
Celebrando a ancestralidade através da manifestação artística, o Povoado Quilombola do Moinho de Alto Paraíso (GO) recebe, em 11 de junho, o Festival QuilomBeat. O evento reúne a música afro-brasileira e a capoeira dos Angoleiros do Sertão para ressaltar a cultura negra e a vivência local. Aberto ao público, o projeto é realizado pela Casa de Cultura Telar e pela Associação Quilombola do Povoado do Moinho.
A programação do primeiro dos quatro dia de evento, que se inicia a partir das 18h, inclui apresentações de Reggae, R&B e Black Music. Durante a estreia, Apoena Ferreira, Jocilaine Oliveira e os DJs Maoli e Wachuma ficarão responsáveis por comandarem a noite. O discurso de abertura ficará a cargo do presidente da Associação Quilombola do Povoado do Moinho, Lucas Luiz Gomes.
“Ao englobar diferentes manifestações artísticas dentro do nosso próprio território, o festival mostra que a cultura preta não é uma coisa só, ela é múltipla, viva e se reinventa o tempo todo. Essa mistura fortalece a autoestima da comunidade, atrai públicos diferentes e mostra que o território quilombola é lugar de arte, de festa, de troca, e não só de sofrimento e saudade”, comenta Gomes.
O segundo dia será marcado pela roda de capoeira dos Angoleiros do Sertão, conduzida pelo mestre Cláudio Costa, e pela realização da 2ª edição do Arraiá do Moinho que contará com quadrilha, fogueira, barraquinhas de comida e muito forró para agitar a comunidade.
Com samba rural, apresentações de Hip-Hop e a transmissão ao vivo da estreia do Brasil na Copa do Mundo da Fifa 2026, o terceiro dia do Festival reunirá nomes como Dow Raiz, MC Marinho e Rapadura para transformar, através da música, o Quilombo do Moinho em espaço de resistência, pertencimento e celebração da negritude artística.
“Da mesma forma que o meu Hip-Hop vem para narrar a realidade vivida na comunidade e a importância das nossas raízes, o QuilomBeat vem trazer conhecimento e valorização da cultura afro em um país diversificado mas que ainda possui um grande índice de preconceito”, ressalta o rapper e vice-presidente da Associação Quilombola do Povoado do Moinho, Lucas Marinho.
O encerramento do evento acontece a partir das 10h, na Praça do CAT, onde os Angoleiros do Sertão também contarão com a presença dos Mestres Claudinho (BA), Xande (SP), Tico (SP) e do Contramestre Orikerê (BA). “O protagonismo preto forma artistas mais conscientes, públicos mais respeitosos e fortalece uma economia criativa que gira ali mesmo, no território. A gente deixa de ser objeto de pesquisa ou de “experiência exótica” pra ser sujeito da nossa própria história, do nosso próprio beat. E isso, pra mim, é o verdadeiro sentido do QuilomBeat: bater no peito e dizer que a arte quilombola pulsa, resiste e ensina”, conclui Gomes.

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