CRÔNICA

Final feliz: avião arremete, mas consegue pousar no Aeroporto de Brasília

Voo 3952 da Latam proveniente de Porto Alegre estava perto de concluir a viagem quando, por um problema técnico, precisou subir novamente. Após 20 minutos, aeronave pousou no aeroporto JK nesta sexta-feira (15/5)

O voo 3952 da Latam, proveniente de Porto Alegre, tinha tudo para ocorrer dentro da normalidade. Estava no horário, tinha aproximadamente 200 passageiros, todos bastante agasalhados para encarar os 18º C no final da manhã da capital gaúcha. Mas, no momento em que o Airbus 320 se aproximava do Aeroporto Internacional de Brasília, às 13h25, veio a sensação diferente. O avião arremeteu quando faltavam aproximadamente cinco minutos para o pouso. O gigante de metal precisou desafiar a força da gravidade, subir novamente e voltar a ficar próximo às nuvens mais baixas no início da tarde de sexta-feira em Brasília.

Veio então a voz do comandante. “Senhores passageiros, em razão de um problema técnico, foi preciso arremeter a aeronave. Dentro de 10 a 15 minutos, o problema deverá estar resolvido”, disse o piloto do Airbus 320, em tom firme, porém tranquilo.

As perguntas surgiram imediatamente. O que teria acontecido? Que problema seria esse que poderia ser resolvido em 10 a 15 minutos? Nada de anormal havia ocorrido durante o voo, exceto alguns trechos em que a aeromoça alertava que estávamos em uma zona de turbulência e insistia que os passageiros permanecessem em seus assentos, com os cintos de segurança afivelados. Os pequenos solavancos, entretanto, não se comparavam à sensação de ver toneladas de fuselagem desviarem de seu curso natural.

Seria um problema na aeronave? Ou algo no Aeroporto de Brasília? Esses dez a 15 minutos seriam suficientes para realizar alguma manobra com o combustível do avião? Em meio à sequência de perguntas, o melhor a fazer é tomar uma atitude concreta: verificar as medidas necessárias em caso de pouso de emergência. O manual à frente tem desenhos sucintos: prender o cinto de segurança e ficar em uma posição curvada na poltrona, abraçando as pernas. Ponho de volta o manual na poltrona da frente.

Logo após a mensagem do comandante, seguiu-se um silêncio no avião. Poucos minutos depois, contudo, os passageiros buscavam manter a calma. Um grupo de amigos gaúchos estava conversando, com risadas discretas. Quem olhava os seus aparelhos eletrônicos continuava com os olhos pregados na tela.

Na poltrona do outro lado do corredor, um estudante universitário estava em apuros. Na primeira tentativa de pouso, começou a sentir enjoo. Precisou recorrer à sacola de emergência para aliviar o mal-estar. Enquanto aguardava novas instruções do voo 3952, mantinha a mão no peito, como se buscasse acalmar o coração. E olhar fixo para frente, como se estivesse pensando no lugar aonde queria chegar.

Às 13h40, a voz do comandante voltou. “Faremos uma nova aproximação, e nossa previsão de pouso é às 13h46”. Faltava pouco.

Após dar uma volta sobre parte do Distrito Federal, o avião retomou a posição para pouso. Não saberia dizer onde estávamos. Do alto, o que se via era um aglomerado de construções baixas, desordenada e sem padrão urbanístico, se espalhando pelo território do Distrito Federal. Vista de cima, Brasília é difícil de ser reconhecida, considerando a quantidade de regiões administrativas que compõem o quadrilátero federal. Em meio à confusão urbana, era possível ver um supermercado Tatico e dois atacadões próximos se destacarem da vista aérea.

Na segunda tentativa de pouso, ficou nítido que havíamos avançado. O verde brasiliense estava cada vez mais próximo, e a noção de velocidade era cada vez mais evidente à medida que passávamos sobre construções, rodovias, carros.

Às 13h46, o voo 3952 da Latam pousa no Aeroporto JK. Após as instruções finais do comandante, ouve-se, ao fundo da aeronave, uma salva de palmas. Depois de 20 minutos de expectativa e alguma tensão, todos se arrumam para encerrar a viagem. A aeromoça avisa: mantenham os cintos afivelados até a parada total da aeronave.

Na saída da aeronave, o integrante da tripulação, sorridente, responde à pergunta do que havia ocorrido. “Um probleminha técnico. Mas segurança em primeiro lugar”. De fato, a perícia do piloto e a tranquilidade profissional no tom de voz foram decisivas para tornar a viagem segura, ainda que diferente do usual.

Bem-vindos a Brasília.

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