CB.PODER

CEB quer colocar chamados em dia dentro de um mês, diz presidente da empresa

Ao CB.Poder, o presidente da CEB, Elie Chidiac, disse que havia seis mil reclamações no banco de dados e, agora, são três mil. "Espero que em um mês a gente consiga acabar com esse saldo negativo", afirmou

Por Manuela Sá* — O presidente da Companhia Energética de Brasília (CEB), Elie Chidiac, detalhou, nesta segunda-feira (11/5), que medidas estão sendo tomadas para evitar o furto de cabos no Distrito Federal. No programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, ele também falou às jornalistas Mariana Niederauer e Mila Ferreira sobre uso de tecnologias para otimizar os processos na companhia e o potencial de Brasília para a energia solar. 

Como vocês estão trabalhando para mapear os principais pontos sem iluminação? Qual é a estratégia para voltar a iluminar Brasília? 

Fizemos um mapeamento, um estudo, sobre onde estão e as causas das nossas maiores ocorrências. Na verdade, há muita intervenção em vias públicas. Por isso, vamos disponibilizar, até para os administradores regionais, os mapas daquela região para eles enxergarem onde está a nossa rede e atuarem sem cortá-la e sem apagar um ramal ou avenida inteira. No entanto, também temos problemas que vêm da nossa distribuidora, que também sofre com o roubo de transformadores e de cabos. Estamos trabalhando junto com a Secretaria da Segurança Pública (SSP-DF) e com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-DF) para começar a colocar câmeras em todos os nossos postes para ajudar a detectar onde eles estão apagados. Também vamos comprar drones, sob domínio da CEB e operados pela SSP-DF, que vão varrer o DF todo e detectar onde há vândalos e onde há ramais, avenidas ou rodovias apagados.

Desde o início do ano, 33 quilômetros de cabos foram furtados. O que fazer para evitar esses furtos? 

A nossa atuação junto com a SSP-DF está muito intensa. Já foram mapeados esses vândalos. Com o aumento da penalidade para quem furta cabo, a gente espera que haja uma diminuição desses casos. Além disso, nós estamos tentando usar somente cabos de alumínio. O valor deles é ínfimo e não compensa o risco pelo roubo. Também estamos soldando todos os nossos postes. Isso não vai acabar com esse problema, mas esperamos que diminua muito a ação desses criminosos.

O que vocês estão fazendo para zerar os chamados da população? 

Recebemos um saldo de seis mil reclamações dentro do nosso banco de dados. Estamos higienizando-o porque há muitas solicitações para um ponto só. Detectamos, por exemplo, que houve 212 chamados para um mesmo ponto. Estamos usando uma nova tecnologia, junto com a inteligência artificial (IA), que faz uma análise para otimizar nosso despacho. No entanto, fiz um exercício estatístico de quantas ocorrências estão entrando pelo centro de operações. No domingo, foram 120 ocorrências, o que é muito pouco para nós. Já chegamos a 400, 500 ocorrências. As nossas terceirizadas tiveram as equipes aumentadas e, por isso, estamos conseguindo atender as ocorrências do dia e, depois, acabar com o saldo que está lá. Hoje, nosso banco está em três mil ocorrências. Já caiu mais que a metade. Espero que em um mês a gente consiga acabar com esse saldo negativo.

O senhor foi gestor da Companhia Energética de Goiás (Celg). Como o senhor traz essa experiência para reorganizar a CEB?

Certamente, a Celg é uma companhia de energia muito maior. O estado de Goiás é do tamanho da Alemanha, da Itália. Tínhamos eletrificação rural muito avançada e sete milhões de habitantes. Então, a complexidade é muito maior. O DF é um estado plano, em que dá gosto para trabalhar. Ele é de fácil recuperação. Por isso, minha meta é fazer da CEB a melhor empresa de iluminação pública do país. Espero que a gente consiga. Eu trouxe essa mesma metodologia de despacho, de centro de operação da Celg. Isso está nos dando uma agilidade maior. Há duas semanas implementamos o nosso centro de operações. Antes, a equipe ia para o lugar da ocorrência sem o mapa daquela região. O homem poderia passar três dias cavando sem achar o ramal de alimentação daquele ponto. Agora, ele baixa o mapa da nossa rede e vai direto para onde está o alimentador daquele ponto que está apagado. Temos mais assertividade. Também estamos implementando a IA para acelerar e trazer uma grande produtividade e análises mais exatas dos nossos dados.

Brasília é uma cidade plana, que tem muito potencial de energia solar. Existe algum plano da CEB para explorá-la na iluminação pública? 

Sim. Isso está dentro do nosso plano de negócios. A gente vê que há muitas áreas afastadas, rurais, onde a rede de distribuição não chega. Então, estamos trabalhando para colocar um módulo solar. Aqui, temos a melhor insolação do país. O módulo solar pode até diminuir o roubo de cabos porque eles não vão ser necessários. Esse módulo é grande e precisa de muito equipamento. Por isso, estamos tentando colocá-lo onde há mais roubo de cabos e na área rural, onde não tem rede de distribuição. 

Assista à entrevista

*Estagiária sob supervisão de Malcia Afonso

 

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