Samambaia

Família espera pena máxima para vizinho que matou empresário

Francisco Evaldo de Moura vai a júri popular no próximo dia 21. Crime ocorreu após discussão por vaga de garagem, e réu pode pegar até 30 anos de prisão

Crime ocorreu à luz do dia. Câmeras de segurança da rua gravaram o ataque a tiros  -  (crédito:  Material cedido ao Correio )
Crime ocorreu à luz do dia. Câmeras de segurança da rua gravaram o ataque a tiros - (crédito: Material cedido ao Correio )

O Tribunal do Júri de Samambaia julgará, em 21 de maio, o comerciante Francisco Evaldo de Moura, 56 anos, pelo assassinato do empresário Adriano de Jesus, 50. O crime, ocorrido em 6 de fevereiro de 2025, foi motivado por uma disputa por vaga de estacionamento na Quadra 408 da região administrativa. A acusação trabalha para que o réu receba a pena máxima. Francisco responde por homicídio qualificado. 

Segundo o advogado assistente de acusação, Marcos Akaoni, o processo lista quatro qualificadoras: motivo fútil, perigo comum, recurso que dificultou a defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito. "O primeiro passo é a condenação pelo júri popular, composto por sete pessoas da comunidade. Devido às circunstâncias narradas na denúncia e na sentença de pronúncia, a dosimetria da pena pode se aproximar dos 30 anos", explica o advogado.

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Para Elaine Ferreira, 59, viúva de Adriano, o julgamento é o desfecho de um período de instabilidade iniciado após o crime. Em depoimento ao Correio, ela relembrou o momento em que o vizinho invadiu o lote da família. "Eu vivi cada segundo daquele horror. Vi o assassino entrar na minha casa, vi o desespero do Adriano correndo e vi ele atirar pelas costas, sem dar qualquer chance de defesa", afirma.

Elaine ressalta que a perda do marido, com quem geria uma empresa de transporte escolar há décadas, desestruturou a rotina e o sustento da família. "Ele não era só meu marido, era meu companheiro em tudo, no trabalho e na vida. Espero que o responsável pague pelo que fez com a pena máxima. Nada o trará de volta, mas a justiça precisa ser feita", reforça.

O crime

De acordo com as investigações da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), a confusão começou quando o filho da vítima, Gabriel Ferreira, estacionou o veículo em uma vaga pública em frente à casa do agressor. Câmeras de segurança registraram o momento em que Francisco confrontou os vizinhos e sacou uma arma.

Adriano, que tentava apaziguar a situação, foi perseguido por Francisco. O empresário foi atingido por quatro disparos — dois no pescoço e dois no tórax — e morreu no local. O agressor fugiu logo após os tiros, mas foi identificado e preso posteriormente.

À época do crime, moradores da Quadra 408 descreveram Francisco como uma pessoa de perfil hostil, que frequentemente criava conflitos por questões territoriais na rua. Em contrapartida, Adriano, conhecido como "Tio Adriano", era uma figura pública na cidade devido ao transporte de alunos e à sua participação em atividades religiosas.

Também na ocasião, a família expressou o medo de permanecer no local e a dor de ver o legado de Adriano interrompido. Gabriel Ferreira, filho do casal, contou que o pai sempre foi seu maior incentivador, apoiando-o desde o sonho de ser jogador de futebol até o ingresso na faculdade de agronomia. Abalada, a família planejava se mudar da casa que Adriano havia construído com o próprio esforço, alegando que, além da insegurança, não suportariam conviver com as lembranças da tragédia no local.

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postado em 05/05/2026 19:13
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