O Museu Nacional da República recebeu nesta semana (8/4 a 10/4) a primeira edição do Brasília Teama, encontro que debateu diferentes formas de entender o Transtorno do Espectro Autista no Brasil. O evento reuniu médicos, pesquisadores, educadores e familiares em uma programação que combinou ciência, experiências reais e discussões sobre o cotidiano.
O projeto nasceu em 2018, no Rio de Janeiro, idealizado pela jornalista Andréa Bussade e colaboradores, a partir da própria vivência como mãe de um jovem autista. Desde então, foram realizadas oito edições na capital fluminense. Em 2026, o Teama chega à nona edição, pela primeira vez em Brasília, marcando a saída do eixo carioca e ampliando o alcance do debate para espaços estratégicos do país.
Com mais de 40 apresentações ao longo dos três dias, o evento percorreu diferentes fases da vida dentro do espectro. No início, o foco esteve em diagnóstico e aspectos clínicos. A psiquiatra Mariana Mercadante e o neurologista Erasmo Casella abordaram desde os primeiros sinais até quadros mais complexos, reforçando a necessidade de um olhar individualizado.
Com o avanço das discussões, o evento se voltou para a vida adulta, tema que ainda aparece pouco no debate público. A neuropediatra Bianca Mazete destacou que o autismo não se encerra na infância e que ainda há uma lacuna no acompanhamento ao longo da vida. Segundo ela, ampliar esse olhar é essencial para garantir qualidade de vida e autonomia.
Questões do dia a dia também ganharam espaço. Empregabilidade, relações sociais e os efeitos do ambiente digital foram discutidos em painéis que aproximaram especialistas e famílias. A troca de experiências apareceu como um dos pontos mais fortes do encontro, com relatos que ajudaram a traduzir, na prática, o que muitas vezes fica restrito à teoria.
No último dia, as apresentações trouxeram atualizações em pesquisa e também orientações sobre direitos, sem abandonar a sensibilidade do tema. “O avanço da ciência tem nos permitido compreender o autismo de forma cada vez mais ampla e profunda”, afirmou o psiquiatra Guilherme Polanczyk, destacando que novas pesquisas trazem perspectivas importantes para o acompanhamento ao longo da vida. Enquanto a advogada Carla Bertin explicou caminhos legais para garantir acesso a tratamento e suporte.
A participação do ator Marcelo Serrado marcou a programação. Ao falar sobre a convivência com o irmão autista, ele destacou como essa experiência muda a forma de enxergar o mundo e reforçou a importância de ampliar o debate para além dos espaços especializados. “O autismo dentro de casa ensina que o acolhimento não é apenas uma escolha, mas um aprendizado diário que transforma a sensibilidade de toda a família”, completou.
A programação também abriu espaço para manifestações artísticas, com a presença do artista plástico Augusto Mangussi e da banda Hey Johnny, mostrando outras formas de expressão dentro do espectro.
Para Andréa Bussade, presidente do Instituto Rio TEAMA, levar o encontro à capital federal marca um novo momento do projeto. “A ideia é ampliar o diálogo e fazer com que o tema alcance cada vez mais pessoas”. A idealizadora destacou que levar o debate a Brasília também é uma forma de dar mais visibilidade às necessidades das famílias em nível nacional. Ao fim da programação, o encontro reforçou a importância da informação e do diálogo para ampliar a compreensão sobre o autismo.
*Estagiária sob supervisão de Ronayre Nunes
