A arquiteta, urbanista e diretora executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do DF (Codese/DF), Ivelise Longhi, acredita que a capital federal precisa ser compreendida para além das fronteiras do Plano Piloto. Momentos antes do debate “Brasília 66 Anos: uma cidade em constante transformação”, promovido pelo Correio, ela defendeu uma visão que integre as regiões administrativas e os municípios do entorno como um corpo único. "Brasília, para mim, são várias Brasílias. É uma cidade que incorpora todas as outras regiões e que extrapola tudo isso por ser a capital do país", afirmou.
A diretora ressaltou que, embora a cidade tenha sido criada com um sentimento de ousadia e modernidade, ela enfrenta os mesmos desafios estruturais de qualquer outra metrópole brasileira. "Brasília ainda tem muito a fazer, apesar de ter uma qualidade de vida incrível. Cidades não param, são organismos ativos", pontuou. Para ela, o caminho para solucionar esses problemas passa obrigatoriamente pela participação popular. "Você tem que trazer a sociedade para participar e fazer com que as pessoas se sintam protagonistas, porque uma cidade não acontece sem pessoas".
Um dos pontos centrais abordados por Ivelise foi a crise na mobilidade urbana. A urbanista criticou a ineficiência do sistema atual e defendeu investimentos em transporte ferroviário. "Temos um problema grande em todos os centros urbanos. Por que não uma ferrovia em um país tão continental? Mais estradas nem sempre são a solução", questionou, sugerindo que o debate promovido pelo Correio Braziliense é o ambiente ideal para o surgimento de projetos que considerem também o lazer e o convívio social.
Ivelise Longhi participa, também, do segundo painel do evento — "O futuro da capital: planejamento, inovação e qualidade de vida" —, quando serão discutidas diretrizes para o desenvolvimento sustentável da região nos próximos anos.
Brasília 66 anos
Gratuito e aberto ao público, o debate “Brasília 66 Anos: uma cidade em constante transformação” reúne autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir os rumos políticos, econômicos e sociais da capital. O encontro ocorre no auditório do Correio Braziliense, com transmissão ao vivo nos canais do jornal, e propõe uma reflexão sobre as mudanças que marcaram a cidade ao longo das últimas décadas.
