O frio e o vento que sopraram sobre o Lago Paranoá desafiaram os participantes do Campeonato de Pesca do Distrito Federal 2026. Ainda assim, competidores, famílias e curiosos ocuparam a Orla da Concha Acústica para acompanhar um dos maiores eventos de pesca esportiva sustentável do Centro-Oeste, que termina neste domingo (31/5).
Logo nas primeiras horas da manhã, pescadores das modalidades caiaque e barranco partiram em busca dos tucunarés que garantem a pontuação da competição. À tarde, o clima de expectativa tomou conta da chegada dos participantes, que retornavam com histórias de peixes fisgados, escapadas memoráveis e muita conversa sobre sorte, técnica e estratégia.
Para o vendedor Vanderson Moreira, de 42 anos, o dia foi mais difícil do que imaginava. Recordista brasileiro e goiano de tucunaré-amarelo, ele conseguiu capturar dois exemplares de cerca de 40 centímetros, mas não atingiu o limite de cinco peixes permitido para pontuação. "O frio e o vento atrapalharam bastante. O peixe estava com a boca fechada", resumiu. Para ele, a pescaria exige uma combinação de habilidade e acaso. "É os dois. Tem que saber trabalhar a isca, mas também precisa de sorte."
Já o autônomo Wilson Barbosa de Carvalho, 56, saiu satisfeito. Morador da região e pescador desde a infância, ele conseguiu registrar os cinco peixes necessários para a competição, incluindo dois tucunarés-amarelos, que possuem pontuação dobrada no campeonato. "Tem milhares de pescadores e poucos conseguem pegar. Hoje era meu dia. Peguei um de 44 centímetros e outro de 39. Mas o que seria o maior de todos escapou. Quando chegou no beicinho, foi embora", contou, entre risos. Apesar da experiência acumulada, Wilson acredita que a sorte ainda tem papel decisivo.
A competição adota o sistema de captura e soltura. Os peixes são medidos e devolvidos imediatamente ao lago. A pontuação é calculada pelo comprimento dos exemplares, com um ponto para cada centímetro registrado. No caso dos tucunarés-amarelos, a pontuação é dobrada.
Ecoturismo
O evento vai além da disputa esportiva. Ao longo do sábado, a feira temática, a praça de alimentação, as palestras educativas e as atrações culturais mantiveram a movimentação constante na orla.
Entre os visitantes estavam os irmãos Ravi Paz, 5, e Theo Paz, 11, acompanhados pelo pai, o executivo de contas Renan Rosa. Enquanto Theo conhece diferentes espécies e estava aquecendo para uma viagem de pescaria para o Rio Araguaia, na próxima quarta-feira, Ravi se divertiu em uma oficina que ensinava técnicas de sobrevivência e produção de fogo com pederneira. "Foi meio legal", resumiu o pequeno pescador após a atividade. Theo, por sua vez, acredita que a pescaria também mistura conhecimento e acaso. "Às vezes, tem muita gente e o peixe escolhe a sua isca", brincou.
A representante comercial Tatiana Tavares, 46, não conseguiu fisgar nenhum peixe durante o dia, mas saiu satisfeita com a experiência. Incentivada pelo irmão a praticar o esporte, ela vê na pescaria uma oportunidade de desacelerar. "É um esporte de paciência. Você esquece do celular, esquece de tudo e fica concentrada ali", afirmou.
Além de promover lazer e convivência, o campeonato também busca fortalecer a pesca esportiva sustentável e impulsionar o turismo ecológico no Distrito Federal. Realizado pelo Instituto Tecnológico e Cultural Brasileiro (ITCB), com apoio da Secretaria do Meio Ambiente do DF (Sema-DF), o evento pretende consolidar Brasília como destino para praticantes da modalidade.
Segundo o presidente do ITCB, Leonardo Augusto Silva, a expectativa é de que a competição gere impacto em diferentes setores da economia. "Quando trazemos pessoas de fora, elas procuram hospedagem, restaurantes e conhecem a cidade. É uma cadeia econômica que beneficia diversos segmentos", explicou.
A organização estima que a realização do evento tenha gerado entre 200 e 300 empregos diretos e indiretos, envolvendo equipes de montagem, alimentação, produção, arbitragem, segurança e atendimento ao público.
Leonardo também destaca o papel educativo da iniciativa. "A pesca esportiva faz parte da conscientização ambiental. A ideia é garantir que as próximas gerações também possam viver essa experiência e desfrutar dos recursos naturais de forma responsável."
O campeonato começou na sexta-feira, quando estudantes da rede pública participaram de palestras ambientais, apresentações culturais e da cerimônia oficial de abertura. Na ocasião, o Governo do Distrito Federal também assinou decretos voltados ao ordenamento da pesca no Lago Paranoá e ao manejo do pirarucu nos reservatórios da capital.
A programação será encerrada hoje com a modalidade embarcada, apresentações culturais, campeonato de arremesso e a premiação dos vencedores nas categorias caiaque, barranco e embarcada.
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