
Por Gabriela Cidade*
Quadrilheiros do Distrito Federal filiados à União Junina do DF e Entorno foram à CLDF, nesta quarta-feira (3/6), para reivindicar o lançamento da edição de 2026 do edital de fomento ao Circuito Distrito Junino, promovido pelo Decreto nº 42.315, de 2021. A lei instaura o Distrito Junino, política cultural que “visa o fortalecimento, a valorização, a proteção, a promoção e o fomento dos festejos juninos, de suas expressões artísticas e culturais, das cadeias produtivas nas culturas populares e elementos afins do Distrito Federal e da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno”.
O edital, no entanto, não foi lançado. A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa informou ao Correio, no dia 26 de maio, que a pasta está em contingenciamento por 60 dias, desde 24 de abril deste ano, e que o Distrito Junino de 2026 ocorrerá a partir de Termos de Fomento (contratos com organizações da sociedade civil para financiamento de projetos, incluindo emendas parlamentares).
A União Junina alega que é dever do GDF fornecer recursos para as organizações juninas e que a entidade está aguardando o edital do Distrito Junino para realizar suas festividades e etapas de apresentações. Hamilton Teixeira, apelidado de Tatu, presidente da União, explicou a importância do financiamento público para a continuidade do trabalho cultural e social da entidade. “É um absurdo que até agora o poder público não tenha divulgado o edital do decreto.”
Quando perguntado sobre a possibilidade de realização das etapas por meio de emendas parlamentares, Tatu diz que não há tempo: “Nesse caso, acontecerá quando? Em setembro, em outubro? A gente depende dessas etapas para disputar o Campeonato Brasileiro de Quadrilhas”.
O grupo caminhou até a frente do Palácio do Buriti e dançou uma quadrilha em forma de protesto. Ao entoarem a frase “Sou quadrilheiro com muito orgulho”, os manifestantes demandaram posicionamento da Frente Parlamentar do Movimento Junino, da Câmara Legislativa do Distrito Federal, presidida pelo deputado distrital Pepa (PP).
Em ofício encaminhado à Secretaria de Cultura, o deputado manifestou preocupação com a possível não realização do Circuito Distrito Junino 2026 e solicitou esclarecimentos da pasta sobre as medidas que têm sido tomadas para garantir a continuidade da Política Cultural do Distrito Junino.
Para Mateus Dias, 28 anos, marcador da quadrilha Discípulos do Sertão, de Samambaia, uma das preocupações é de que não tenha dinheiro para cobrir os gastos com ensaios, vestimentas e outros investimentos que as quadrilhas fazem para realizar o circuito todo ano, além do tempo que os grupos ocupam preparando seus projetos. Carol Dias, 32, presidente da quadrilha, aponta que “Muitos jovens que estão aqui sofrem violência, violência sexual, ansiedade e depressão. A quadrilha é um refúgio. Falar para eles que o circuito não acontecerá, é uma tristeza.”
Tatu aponta que a União Junina não pretende, com a manifestação, se envolver em brigas com o governo, e sim solicitar o cumprimento do Decreto 42.315/2021, e exalta a importância da organização para a cultura do DF e para a vida dos jovens que fazem parte das quadrilhas: “Os grupos juninos estão hoje dentro das comunidades. Muitas vezes a única diversão que o jovem tem é a dança de quadrilha.”
Em nota no final de maio, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF) afirmou que as festas juninas têm "impacto direto na economia criativa e no fortalecimento do PIB local, ao movimentarem setores como turismo, hotelaria, gastronomia, transporte, comércio e serviços". Segundo a pasta, além de promoverem o acesso à cultura e a convivência social, os festejos também geram emprego e renda e ampliam a circulação de recursos em diversas regiões administrativas do Distrito Federal.
Ainda de acordo com a secretaria, não há previsão orçamentária para o lançamento do edital de apoio aos eventos deste ano. Em relação ao público esperado, a expectativa do governo é de que cerca de 20 mil pessoas por semana participem dos festejos em cada região administrativa durante o período junino.
*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates
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