no desenvolvimento do Distrito Federal”, disse o texto.

Segundo a nota, há expectativa positiva em relação às medidas adotadas, embora ainda existam etapas a serem concluídas. “O momento exige responsabilidade e é exatamente isso que está sendo entregue, com trabalho contínuo, diálogo institucional e foco em resultados que assegurem um BRB cada vez mais sólido, eficiente e preparado para o futuro”, destacou.

Quanto à assembleia, a nota enfatizou que a condução diz respeito ao banco. “Trata-se de um tema próprio da governança do BRB, que será conduzido pelo presidente Nelson Antônio de Souza, no âmbito de suas atribuições”, ressaltou o comunicado. 

Momento decisivo

O economista e professor de economia do Ibmec Brasília Renan Silva avalia que a AGE do BRB marca um momento decisivo para o futuro da instituição. “É um divisor de águas entre a estagnação e a viabilidade operacional do banco no longo prazo. Acredito que o plano de capitalização não deve ser visto apenas como uma formalidade burocrática, mas sim como uma peça central para o reequilíbrio para o índice de Basileia”, afirmou. “Sem esse fortalecimento do capital próprio, a instituição continuará perigosamente próxima dos limites regulatórios”, completou. 

Segundo o especialista, a medida tem impacto direto na percepção do mercado sobre a governança do banco. “Ao aprovar esse aporte, o banco comunica ao mercado uma disposição real de sanear o balanço e recuperar a confiança do investidor”, explicou. 

Para ele, a importância da assembleia está no fornecimento de informações aos clientes do banco. “O desfecho desta AGE ditará o ritmo da recuperação do BRB, permitindo que ele deixe de focar apenas na sobrevivência regulatória para voltar a focar na rentabilidade e no crescimento estratégico”, destacou. 
Renan Silva enfatizou a importância da pauta de governança a ser discutida na assembleia.

“A homologação de novos nomes para o Conselho de Administração busca dar mais estabilidade à estrutura decisória do banco e é justamente essa estabilidade que confere credibilidade ao processo de recuperação. Sem uma governança sólida, qualquer reforço de caixa tem efeito limitado. Os dois temas, juntos, compõem o que o BRB mais precisa agora: uma base para reconstruir a confiança do mercado”, ressaltou. 

Adiamentos

A AGE estava marcada para 18 de março, mas foi cancelada um dia antes, em virtude da insegurança jurídica causada pela suspensão da Lei Distrital nº 7.845/2026, que autoriza o uso de bens públicos e ativos de empresas estatais para reforçar a capitalização do BRB, via liminar da 2ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal. 

A liminar foi derrubada logo depois, mas mesmo assim o banco optou pelo cancelamento “de forma a permitir o amadurecimento das análises em curso e assegurar que eventual proposta a ser submetida aos acionistas reflita, de maneira consistente, a melhor estrutura econômica, financeira e jurídica para a companhia”. 

Além do adiamento da assembleia, a divulgação do último balanço do banco, prevista para 31 de março, foi adiada e deve ser feita até a segunda semana de maio. No documento, serão apresentados números detalhados dos lucros, prejuízos, dívidas, ativos, riscos e a real capacidade do banco de sustentar suas operações ao longo do tempo.

  • Os nomes de Nelson de Souza, Joaquim Lima e Sérgio Iunes devem ser homologados para o Conselho de Administração
    Os nomes de Nelson de Souza, Joaquim Lima e Sérgio Iunes devem ser homologados para o Conselho de Administração Foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press
  • Joaquim Lima
    Joaquim Lima Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
  • Sérgio Iunes Brito
    Sérgio Iunes Brito Foto: Sindicato dos Bancários de Campinas
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postado em 21/04/2026 23:38 / atualizado em 21/04/2026 23:52
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