Tempo

DF terá inverno mais quente e seco em 2026

Após o Distrito Federal registrar o junho mais chuvoso em 64 anos, especialistas alertam que mudanças climáticas e super El Niño farão temperatura subir 1ºC e umidade cair a níveis de estado de emergência

Estação fria chegou anunciando estiagem prolongada no DF e clima mais severo     -  (crédito:  Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Estação fria chegou anunciando estiagem prolongada no DF e clima mais severo - (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Por Manuela Sá* - A estação mais seca e gelada do ano começa a ditar a rotina do brasiliense. Com o junho mais chuvoso dos últimos 64 anos, o inverno chegou com a promessa de esticar e acentuar a temporada da seca no Distrito Federal, e com temperatura 1ºC acima da média para o período, alertam os especialistas ouvidos pelo Correio. Para essa semana, a temperatura mínima vai variar entre 13ºC e 14ºC e, a máxima, de 28ºC pelo menos até quinta-feira (25/6). 

Além do regime de chuva mais intenso e prolongado este mês, as mudanças climáticas previstas para o segundo semestre são outro fator que afetará o clima na capital. Há um alerta das organizações de meteorologia para a ocorrência de um super El Niño neste ano. 

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Causado pelo aumento na temperatura das águas superficiais no Oceano Pacífico Equatorial, esse fenômeno natural é responsável por alterar padrões de chuvas e de temperatura em diferentes regiões do planeta. 

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O especialista em climatologia do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Melk Duarte explica que o fenômeno não terá impacto muito direto sobre o Centro-Oeste, mas, mesmo assim, a região sentirá as consequências: temperaturas mais altas e umidade ainda mais baixa. "Até setembro, são esperadas temperaturas entre meio grau e um grau acima da média", diz.    

Chuva atípica

Na primeira quinzena deste mês, foram registrados 54,5mm de chuva. Esse é o maior volume da série histórica iniciada em 1962. Antes, o maior volume era de cerca de 43,8 mm, registrado em 1988.

A geógrafa e professora na Universidade Católica de Brasília (UCB) Cláudia Nascimento enfatiza o caráter atípico dessas chuvas. "Apesar do alívio temporário na umidade do ar, a ciência alerta que o cenário não sinaliza um ano chuvoso. Estudos climatológicos indicam que episódios volumosos nesta época são apenas excepcionalidades dinâmicas e passageiras",  explica. 

Ela observa que a trégua neste mês vai dar lugar a uma forte guinada no tempo ao longo do segundo semestre. Em setembro e outubro, sem cobertura de nuvens protetoras, a tendência é que a umidade relativa do ar chegue a níveis de emergência. "Mesmo quando a temporada chuvosa finalmente se firmar, no final do ano, a tendência científica aponta para volumes totais abaixo da média e distribuídos de forma muito irregular", avisa. 

Floração tardia

As chuvas em junho também têm efeito sobre a floração de árvores. Os ipês, por exemplo, podem mostrar suas cores em períodos fora do esperado. Cássia Munhoz, professora do Departamento de Botânica da Universidade de Brasília (UnB), explica que a maior parte dos ipês são naturais de floresta estacional, vegetação caracterizada pelo solo seco. Dessa forma, quando a terra começa a desidratar, a planta entende que pode começar a florescer para, no período chuvoso, crescer e germinar. 

A botânica afirmou que as flores do ipê-rosa começaram a aparecer em maio. No entanto, o florescimento estacionou por causa das chuvas inesperadas de junho e, só agora, no fim do mês, estão pintando de fato a cidade de roda. 

Segundo Cássia, há chances de ipês em outras cores também sentirem os efeitos das mudanças na umidade e florescerem depois do esperado. Algo similar pode ter acontecido com os pés de pequi que ela viu com flores e frutos nesta semana, algo fora do comum. A umidade pode ter feito a vegetação interpretar que era o período de florescimento. "Elas receberam uma mensagem fora de época", avalia.

Escassez hídrica

No que se refere ao abastecimento de água, o pesquisador em hidrologia da Embrapa Cerrados Jorge Werneck fala que ainda é cedo para falar em crise hídrica. Segundo ele, a extensão do impacto do atraso do começo no seca não é clara. No momento, tendo em vista o nível dos reservatórios, as chances são baixas de que haja problemas. "O DF tem estruturas muito superiores hoje. A captação de água também é maior, o que dá mais segurança para a população", observa. 

Ele avalia que os efeitos maiores, caso o período de seca realmente se estenda, poderá ser sentido por quem depende diretamente do rio e por quem não é atendido pelos grandes reservatórios. De todo modo, Werneck alerta que é sempre importante ficar atento para economizar água. 

*Estagiária sob supervisão de Adriana Bernardes

 

Aprenda a economizar água

Use para o que for realmente necessário;
Verifique se existem vazamentos de água nos encanamentos da casa;
Ao fechar a torneira, certifique-se de que ela não ficou pingando;
Use redutores de vazão no bico da torneira para aumentar a sensação de um fluxo intenso de água;
Feche a torneira durante as atividades rotineiras;
Desligue o chuveiro ao se ensaboar e diminua o tempo embaixo da ducha;
Deixe a torneira fechada enquanto ensaboa a louça e use a água corrente só na hora de enxaguar;
Use vassouras e não mangueiras para limpar a calçada e o quintal;
Escolha vaso sanitário com descarga de caixa acoplada;
Use um regador para regar as plantas;
Use uma vasilha com água para lavar frutas, legumes ou verduras;
Não deixe transbordar a água da caixa d’água e a mantenha sempre tampada;
Reutilize água sempre que possível.

Fonte: Caesb

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postado em 22/06/2026 05:00 / atualizado em 22/06/2026 05:30
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