Julgamento

'Vim pagar pelo que fiz': réu pela chacina confessou e detalhou execuções ao ser preso

O delegado Ricardo Vianna, responsável pela investigação dos crimes, comentou sobre a prisão de um dos acusados da chacina que vitimou 10 pessoas da mesma família

Um dos réus acusados da chacina que deixou 10 pessoas da mesma família mortas, Carlomam dos Santos estaria envolvido diretamente nas execuções das vítimas, informou o delegado Ricardo Viana em depoimento prestado no Tribunal do Júri nesta terça-feira (14/4).

Carlomam foi o penúltimo suspeito a ser preso na época dos crimes. Antes dele, a polícia chegou ao encalço de Horácio Carlos, Gideon Batista, Fabrício Silva e Carlos Henrique — todos são julgados nesta terça-feira (14/4).

Em depoimento, Ricardo Viana afirmou que Carlomam se entregou à 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião) com um lenço branco em mãos, em alusão à “paz”. “Ele disse que queria se entregar para pagar pelo que fez. Eu ainda falei que a pena desse mundo era pequena e que ele pagaria por esse crime em outro juízo. Ele só respondeu que sabia”, detalhou o delegado sobre o dia da prisão.

Carlomam entrou no rol de suspeitos após a perícia papiloscópica que foi feita no cativeiro onde as vítimas foram mantidas reféns, no Vale do Sol, em Planaltina. “O papiloscopista me ligou de madrugada e informou sobre a identificação e possível presença de outra pessoa no cativeiro. A partir daí, começamos a investigar”, disse Viana.

Segundo o investigador, o depoimento confesso de Carlomam foi verossímil com os elementos já colhidos durante a investigação. “Constatamos que a ordem detalhada por ele conduzia com o que tínhamos de provas.”

Execuções

Ainda de acordo com Viana, oitivas de outros suspeitos, incluindo o mentor, Gideon Batista, e Fabrício Silva, vigia do cativeiro, corroboram para a presença e atuação de Carlomam nos assassinatos.

Em cada depoimento prestado à época dos crimes, a polícia constatou que todos os acusados acabaram se autoincriminar, ainda que de forma indireta. Alguns atribuíram aos demais funções específicas, como a atração das vítimas à chácara e a execução direta dos assassinatos.

A chacina dizimou 10 pessoas com vínculos familiares: Marcos Antônio Lopes de Oliveira (patriarca); a esposa de Marcos, Renata Juliene Belchior; a filha de Marcos e Renata, Gabriela Belchior de Oliveira; o filho deles, Thiago Gabriel Belchior de Oliveira; a esposa de Thiago, Elizamar da Silva; os filhos de Thiago e Elizamar, Rafael, Rafaela e Gabriel; a ex-companheira de Marcos Cláudia da Rocha Marques; e a filha de Marcos e Cláudia, Ana Beatriz Marques de Oliveira.

Entre essa segunda-feira e terça, oito testemunhas prestaram depoimento no júri. A expectativa é ouvir 10 pessoas somente hoje.

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