
Em meio à tentativa de encerrar de vez a crise enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, afirmou, em entrevista exclusiva ao Correio, que o acordo construído entre o Governo do Distrito Federal, a União e instituições do mercado financeiro representa a solução definitiva para a situação do banco. Confira os principais trechos.
Governadora, o que exatamente ficou estabelecido na audiência no STF?
Combinamos de não falar os detalhes do acordo que será homologado amanhã (quarta-feira, 27/5). Mas ele se resume a uma forma de fiança. E isso foi construído junto com o Ministério da Fazenda, com a AGU, com o Governo do Distrito Federal e com os parceiros do mercado financeiro. Não é aval da União, é uma fiança.
Pensando do ponto de vista político, o governo federal está dando uma ajuda ao GDF?
O governo federal teve uma posição institucional de seriedade e temos que reconhecer isso. Realmente trabalhou por essa conciliação e pela institucionalidade, pela preservação dos empregos do BRB. Houve uma posição institucional por parte do governo federal que ultrapassou a barreira política. Então, eu fiquei muito feliz, inclusive no começo da minha fala ao fim da reunião, na conversa com a imprensa, fiz um agradecimento público ao governo federal, aos dois ministros que estavam envolvidos, que é o ministro Dario (Durigan) e o ministro (Jorge) Messias também. E não foi o aval, como nós esperávamos, foi uma fiança que será trabalhada com os bancos privados. Mas com o apoio e a participação do governo federal também.
Esse acordo vai resolver o problema do BRB?
Vai resolver. O problema de liquidez a gente já tinha resolvido. Com este acordo sendo assinado amanhã (quarta-feira, 27/5), aí é só cuidar de atravessar a pista. Ficam só os trâmites jurídicos. Aí vamos virar essa página. O BRB é um banco que passou este momento de dificuldade, mas a partir da audiência de hoje, de conciliação, ele vira a página e se concentra, agora, naquilo que deveria ter sido sempre em sua vocação, o banco regional e cuidar da população de Brasília.
E o que possibilitou esse acordo?
Colocar os interesses do Distrito Federal acima de qualquer questão ideológica. E isso aconteceu por parte do governo do Distrito Federal e por parte do governo federal também.
E vai dar para entregar as respostas ao Banco Central, divulgar o balanço do BRB?
Quinta-feira (amanhã) com a assinatura do acordo, a gente entrega o próprio acordo ao Banco Central. Aí nós vamos fechar o balanço (do BRB).
A senhora herdou um problemão no BRB. Qual é o seu sentimento ao ver a solução encaminhada?
Sou uma pessoa que acredita muito em milagre, em Deus e na capacidade de pegar problemas graves e de resolvê-los. Mesmo que às vezes soframos preconceito por ser mulher. Alguns subestimam a capacidade de uma mulher. Mas em menos de 50 dias a gente vai apresentar a solução definitiva para o BRB. Eu fiquei muito feliz e muito orgulhosa da minha equipe, da equipe que eu montei, que eu trouxe, do meu novo secretário da Fazenda (Valdivino de Oliveira), que trabalhou assiduamente, da minha procuradora (Diana de Almeida Ramos) que trabalhou muito, do Nelson (de Souza — presidente do BRB).
E o que acontece, agora, com os responsáveis pelo prejuízo causado ao banco?
A gente espera que a parte criminal seja resolvida, que os responsáveis por esse prejuízo, por esses danos ao BRB, sejam punidos. É um desejo nosso, um desejo da população do Distrito Federal que as pessoas que levaram o banco para essa situação sejam punidas. Nós, inclusive, colocamos isso no acordo, para que se trabalhe também com a possibilidade de, no caso da devolução de dinheiro, o BRB ser ressarcido.
Acha que tinha muita gente torcendo contra?
Algumas pessoas usaram o tema do banco de forma muito irresponsável, mexendo na liquidez do BRB. Então, hoje isso foi superado e é essa mensagem que a gente quer passar para todos os correntistas, todas as pessoas que acreditaram no BRB. O banco vai continuar crescendo aqui regionalmente, como um banco de fomento local, um banco onde estão vinculados todos os nossos programas sociais, um banco que tem 10 milhões de correntistas, um banco que tem contas judiciais de cinco tribunais. Então, eu tenho certeza de que isso é muito importante para a população do Distrito Federal.
Qual é o foco agora?
Cada dia mais a gente vai cuidar da gestão do GDF, melhorando a saúde, com investimento massivo na contratação de médicos, todo esse olhar que a gente já tem com o GDF na sua porta. Com toda a dificuldade que nós tínhamos nessa situação, nunca me afastei do olhar da gestão e do cuidado do dia a dia da cidade. Tenho certeza de que, com esse problema resolvido, nós teremos mais tempo ainda para nos dedicar à gestão, a cuidar das pessoas e mostrar, também, a nossa capacidade de resolver problemas graves como esse.

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