Justiça

Pacientes na UTI teriam sido mortos por "darem muito trabalho"

Oito testemunhas, entre acusação e defesa, prestaram depoimento no primeiro dia da audiência de instrução, que começou nesta quarta-feira (27/5) e deve prosseguir até 8 de junho. Tribunal do Júri de Taguatinga espera ouvir 32 pessoas

Os técnicos de enfermagem estão presos e viraram réus -  (crédito: Reprodução/Redes sociais)
Os técnicos de enfermagem estão presos e viraram réus - (crédito: Reprodução/Redes sociais)

A audiência de instrução dos técnicos de enfermagem acusados de matar pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta só deve terminar em 8 de junho. Nesta quarta-feira (27/5), primeiro dia, oito testemunhas, entre acusação e defesa, prestaram depoimento. O julgamento do caso de repercussão nacional caminha para um questionamento ainda nebuloso: a motivação para tamanha brutalidade.

O Correio apurou que, em documento processual, consta o motivo que teria levado os técnicos Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos; Amanda Rodrigues de Sousa, 28; e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, a matarem três pacientes. A justificativa é de que as vítimas, Miranilde Pereira da Silva, 75; João Clemente, 63; e Marcos Moreira, 33, “davam muito trabalho”.

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O Tribunal do Júri de Taguatinga espera ouvir 32 pessoas. Neste primeiro dia, uma das testemunhas foi o delegado do caso, Maurício Iacozzili, da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil (CHPP/PCDF).

Crime

A investigação do caso começou na véspera de Natal de 2025. A PCDF foi procurada pelo Hospital Anchieta e informada de que a Comissão de Óbitos havia identificado a possibilidade de três homicídios terem ocorrido nos leitos da UTI da instituição. Por meio do acesso a prontuários e a imagens de câmeras de segurança, foi detectado o comportamento suspeito dos três técnicos de enfermagem quando dois pacientes internados morreram.

O hospital passou a investigar outras mortes com o mesmo padrão e detectou, em 1º de dezembro, um terceiro óbito. Finalizada a auditoria interna, a instituição comunicou o caso à polícia. A investigação se tornou prioritária no momento em que a equipe foi informada de que Marcos — demitido do Anchieta — estava trabalhando na UTI neonatal de um hospital infantil, também em Taguatinga.

Em uma força-tarefa entre a CHPP, o Instituto Médico Legal (IML) e o Instituto de Criminalística, foram expedidos os mandados de busca e apreensão, em 12 de janeiro, e, três dias depois, os envolvidos foram presos temporariamente — em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO). Marcos, o principal investigado, era quem injetava as substâncias nos pacientes. Também estudante de fisioterapia, ele trabalhou em vários hospitais, públicos e privados, durante cerca de cinco anos. Há um ano estava no Anchieta.

Frieza

Durante o interrogatório, Marcos negou inicialmente os fatos, afirmando que tinha apenas seguido a receita passada pelo médico. Porém, após ser confrontado com as imagens — desde ele sentado no computador do médico até a aplicação do medicamento —, confessou o crime. Segundo a polícia, os três investigados foram “extremamente frios” durante os interrogatórios. “Quando passamos os vídeos, eles não manifestaram surpresa nem choque. Também não demonstraram arrependimento”, disse o delegado Wisllei Salomão.

Marcela também negou o crime, afirmando não saber o que Marcos aplicava nos pacientes. Diante dos vídeos, ela contou ter se arrependido de não impedir o ato nem avisar a equipe do hospital, além de confirmar saber que a substância utilizada poderia matar se aplicada de forma indevida.

Amanda, por outro lado, negou os fatos e afirmou achar que Marcos estava apenas aplicando medicamentos corriqueiros, apesar de as imagens mostrarem ela vigiando a porta enquanto o suspeito injetava as substâncias nas vítimas. Confrontada, ela manteve-se em silêncio. Nenhum dos três revelou a motivação do crime.

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postado em 27/05/2026 21:52
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