
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, destacou, durante o CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília —, a importância do empréstimo de R$ 6,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), firmado por meio de acordo entre o Governo do Distrito Federal (GDF), a União e a instituição financeira. A negociação foi consolidada em audiência de conciliação mediada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quinta-feira. Aos jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Sibele Negromonte, o dirigente ressaltou as medidas adotadas para sanear e capitalizar o BRB, com foco em transparência, compliance e austeridade.
Qual é a sua primeira avaliação dessa engenharia financeira que foi montada para restituir e resgatar financeiramente o BRB, depois das fraudes provocadas nas negociações com o
Banco Master?
O BRB está começando a sair de maneira contundente, de um momento muito desafiador. Nesse acordo feito ontem (quinta-feira), numa conciliação no STF, sob a coordenação do ministro Luiz Fux, eu diria que traz um novo momento para o BRB. Estamos felizes com isso. Uma engenharia financeira inédita no mercado financeiro brasileiro, em que o BRB está sendo socorrido por meio de recursos privados do sistema financeiro, onde o Fundo Garantidor (FGC), empresta ao GDF 16% da receita corrente líquida do DF, isso dá por volta de R$ 6,5 a R$ 6,6 bilhões, tendo como garantia, e isso que é diferente, a fiança dos grandes bancos brasileiros, chamados S1, e como contragarantia a esses bancos, os fluxos financeiros do fundo de participação do GDF, o FPE (Fundo de Participação dos Estados) e o FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Isso é inédito e tudo sendo feito dentro da lei, com responsabilidade e com transparência. Geralmente, os bancos que precisam de capital, e lembrando que o BRB é associado do Fundo Garantidor, se pega alguns recursos para liquidez, sempre oferecendo garantias diretas do banco que está tomando esses recursos. Nesse caso, foi muito mais amplo, no qual demonstra que o mercado acredita no BRB.
Depois desse acordo, quais são os próximos passos?
Esse acordo foi fruto de muitas reuniões. Além desses atores que falamos, é importante que o BRB apresente um plano de negócio, que ele tenha cada vez mais retorno do que está sendo investido, para poder honrar com esses compromissos, que é exatamente o pagamento dessa parcela. Nós estamos solicitando um empréstimo de R$ 6,5 bilhões, num prazo de 15 anos, com carência de 18 meses. As taxas de juros vão ser definidas, o banco está solicitando o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mais um delta, não sabemos quanto, mas tudo depende da negociação com o FGC, que vai definir todas as características da operação. Com isso, o BRB volta a ter a credibilidade que sempre teve, não só para o povo de Brasília, mas para o Brasil como um todo. Desde 18 de novembro de 2025 (primeira fase da Operação Compliance Zero), foram sacados, retirados do banco, R$ 6 bilhões de clientes que estavam com depósito de investimento abaixo de R$ 250 mil, que estavam totalmente cobertos pelo FGC. Clientes que tinham saído por algum temor, hoje estão devolvendo esses recursos ao BRB, porque eles viram que todo o mercado acredita no BRB e que o banco é viável. Isso fez a liquidez do banco totalmente diferente. Isso demonstra o tanto que o BRB é querido pelo povo de Brasília e eu digo sempre, o BRB é a empresa ícone do povo de Brasília.
O que vai mudar no BRB daqui para a frente?
A primeira coisa tem a ver com a governança, compliance. Está bem claro que nós tivemos cuidado de uma diretoria toda de mercado, juntando com os grandes valores que são os empregados do BRB que estão lá, e o outro item é austeridade. Dentro desse plano de negócios, pouco a pouco, ele tem muita austeridade, despesas controladas, governança em altíssimo nível, ouvindo todas as instâncias decisórias do banco, e logicamente, colaboradores, pessoas comprometidas com o banco, que é o corpo funcional. Com certeza nós teremos resultados sustentáveis, que irão perenizar essa instituição e não ter mais o que ocorreu recentemente.
Como vai ficar a questão dos patrocínios do banco? Vão fechar agências? Tem algum plano nesse sentido?
Nós temos um plano elaborado, um planejamento estratégico de cinco anos, renovável a cada ano. Todas essas verbas de publicidade, patrocínio, contratos (são renováveis), mas não só isso, todos os itens que têm a ver com a austeridade, nós estamos adotando de maneira clara e reduzindo. Isso não quer dizer que nós não vamos mais ter patrocínio, isso faz parte do nosso negócio, faz parte de uma construção financeira do conglomerado, porém, compatível com o tamanho do banco e que tenha retorno e que dialogue com os negócios que o banco realiza diariamente. Nós estamos fazendo uma revisão das agências. Achamos prematuro neste momento sair fechando agências de maneira deliberada, mas temos sim um projeto. As agências têm que ser analisadas por dois prismas, além de outras variáveis. O primeiro, se ela é rentável; o segundo, pois nós somos um banco de desenvolvimento, é que precisa estar naqueles locais que muitas vezes outros bancos privados não estarão, e nós precisamos, enquanto BRB, para fomentar a economia de Brasília e região, o que chamamos de social. São essas duas grandes características, rentabilidade, que é o resultado, e um aspecto social para definição dessas agências.
