A Fitch Ratings, agência global de classificação de risco, rebaixou as notas de crédito do Banco de Brasília (BRB) para o nível “CC”, considerado altamente especulativo, e retirou todas as classificações da instituição, citando elevado risco de inadimplência, falta de transparência e ausência de demonstrações financeiras atualizadas. Segundo a agência, a limitação no acesso a dados confiáveis compromete o monitoramento independente e indica possível deterioração na governança, além de aumentar a probabilidade de eventos adversos, como default ou reestruturação da dívida.
De acordo com o relatório, a decisão foi influenciada pela ausência de demonstrações financeiras atualizadas e pela baixa visibilidade sobre a estratégia e o perfil de crédito do BRB. A Fitch afirma que a falta de dados confiáveis e verificáveis compromete a capacidade de monitoramento independente, o que levou à retirada dos ratings por falta de condições adequadas para manter a cobertura analítica.
O rebaixamento também reflete a percepção de maior probabilidade de um evento de crédito adverso, como default ou reestruturação da dívida. Segundo a agência, as incertezas se intensificaram após atrasos na divulgação de resultados financeiros recentes, o que pode indicar deterioração adicional na governança e na transparência do banco.
Newton Marques, economista e especialista em mercado financeiro, entende que o impacto da decisão vai além da avaliação técnica e afeta diretamente a relação do banco com o mercado. “A nota ‘CC’ é extremamente baixa e indica alto risco de inadimplência. Na prática, isso faz com que investidores passem a exigir mais garantias ou até evitem aplicações no banco. Para captar recursos, a instituição tende a pagar juros mais altos, o que reduz a rentabilidade e pode impactar negativamente sua avaliação no mercado”, explica.
O relatório aponta, ainda, fragilidades institucionais como fator relevante para o cenário de risco elevado. Embora indicadores ambientais, sociais e de governança não tenham impacto direto na nota, a Fitch destaca que questões relacionadas à governança corporativa contribuíram para a decisão.
A agência ressalta que suas análises se baseiam em informações fornecidas pela própria instituição e por fontes consideradas confiáveis, mas não auditadas diretamente. Nesse contexto, a limitação no acesso a dados atualizados foi determinante para a revisão e posterior retirada das classificações.
A Fitch é uma das principais agências globais de classificação de risco, ao lado da Moody’s e da S&P Global Ratings, e exerce influência direta sobre o custo de crédito e a percepção de risco nos mercados financeiros.
Balanço
O mercado e o Banco Central aguardam a divulgação do balanço consolidado de 2025 do Banco de Brasília (BRB), promessa que deveria ter sido cumprida até 31 de março, mas foi adiada na noite do mesmo dia, conforme fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Desde então, o banco corre contra o tempo com um novo prazo. O Banco Central estabeleceu que a divulgação dos balanços em atraso ocorra até a segunda quinzena de maio, ampliando a expectativa e mantendo reguladores e investidores em estado de alerta.
O Correio procurou o BRB para comentar o assunto, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
