
A manhã de sábado (2/5) começou cedo e cheia de movimento na Praça do Parque Sul. Para celebrar os 23 anos de Águas Claras, a cidade reuniu moradores, famílias e visitantes em uma programação que transformou o espaço público em ponto de encontro, com direito a desfile cívico, competições esportivas e atividades voltadas, especialmente, para crianças.
Antes mesmo das 9h, o público já ocupava a praça com cadeiras de praia, toalhas de piquenique e muita disposição para acompanhar o desfile que abriu a programação. Escolas da região, ao lado do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal e do Exército Brasileiro, deram o tom cívico da celebração, que mescla tradição e convivência comunitária.
Mas, longe de ser apenas uma cerimônia formal, o evento se revelou um retrato vivo da cidade, feito de histórias, rotinas e diferentes formas de viver Águas Claras.
A estudante Bella Moreno, de 10 anos, participou da celebração por um motivo especial: a estreia no Campeonato Brasiliense de Patinação de velocidade, que teve várias categorias com direito a premiações. Ao lado da mãe, Bertha Oliveira, de 46, ela tentava equilibrar nervosismo e animação. "Tô um pouco ansiosa", resumiu, com um sorriso tímido. Para Bertha, mais do que a competição, o evento representa uma oportunidade de crescimento. "Estimula não só o esporte, mas a amizade, a interação social. Isso ajuda muito na vida de todo mundo", destacou.
Junto da família, o brigadista Alessandro Silva, de 50 anos, morador de Águas Claras há quase dois anos, também acompanhou toda a movimentação de perto. Para ele, a importância vai além da comemoração. "É muito importante para fazer com que a comunidade interaja", disse. Entre as impressões do evento, um detalhe se destacou: "A organização".
A cena se repetia em diferentes pontos da praça. Famílias espalhadas pelo gramado, crianças correndo entre brinquedos infláveis e o cheiro de pipoca no ar davam ao aniversário um clima de festa de bairro. Segundo o censo 2022 do IBGE, Águas Claras tem cerca de 128 mil habitantes. A região é conhecido por ter maior densidade populacional do DF: 14.074 pessoas por Km2.
Para a dentista Anna Raquel Mundim, de 30 anos, moradora há oito anos, esse tipo de iniciativa faz diferença principalmente para os pequenos. "Traz coisas diferentes. Às vezes, as cidades não têm tanto, principalmente pra criança, e aqui sempre tem pipoca, brinquedos. É muito bom", contou. Para ela, Águas Claras representa qualidade de vida, segurança e praticidade no dia a dia.
Essa percepção também aparece no relato da advogada Raquel Patrícia Marques Borges, de 40 anos. Há três anos na cidade, ela resume o sentimento em uma palavra: acolhimento. "É uma cidade que abraça você. Você faz amizade, conhece as pessoas no comércio. É muito boa de viver", afirmou. Para ela, eventos como o de sábado cumprem um papel importante. "Incentivam as pessoas a saírem de casa, conhecerem novos lugares, fazer novas amizades", acrescentou.
Voluntários
Se, para alguns, a relação com a cidade ainda está em construção, para outros ela já faz parte da história de vida. É o caso do aposentado Júlio Belluci, de 76 anos, morador há 22 anos. Ele chegou a Águas Claras quando a região ainda começava a se desenvolver; e lembra da estranheza inicial ao trocar o interior de Minas Gerais, por um ambiente urbano. Hoje, a visão é outra. "Gosto daqui. Participo das coisas. Sou piolho de eventos", disse, entre risos.
Além de frequentador assíduo, Júlio também é voluntário no Instituto Voluntários do Parque, grupo que atua na recuperação e preservação do Parque Ecológico de Águas Claras. Criada após um incêndio que atingiu a área, a iniciativa hoje produz milhares de mudas por ano, que são plantadas ou doadas à comunidade. "Estamos sempre precisando de ajuda. Quem quiser participar é só aparecer por lá", convidou.
O Parque Ecológico de Águas Claras, aliás, é um dos principais símbolos da cidade, um espaço que ajuda a equilibrar o cenário urbano marcado por edifícios altos e crescimento acelerado. Com mais de 90 hectares, ele funciona como ponto de encontro para práticas esportivas, lazer e convivência.
E foi justamente o esporte, que está sempre presente na rotina dos moradores da região administrativa, um dos grandes protagonistas da comemoração. Além da patinação, o campeonato de calistenia chamou atenção do público, reunindo atletas e entusiastas em uma seletiva de alcance internacional. A modalidade consiste em treinamento físico que utiliza o peso do o próprio e a gravidade para fortalecer músculos e melhorar a flexibilidade.
Entre eles, a autônoma Helen Rodrigues, de 35 anos, que veio de Unaí, em Minas Gerais, com a família especialmente para o evento. A viagem de cerca de 170 quilômetros já virou tradição. "Todo ano a gente vem", contou. Para ela, o esporte representa uma virada de vida. "Saí da obesidade e hoje pratico atividade física. Isso mudou tudo pra mim e influencia meus filhos também", disse, ao lado do marido e das crianças.
Recém-chegada à cidade, a educadora física Natália Marinho, de 43 anos, também encontrou no evento um reflexo do que busca para a família. "Tem bastante lazer, principalmente para criança. Isso, faz muita diferença", afirmou. Morando em Águas Claras desde fevereiro, ela destaca ainda a mobilidade como um dos pontos fortes. "Tem metrô, ônibus, tudo perto. Facilita muito".
Para o administrador regional, Gilvando Galdino, a proposta da celebração é justamente atender a esse perfil de cidade: dinâmica, familiar e em constante crescimento. "Os moradores pedem lazer, cultura. Um evento assim vai de encontro a essa necessidade e proporciona mais qualidade de vida", explicou. Segundo ele, a região também se destaca pela sensação de segurança e pelo uso ativo dos espaços públicos.
Criada oficialmente em 2003, Águas Claras se consolidou ao longo das últimas duas décadas como um dos principais polos urbanos fora do Plano Piloto. Com forte verticalização, ampla oferta de comércio e serviços e crescimento populacional constante, a cidade se tornou referência em praticidade e infraestrutura no Distrito Federal.
Ao completar 23 anos, a celebração deste sábado mostrou que, mais do que números ou planejamento urbano, o que define Águas Claras são as pessoas que ocupam seus espaços. Entre crianças ansiosas, moradores antigos, recém-chegados e visitantes de outras cidades, o aniversário revelou uma identidade construída no cotidiano, feita de encontros, histórias e pertencimento.
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