Brasília será palco de um dos principais encontros voltados à gestão cultural do país em 9 e 10 de junho. O II Encontro Cidades em Rede pela Cultura vai reunir secretários, gestores municipais, representantes do Ministério da Cultura e instituições parceiras para discutir os rumos da cultura brasileira em meio a debates sobre financiamento, articulação política e os impactos da reforma tributária no setor.
O evento é promovido pelo Fórum Nacional de Secretários e Gestores de Cultura das Capitais e Municípios Associados (FNC) com apoio da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) e da Fundação Itaú. A programação será realizada em Brasília e deve reunir representantes de 39 municípios brasileiros, entre capitais e cidades associadas.
O presidente do Fórum e diretor executivo da Fundação Cultural de João Pessoa, Marcus Alves, afirma que o encontro surge em um momento decisivo para a cultura nacional.
Segundo ele, o objetivo vai além da realização de painéis e oficinas. A proposta é construir uma articulação permanente entre municípios, fortalecer o diálogo com o governo federal e criar estratégias coletivas para enfrentar desafios que afetam diretamente as políticas culturais locais.
Marcus destaca que os gestores chegam ao encontro após anos de reconstrução do setor cultural no país. Ele relembra que o fórum participou de discussões importantes nos últimos anos, como a aprovação da Lei Paulo Gustavo, os debates da Conferência Nacional de Cultura e o acompanhamento do novo Plano Nacional de Cultura enviado ao Congresso em 2026.
Ao mesmo tempo, o gestor alerta para preocupações ligadas à reforma tributária. Um dos receios discutidos pelos municípios é a possível perda de incentivos fiscais estaduais e municipais usados atualmente para financiar projetos culturais.
Durante o encontro, os debates devem girar principalmente em torno de financiamento público, mecanismos de incentivo fiscal, economia criativa e fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura. A expectativa é aproximar os municípios das políticas federais e ampliar o acesso das cidades aos instrumentos de apoio disponíveis.
“O gestor municipal não está apenas participando de um encontro técnico. Ele está dentro de uma discussão que pode mudar as condições da política cultural pelos próximos anos”, afirma Marcus.
A programação também contará com um ato de mobilização no Congresso em defesa da chamada PEC da Cultura e do Esporte. A proposta pretende criar mecanismos para ampliar incentivos e investimentos nos setores cultural e esportivo dentro das novas regras da reforma tributária.
Para os organizadores, a articulação entre diferentes cidades é uma das principais forças do fórum. Atualmente, o grupo reúne capitais como São Paulo, Salvador, Manaus e Porto Alegre, além de municípios como Campina Grande, Niterói e Juiz de Fora.
Marcus Alves avalia que a criação dessa rede ajuda a romper o isolamento vivido por muitos gestores culturais no país, especialmente em cidades com estruturas reduzidas e poucos recursos.
"O gestor percebe que os problemas não são individuais. Eles são compartilhados por centenas de municípios. Quando existe troca de experiências, construção coletiva e articulação política, a capacidade de transformar a realidade cultural aumenta muito", afirma.
Além dos debates políticos, o encontro também terá espaços voltados para qualificação técnica e troca de experiências entre as equipes municipais. A parceria com a Fundação Itaú prevê ações de formação e construção de dados culturais ligados à realidade das cidades brasileiras.
A expectativa dos organizadores é que o evento fortaleça uma agenda nacional de cultura mais permanente, estruturada e conectada às necessidades dos municípios.
*Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca
