CB.SAÚDE

Novo medicamento reduz risco de morte por câncer de pâncreas em 60%

Ao CB.Saúde, o oncologista e diretor regional da Oncoclínicas Igor Morbeck detalhou os principais estudos apresentados no congresso internacional da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) e defendeu check-ups regulares

Igor Morbeck, oncologista da Oncoclínicas, é o entrevistado do CB.Saúde de hoje
 -  (crédito: Divulgação)
Igor Morbeck, oncologista da Oncoclínicas, é o entrevistado do CB.Saúde de hoje - (crédito: Divulgação)

Os principais avanços científicos apresentados no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), em Chicago, foram o tema do CB.Saúde — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — desta quinta-feira (4/6). Às jornalistas Carmen Souza e Sibele Negromonte, o oncologista e diretor regional da Oncoclínicas, Igor Morbeck, detalhou as novas descobertas da maior conferência de pesquisa em oncologia do mundo. O grande destaque do evento foi um estudo que apresentou resultados revolucionários no tratamento do câncer de pâncreas por meio de uma nova terapia-alvo de via oral.

Historicamente conhecido por ser uma doença silenciosa e resistente às terapias convencionais, o câncer de pâncreas teve um verdadeiro divisor de águas com os testes da molécula doxorrubicina. O medicamento demonstrou uma redução expressiva de 60% no risco de morte em pacientes previamente tratados, praticamente dobrando a sobrevida mediana quando comparado com a melhor quimioterapia disponível.

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"O câncer de pâncreas responde muito mal à quimioterapia e à radioterapia. Esse ano, na Asco, de fato, o estudo de câncer de pâncreas foi o mais importante apresentado dentre milhares", celebrou Morbeck. Por ser uma droga-alvo em comprimido, o tratamento registrou menos de 2% de abandono por efeitos colaterais.

Apesar do entusiasmo da comunidade médica mundial, o oncologista ressaltou que a incorporação comercial do remédio e o acesso à população ainda devem demorar alguns anos devido ao alto custo de desenvolvimento da tecnologia. Uma vez que o pâncreas não possui um fator de risco tão delimitado quanto o cigarro é para o pulmão, Morbeck reforçou a importância da medicina preventiva para flagrar a doença antes dos sintomas crônicos.

"Não há nenhuma diretriz clara de rastreamento. Eu recomendo que, a partir da terceira década de vida, a pessoa precise fazer imagens e check-ups. Uma ultrassonografia ou tomografia de abdômen eventualmente faz com que diagnósticos precoces aconteçam", pontuou.

Além do pâncreas, a sessão plenária da Asco trouxe dados promissores sobre o uso de hormonioterapia combinada antes da cirurgia para tornar tumores agressivos de próstata mais enxutos, além de progressos no tratamento de sarcomas com o medicamento abemaciclibe.

Na área de câncer de pulmão, o especialista destacou os resultados da nova molécula ivonescimab, de engenharia genética chinesa, que conseguiu demonstrar desempenho superior aos tratamentos tradicionais de imunoterapia para a doença em estágio avançado.

O médico debateu, ainda, o impacto de hábitos saudáveis na oncologia moderna, correlacionando estudos que associam a prática de atividades físicas a melhores desfechos clínicos e menor taxa de recidiva dos tumores. Morbeck explicou, por fim, que as populares "canetas emagrecedoras" começam a demonstrar uma sinergia positiva nos consultórios oncológicos, auxiliando pacientes já tratados a perder peso e a reduzir os processos inflamatórios generalizados causados pela obesidade no organismo.

Assista à íntegra do programa:

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postado em 04/06/2026 15:41
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