
As finanças, o sono e o ambiente figuram como os pontos mais críticos na qualidade de vida dos policiais civis do Distrito Federal. É o que revelam os números do 1ª Anuário de Percepção de Qualidade de Vida dos Policiais Civis do DF produzido pela Associação dos Agentes Policiais de Custódia da PCDF (AAPC).
O estudo ouviu 213 servidores no segundo semestre de 2025 por meio de um questionário científico desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Dos respondentes, 128 são agentes de polícia, 51 de custódia, 20 escrivães, seis delegados, quatro papiloscopistas, dois legistas e dois peritos criminais. Cento e cinquenta são homens, 62 mulheres e um na categoria “outro”.
Os resultados do levantamento vão de uma escala de 0 a 100 (de pior para melhor) e abrange perguntas sobre saúde física, bem-estar psicológico, relações sociais e meio ambiente (que inclui finanças, moradia, segurança, lazer e transporte).
A leitura geral, indica a pesquisa, revela um quadro de equilíbrio frágil. Com base nas respostas, todos quatro domínios da qualidade de vida situam-se na faixa classificada como "regular". “É um sinal de alerta moderado: a corporação não está em colapso de bem-estar, mas tampouco desfruta de boas condições. Há margem significativa para melhora em todas as dimensões”, afirma o documento.
Servidores classificaram o “meio ambiente” como o domínio mais frágil. Ele engloba recursos financeiros, moradia, segurança, lazer e transporte. O “físico” é o mais preservado, com classificação 67 na escala. Ainda assim, é regular.
“Quando classificamos cada servidor pela sua percepção geral, 56,8% ficam na faixa "regular", 25,4% na faixa "boa" e 17,8% na faixa que "necessita melhorar" — quase um em cada cinco”, conclui o estudo. A estatística representa que quase 20% dos servidores estão em situação que pede intervenção.
Alerta vermelho
A pesquisa mostra as seis perguntas individuais feitas aos servidores com as piores avaliações. Em um nível crítico de 28,2%, a pergunta “Você tem dinheiro suficiente para satisfazer suas necessidades?” representa a vulnerabilidade financeira dos policiais.
O efeito do tempo de serviço também é demonstrado no Anuário. Ao comparar servidores em diferentes fases da carreira — dos recém-ingressados aos aposentados — há queda consistente e estatisticamente comprovada da qualidade de vida, especialmente na saúde física e na percepção geral de bem-estar.
Oitenta e nove servidores compõem o chamado grupo “QVT Vulnerável”, com qualidade de vida média de 3,04 a 5. Nesse público há maior concentração de plantonistas e de servidores com mais de 15 anos de serviço.
Melhoria
O documento apresenta sete eixos de ação propostos no plano. São eles: apoio à saúde financeira, programa de saúde do sono, cuidado em saúde mental, revisão das escalas de plantão, acompanhamento ao longo da carreira, preparação para a aposentadoria e lazer e qualidade de vida no trabalho.
No programa de saúde do sono, por exemplo, a sugestão é revisar a organização das escalas para reduzir a privação do sono, oferecer orientação sobre higiene do sono e criar espaços adequados de descanso nas unidades com plantão. No cuidado à saúde mental, a recomendação é ampliar o acesso a apoio psicológico, com atendimento sigiloso, ações de prevenção e combate ao estigma de buscar ajuda.

Cidades DF
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