
A técnica de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva, 22 anos, negou participação nas mortes investigadas na UTI do Hospital Anchieta durante audiência de instrução realizada nesta segunda-feira (8/6), no Tribunal do Júri de Taguatinga. Ao responder aos questionamentos da defesa e da acusação, ela afirmou que nunca presenciou qualquer ato irregular atribuído ao colega Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e declarou que confiava nele por sua experiência profissional. “Pensei que ele tinha mais experiência, mais conhecimento”, afirmou.
Marcela relatou que trabalhava em um ambiente de alta pressão, marcado por intercorrências constantes, alarmes disparando simultaneamente e grande circulação de profissionais. Segundo ela, era impossível acompanhar tudo o que acontecia durante os plantões.
“Não dá para perceber tudo o que acontece dentro de um plantão. A atenção normalmente está voltada para a tarefa que está sendo executada, para os comandos do médico e para salvar o paciente”, contou ao explicar por que não teria identificado comportamentos suspeitos durante a rotina da UTI.
Ao longo do depoimento, a técnica sustentou que jamais viu Marcos Vinícius manipular substâncias indevidas, alterar prescrições médicas ou comentar qualquer plano para causar dano aos pacientes.
Questionada sobre a motivação atribuída ao colega, Marcela afirmou não conseguir compreender os fatos investigados. “Eu me faço essa pergunta todo dia”, declarou.
O momento mais marcante do depoimento ocorreu quando a defesa perguntou se ela acreditava que Marcos Vinícius poderia ter se aproveitado de sua presença e inexperiência para evitar suspeitas sobre as condutas investigadas. “Acredito que sim”, respondeu.
Marcela também afirmou que só teve dimensão da gravidade do caso quando foi conduzida à delegacia e teve acesso aos elementos da investigação. Segundo ela, a notícia das acusações causou surpresa e choque.
Entenda o caso
A investigação que chocou o DF teve início na véspera do Natal de 2025, após a Comissão de Óbitos do Hospital Anchieta identificar inconsistências e indícios de homicídio nos leitos da UTI. Auditorias internas cruzaram prontuários médicos e registros de câmeras de segurança, flagrando movimentações suspeitas do trio. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), deflagrou a operação que resultou na prisão temporária dos suspeitos em janeiro deste ano.
Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as substâncias letais sem prescrição. Inicialmente, ele negou os fatos, mas confessou a conduta após ser confrontado com os vídeos que mostravam ele utilizando o computador médico para obter acesso ao sistema e aplicando os fármacos. À época, os delegados do caso destacaram a frieza dos investigados diante das imagens.

Cidades DF
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