CB.SAÚDE

Câncer de pâncreas: novo medicamento quase dobra sobrevida de pacientes

Igor Morbeck, diretor regional da Oncoclínicas, destaca nova terapia que reduz risco de morte em 60% e reforça o papel de tratamentos inovadores e hábitos saudáveis apresentados em congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco)

Igor Morbeck, oncologista da Oncoclínicas, fala ao CB.Saúde sobre novo medicamento contra o câncer de pâncreas. Na bancada, as jornalistas Carmen Souza (C) e Sibele Negromonte -  (crédito: Correio Braziliense)
Igor Morbeck, oncologista da Oncoclínicas, fala ao CB.Saúde sobre novo medicamento contra o câncer de pâncreas. Na bancada, as jornalistas Carmen Souza (C) e Sibele Negromonte - (crédito: Correio Braziliense)

Uma nova droga via oral capaz de aumentar expressivamente a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas foi o destaque do CB.Saúde — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. O tema abriu a entrevista com o oncologista e diretor regional da Oncoclínicas, Igor Morbeck, que detalhou os principais avanços científicos apresentados no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), em Chicago.

Às jornalistas Carmen Souza e Sibele Negromonte, o médico apontou as descobertas da maior conferência de pesquisa em oncologia do mundo como um divisor de águas e abordou tratamentos promissores para tumores de pulmão, próstata e sarcomas. O especialista também discutiu o impacto das canetas emagrecedoras e a importância de hábitos saudáveis tanto na prevenção quanto no tratamento da doença.

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O congresso da Asco é considerado o principal evento global da oncologia. Qual foi o principal divisor de águas apresentado nesta edição?

A Asco é um evento essencial para quem cuida de pacientes oncológicos no mundo inteiro. Este ano, o estudo de maior destaque foi o de câncer de pâncreas. Isso porque essa é sabidamente uma doença difícil de tratar, que responde muito mal à quimioterapia e à radioterapia, e em que a maioria dos casos é diagnosticada em fase muito avançada. O estudo apresentou a molécula doxorrubicina, um novo inibidor de uma família de mutações genéticas do tumor chamada RAS, que desafiava a ciência desde a década de 1980.

Na prática, quais foram os impactos gerados por esse novo medicamento nos pacientes testados?

O estudo olhou para uma população de pacientes que já tinha sido previamente tratada e que, em sua grande maioria, sofre com a recorrência da doença. A pesquisa comparou o uso dessa nova droga com o que temos de melhor hoje na medicina. O resultado foi um aumento significativo de sobrevida, praticamente dobrando a sobrevida mediana dos pacientes tratados com o inibidor doxorrubicina. Além disso, o estudo mostrou uma redução expressiva de 60% no risco de morte dessas pessoas.

Por se tratar de um medicamento via oral, há vantagens na adesão ao tratamento e nos efeitos colaterais?

O tratamento oral já é uma realidade na oncologia, mas, toda vez que ele se mostra menos tóxico que a quimioterapia tradicional, ganha uma posição muito privilegiada. As taxas de abandono do tratamento por toxicidade nesse estudo foram extremamente baixas, inferiores a 2%. Por ser uma droga-alvo e não uma quimioterapia, os efeitos colaterais são distintos, como alterações e vermelhidão na pele, mas não provocam aquele estigma clássico e agressivo da quimio. Isso traz uma esperança e um conforto enormes para o paciente em um momento tão delicado.

Muito se fala sobre as canetas emagrecedoras no combate à obesidade. Elas possuem alguma relação ou benefício demonstrado no tratamento do câncer?

Essa é uma discussão muito moderna e esteve presente no congresso. Havia um receio inicial sobre possíveis interações medicamentosas dessas canetas com as terapias oncológicas, mas o que os estudos estão mostrando é uma sinergia muito positiva. A obesidade é um estado inflamatório crônico do organismo. Ao utilizar esses medicamentos, o paciente perde peso, reduz essa inflamação e passa a usufruir de melhores desfechos clínicos, principalmente após o término dos tratamentos principais, como no câncer de mama. A perda de peso e o combate ao sedentarismo reduzem drasticamente as chances de o tumor voltar.

Diante de tanta tecnologia e novos medicamentos, o peso dos hábitos de vida e da prevenção primária ainda continua o mesmo?

Com certeza. Não há nenhuma fórmula mágica, vitamina isolada ou antioxidante que substitua a prevenção primária. O que a oncologia preconiza e reforça é o combate aos fatores de risco clássicos: o tabagismo, o consumo de álcool, o sedentarismo e uma dieta pobre em fibras e rica em embutidos, carboidratos e carne vermelha. Fora as vacinas consagradas, como a da hepatite B e a contra o HPV — que previne o câncer de colo de útero, de pênis e de garganta —, a melhor medicina continua sendo o estilo de vida saudável e a rotina preventiva de exames.

Assista à entrevista

 

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postado em 05/06/2026 05:00
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