Há um ano, Bruna Stephanie Freitas Brandão, 36 anos, tomou uma decisão radical. Com o filho de 1 ano nos braços, deixou a casa do ex-marido, em Caldas Novas (GO), e seguiu para Brasília, numa tentativa de escapar de um histórico de agressões. Elenilton Pereira Bezerra, 36, descrito pela polícia como 'violento', sob o pretexto de visitar a criança, foi à casa da ex, no Riacho Fundo, onde a matou a facadas, na noite de sexta-feira. Bruna é a 7º vítima de feminicídio registrada em 2026 na capital federal.
Mantinha contra Elenilton uma medida protetiva expedida em abril do ano passado pela Justiça — ordem essa já expirada. Na noite do crime, por volta das 21h, Bruna estava em casa com os dois filhos, de 2 e 5 anos, e o atual companheiro. Ela atendeu ao chamado no portão. O acordo era para Elenilton ver o filho, agora com 2 anos.
Informalmente, Elenilton contou à Polícia Militar, ao ser preso, que, ao chegar na casa, desconfiou de que a ex havia armado uma emboscada para matá-lo, mas não deu mais informações. Ele relatou ter ido à cozinha, onde pegou uma faca e, após uma discussão com a vítima, a atacou com um golpe no pescoço. Não há confirmação de que essa versão corresponda integralmente aos fatos.
O crime ocorreu na sala, às 21h15, na frente das duas crianças. Depois do ataque, o agressor fugiu. Policiais militares foram acionados. Por telefone, o denunciante relatou que a mulher havia sido esfaqueada e que um homem era o suspeito. Elenilton foi capturado pelos militares próximo ao viaduto de Samambaia, no canteiro central, a 5km de distância da casa da vítima. Elenilton estava a pé e com uma mochila nas costas.
Áudios
Entre o ataque e a captura, o suspeito enviou uma sequência de áudios ameaçadores a Bruna, acreditando que a ex ainda estava viva. As mensagens de voz foram enviadas para o celular da vítima minutos após o feminicídio. "Você saiu gritando com fuleragem, mas tu não viu nada. Eu estou bem por aqui pertinho. Você estava armando casinha para mim", dispara o homem.
Em dois dos áudios enviados, Elenilton ataca a ex-sogra, mãe de Bruna. "Quero pegar sua mãe. Se eu não achar você, acho sua mãe. Quem me dera sua mãe. [...] Estou pegando o carro agora e indo embora. Sua mãe é a próxima. Ou, então, ela que mande me matar." Ao final do último áudio, faz uma ameaça direta de morte. "Pode cavar um túmulo para você, para sua mãe e para esse corno (atual companheiro)."
Na 27ª Delegacia de Polícia (Riacho Fundo), Elenilton foi indiciado por feminicídio. Segundo o delegado Josué Ribeiro, Elenilton acumula passagens criminais por homicídio consumado, lesão corporal no âmbito da Lei Maria da Penha, ameaça e descumprimento de medida protetiva. "Ele era uma pessoa com o perfil bastante violento", frisou.
Ainda de acordo com o investigador, o homem que estava com Bruna na casa, no andar de cima, no momento do crime, socorreu a vítima e ligou para o Samu, mas deixou a residência antes da polícia chegar. Ele ainda não foi identificado para prestar depoimento.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) converteu em preventiva a prisão de Elenilton em audiência de custódia ocorrida na tarde de ontem. Com a decisão, o acusado deve ser encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde aguardará julgamento. A 27ª DP continua as investigações e deve colher depoimentos ao longo da semana.