Do ponto de vista social, isso foi levado em consideração na costura desse acordo? Quais são as ações mais importantes que o banco manterá ou reforçará?
Com relação aos programas de governo, são 32 programas, e nós vamos ampliar nesse item, no nosso plano de negócios, nós queremos ser cada dia mais o banco de Brasília e região. Nós vamos continuar com esses programas e melhorando cada vez mais a sua eficiência. Tem alguns itens que queremos colocar em prática. Por exemplo, estamos trabalhando de maneira forte no caso do endividamento do servidor público. Nós queremos apresentar uma proposta e conversar com esses servidores. Queremos algo que seja sustentável, que realmente dê fôlego ao servidor.
A devolução dos recursos para o BRB, firmada no acordo de quinta-feira, envolve a delação dos envolvidos na gestão anterior. O que o senhor gostaria de deixar claro em relação a isso?
O BRB peticionou (ações na Justiça) em relação a esse assunto. Qualquer devolução de recursos em função de delação, seja de qualquer um envolvido, que o BRB tenha o direito de ser ressarcido dos valores que foram retirados do banco. O que nós provisionamos, dentro dos ativos que vieram do Banco Master para cá, foi de R$ 8,8 bilhões. Mas todas as ações continuam em andamento, tanto da Polícia Federal, como em todos os órgãos que estão tratando. O BRB tem tido, diariamente, contato e trabalhando de maneira colaborativa com todos esses órgãos de controle.
A negociação envolvendo o BRB e Master chegou a R$ 23 bilhões?
O que ficou de ativos do Master dentro do BRB foi R$ 21,9 bilhões. Desses, nós detectamos que o banco precisa de R$ 8,8 bilhões de aporte capital, que agora viabilizamos com a indicação deste termo de audiência de conciliação e mais outros valores que estão dentro do banco, como R$ 1 bilhão referente à securitização da dívida ativa do GDF e, outros valores vão entrar via outras tranches (parcelas) da securitização da dívida ativa do GDF, e valores que o banco tem a receber. Esses R$ 8,8 bilhões estão endereçados. Se hoje alguma delação se comprometesse a devolver alguma coisa, no mínimo seriam desses R$ 8,8 bilhões. Caso tenha mais alguma coisa, no meio desses R$ 21 bilhões, desse pool de ativos que estou falando, algumas coisas não se concretizam, ou tenha algum ativo que não tenha lastro, algum ativo que não exista, ou seja, vendido para mais de um cliente; ou seja, fraudado, aí teria que aumentar esse valor.
O senhor acredita que o BRB vai conseguir, pelo menos, boa parte desse recurso de volta?
Eu creio que se tiver devolução, não podemos afirmar isso, se isso é PGR (Procuradoria-Geral da República), Polícia Federal, que topam isso junto com a STF, mas caso tenhamos, com certeza o BRB será contemplado, porque em todo esse arcabouço que está havendo dessa operação, a maior vítima foi o BRB. Tudo que nós estamos fazendo hoje com relação a governança, a resultado, a austeridade, a um plano de negócio robusto, é para que nunca mais volte a acontecer com o BRB o que aconteceu, mas o banco sai forte desse momento.
O balanço do banco deveria ter sido publicado hoje (ontem), diante desse acordo o balanço ficou mais para frente, mas tem alguma previsão de quando esse balanço deve ser publicado?
Nós tínhamos que ter publicado o balanço do exercício de 2025 até 31 de março de 2026. Não foi publicado por todas essas razões que colocamos à época, tínhamos, até então, uma auditoria forense independente, uma auditoria do Banco Central, diversas auditorias sendo tocadas dentro do banco. Algumas concluíram, por isso, que temos condição de dizer que o aporte é de R$ 8,8 bilhões, mas isso tudo tem que ser checado por outras auditorias que acompanham o banco. Quando entregamos o plano de capital ao Banco Central em 6 de fevereiro de 2026, temos 180 dias para capitalizar o BRB. A partir de 31 de março, o regulador, que é o Banco Central, diz que o BRB está descumprindo o prazo, mas é um descumprir em função de tudo que eu falei. Peticionamos junto ao regulador, dizendo que o BRB precisa ter a certeza de que o que está sendo publicado é real, está tudo correto e é isso que estamos fazendo para que todas essas demonstrações financeiras, apesar da dificuldade do momento, saia com a credibilidade que cabe ao banco, porque tudo que temos feito é de maneira transparente e colocando tudo o que acontece dentro dessas demonstrações financeiras. Para nós é importante publicar o mais rápido possível porque somos um banco listado em bolsa, quanto mais cedo publicar, mais credibilidade. Mas esse acordo firmado no STF, demonstra e diz, de maneira cabal à todos esses clientes, que a publicação do balanço passa a ser uma formalidade, tendo em vista que nós temos que parar essa corrida de liquidez contra o banco, que, a partir desse momento, passa a ter os depósitos voltando, os clientes colocando de volta seus recursos e nós vamos publicar esse balanço o mais rápido possível, para que a normalidade como um todo volte dentro do Banco de Brasília.

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