PODCAST DO CORREIO

Programa Vai de Graça completa um ano; Max Maciel faz balanço

Presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da CLDF, o deputado distrital Max Maciel fez um balanço positivo do programa no DF e cobrou mais transparência sobre os custos e os impactos da ampliação da tarifa zero

Em entrevista ao Podcast do Correio, na última quinta-feira (28/5), o deputado distrital Max Maciel (PSol), presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da Câmara Legislativa (CLDF), afirmou que em um ano do programa Vai de Graça, a demanda de passageiros aumentou cerca de 70% aos domingos e feriados. Às jornalistas Ana Carolina Alves e Milla Ferreira, ele explicou que o transporte público, antes planejado apenas para facilitar o acesso da população ao trabalho, é, agora, a forma como mais pessoas conseguem desfrutar da cidade aos fins de semana. 

Maciel destacou que dados do último ano mostram um saldo positivo do projeto para as áreas de comércio e de lazer no DF. De acordo com um estudo realizado pela Fecomércio DF, 96% dos lojistas afirmam que houve crescimento na demanda, o que aumentou o consumo de 10% a 26% aos domingos e feriados. "As pessoas contam que, antes da tarifa zero, saíam apenas uma vez no mês. Agora, saem de duas a três vezes. Essas pessoas estão circulando mais e o dinheiro também", relatou Maciel. 

Segundo o parlamentar, os estudos que reforçam e defendem a necessidade da implementação da tarifa zero, não apenas aos domingos e feriados, como também nos outros dias da semana, revelam que, em 2025, o custo do transporte público no DF, envolvendo metrô e linhas rurais, foi de R$ 3 bilhões. Desse total, mais de R$ 2,2 bilhões foram pagos com subsídio do governo, ou seja, 74% do sistema é financiado com os impostos daqueles que usam e dos que não usam o transporte público. "O sistema já está praticamente pago. Várias auditorias feitas em Brasília demonstraram que uma revisão tarifária reduziria bastante, não só o valor da tarifa, como o valor do subsídio." 

Porém, para isso, Maciel diz que é preciso empenho do Governo do Distrito Federal (GDF) para monitorar e divulgar com transparência os dados referentes à demanda de passageiros e aos impactos financeiros da mudança tarifária. "Apresentamos um projeto de lei que mostra como é possível chegar à tarifa zero universal no Distrito Federal em quatro anos, de forma escalonada, e mostrando de onde viriam as receitas".

Para o deputado, esse é um dos grandes entraves para a ampliação da tarifa zero. "A gente quer discutir a fonte que vai financiar, para que todo mundo tenha transparência e controle disso. Assim, podemos cruzar essas informações e conseguir um orçamento específico para mobilidade", disse Maciel. 

Ampliação

Sobre a possibilidade de o brasilense sonhar com a amplição da tarifa zero para os outros dias da semana, o deputado afirma que o cidadão deve não só esperar, como também defender a medida. "Porque a tarifa zero não é só para quem está indo para o trabalho: é para todo mundo. Para que, de fato, o nosso carro sirva apenas para passeios".

Porém, Maciel reconhece que essa visão de mobilidade só é possível em uma realidade diferente da que se vive hoje em Brasília. "A gente perde o usuário todo dia pela qualidade do serviço e só vê obra para transporte individual. Então, todo mundo quer ter uma moto, quer ter um carro."

Dessa forma, mais passageiros deixam de usar o transporte público e as empresas, sem conseguir arcar com os custos, aumentam as tarifas. Ele explica que é preciso garantir investimento de qualidade no transporte público para que ele seja mais eficente, rápido e atenda as demandas da população.

*Estagiária sob a supervisão de Eduardo Pinho

 

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