CASO MASTER

Defesa de Paulo Henrique classifica prisão como 'absolutamente desnecessária'

O advogado Cleber Lopes afirmou que ainda analisa os fundamentos da decisão, mas adiantou que não vê justificativa para a detenção neste momento

A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, na manhã desta quinta-feira (16/4), foi classificada pela defesa como uma medida “absolutamente desnecessária”. O advogado Cleber Lopes afirmou que ainda analisa os fundamentos da decisão, mas adiantou que não vê justificativa para a detenção neste momento.

“No primeiro momento a defesa considera que o Paulo Henrique não representa nenhum perigo para a instrução, para a aplicação da lei penal. Ele está em liberdade desde a primeira fase da operação, não há notícia de que ele tenha praticado qualquer fato que pudesse atentar contra a instrução criminal, contra a ordem pública, contra a aplicação da lei penal, de maneira que a defesa considera, em um primeiro momento, a prisão absolutamente desnecessária”, declarou o advogado.

Cleber Lopes ressaltou que, por ora, a defesa adotará cautela em relação à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. “Mas, em respeito ao ministro André Mendonça, a defesa não vai fazer outras considerações ainda acerca da decisão tomada por sua excelência, até que a defesa possa examiná-la com mais calma, para que possa tomar alguma providência nos próprios autos, peticionando ao ministro, peticionando ao Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

Sobre os próximos passos, o advogado explicou que o ex-presidente do BRB deverá ser encaminhado à Polícia Federal. “Ele deve ser levado para a superintendência da Polícia Federal, naturalmente será submetido a exame de corpo de delito, que é uma providência decorrente da própria lei e depois ele será acomodado onde a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal entenderem”, disse.

A defesa também indicou que não pretende alterar a estratégia adotada até o momento. “Não, se eu estou considerando que é um exagero, eu permaneço como estava antes. Eu continuo convencido, o Paulo Henrique continua convencido, e vamos, como eu disse antes, examinar. Enfim, a defesa continua firme na convicção de que o Paulo Henrique não praticou crime algum. Vamos aguardar agora a análise do documento, vamos fazer a defesa como temos feito”, pontuou.

Questionado sobre o que teria motivado a decisão, o advogado afirmou que ainda não teve acesso ao conteúdo completo. “Eu não examinei a decisão ainda, estou indo agora para o escritório acessar os autos para examinar tudo isso. Não considero essa hipótese como uma hipótese válida. Mas nós vamos ainda examinar para poder fazer um posicionamento definitivo”, disse.

Cleber Lopes comentou as limitações jurídicas para contestar a prisão. “Lamentavelmente, a jurisprudência do Supremo não admite habeas corpus contra ato de relator, o que, aliás, é algo que se deva refletir acerca, porque como é que pode haver uma decisão judicial contra a qual não cabe habeas corpus? Mas essa é a jurisprudência atual do Supremo, que eu espero que um dia seja modificada. Mas então nós temos apenas um agravo regimental que levará a matéria a plenário”, explicou.

Segundo ele, a decisão ainda deverá ser analisada pelos demais ministros. “Normalmente, nesses casos, os ministros levam a decisão para referendo da própria turma. Então isso deve acontecer nesse caso, de maneira que em alguma medida a turma terá oportunidade de examinar os fundamentos da própria prisão”, afirmou.

O advogado relatou que a operação ocorre dentro da normalidade. “Tem autoridade policial, os agentes estão fazendo a apreensão, fazendo a diligência, como manda a lei, dentro da normalidade, sem nenhum constrangimento. E agora vamos esperar a conclusão disso. Tem um colega nosso de escritório acompanhando a finalização, eu vou me deslocar para o escritório para começar a tomar pé da decisão e começar a tomar alguma providência”, assegurou.


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