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Professor é condenado a pagar R$ 500 em caso de assédio sexual a aluna

O caso ficou em trâmite na justiça por mais de três anos. Professor cumprirá oito meses de restritiva de direitos pelo assédio a aluna menor de idade do DF

Um professor colocou uma aluna de 17 anos em situação constrangedora em sala de aula de uma escola pública do Distrito Federal, fazendo comentário sobre seus seios na frente de toda a turma. O caso ocorreu em setembro de 2022 e, na última terça-feira (14/4), a justiça manteve a condenação do suspeito: oito meses de regime aberto, substituída por restritiva de direitos, com multa de R$ 500, por danos morais, à aluna.

Na época, a diretoria do colégio foi informada do caso e, posteriormente, o caso chegou à justiça, trazendo como testemunhas os colegas que estavam presentes no momento. Segundo a vítima, ela compareceu à aula com uma blusa que não era o uniforme escolar. Assim que a aula começou, o professor teria se dirigido à menina, e dito: "J., seus peitos grandões estão chegando primeiro que você, cobre com um cinto alguma coisa".

Segundo informações do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT), a jovem ficou tão constrangida que deixou de comparecer às aulas do professor, evitando encontrar com o docente. 

A defesa do homem seguiu na tentativa de reduzir a pena, alegando que os estudantes inventaram a história, por estarem insatisfeitos com a sua atuação em sala de aula. Apesar das testemunhas, o professor nega ter dito a frase. Entretanto, a sua versão dos fatos ficou enfraquecida perante a justiça, por não haver "respaldo probatório capaz de afastar a credibilidade dos depoimentos da vítima", descreve o Tribunal.

Ainda de acordo com o órgão, a defesa do professor ainda tentou pleitar a redução de pena do réu, argumentando que o homem enfrentava problemas psicológicos na época em que ele foi denunciado pelo assédio. Nesta terça-feira (14/4), foi divulgado que a 3ª Turma Criminal do TJDF negou o recurso, uma vez que a palavra da vítima, reforçada pelos colegas, possui relevância entre as provas do crime.

O colegiado ainda reforçou que o comentário, de natureza sexualizada, extrapolou o "poder disciplinar do docente e configurou vexame e constrangimento", proibido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A condenação da justiça estabeleceu regime aberto e substituiu a detenção pela restritiva de direitos. Ou seja, o réu não ficará detido e deve prestar serviços comunitários ou cumprir outras obrigações. Entre as restrições pode haver algo como:

  • Ter que se apresentar periodicamente à Justiça, por exemplo, uma vez por semana ou por mês, para mostrar que está cumprindo a pena corretamente.
  • Fazer serviços comunitários ou outras atividades que o juiz determinar, dependendo do caso.
  • Respeitar certos horários e condições (não pode sair à noite, por exemplo, ou frequentar determinados lugares, se for o caso).

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