Os resultados da primeira rodada da pesquisa Correio/OPINIÃO Inteligência Política para o Senado e a Câmara dos Deputados movimentaram os bastidores da disputa eleitoral no Distrito Federal. Candidatos citados no levantamento comemoraram o desempenho, projetaram os próximos passos da campanha e avaliaram o cenário desenhado pelo eleitorado a pouco mais de dois meses do início oficial da corrida eleitoral.
Na disputa pelo Senado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) aparece na liderança, com 38,8% das intenções de voto. Em seguida estão a senadora Leila do Vôlei (PDT), com 30,2%, e a deputada federal Érika Kokay (PT), com 25%. A margem de erro é de 3,4 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Procurada, Michelle Bolsonaro não retornou até o a publicação desta matéria.
Leila atribuiu o desempenho na pesquisa ao trabalho realizado ao longo do mandato. "Acredito que esse reconhecimento vem da percepção de que é possível fazer política colocando as pessoas em primeiro lugar. Sempre confiei que o trabalho legislativo, as entregas do mandato e a presença constante nas cidades seriam reconhecidos pelos brasilienses", afirmou. Segundo ela, a receptividade nas ruas tem sido positiva, mas não há espaço para acomodação. "Em muitas conversas que tenho nas regiões administrativas, escuto das pessoas que esse trabalho precisa continuar e que ainda há muito a ser feito pelo Distrito Federal", disse.
Ao Correio, Érika afirmou que o resultado é fruto do desempenho ao trabalho realizado ao longo dos anos junto à população do Distrito Federal. "É um reconhecimento, que muito me honra, do trabalho que venho desempenhando há anos por todo o DF, com entregas e escutando muito a população", ressaltou. Apesar disso, ela acrecentou que a campanha não começou oficialmente. "Teremos a oportunidade de levar nossas ideias para mais pessoas e, à medida que mostrarmos nossas diferenças com aqueles que colocaram o DF nas páginas policiais e que governaram com os banqueiros corruptos, tenho certeza de que iremos quebrar qualquer rejeição", declarou.
Professor de políticas públicas do Ibmec Brasília, Jackson De Toni explicou que os resultados da pesquisa refletem a força de nomes conhecidos do eleitorado. "Refletem a cristalização de figuras da memória do eleitor e forte apelo em nichos polarizados. Para o Senado, a liderança de Michelle Bolsonaro e Leila do Vôlei na soma de intenções de votos reflete, respectivamente, a força do espólio político bolsonarista e a vantagem natural de uma figura pública que detém mandato. A presença de Érika Kokay logo atrás demonstra a resiliência de um eleitorado cativo", avaliou.
No levantamento de rejeição, o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), quarto colocado na pesquisa de intenção de voto, com 22,6%, lidera nesse quesito: 54,6% disseram que não votariam nele. Procurado pela reportagem, ele não respondeu até o fechamento desta edição.
De Toni afirmou os índices de rejeição podem representar um desafio importante para candidaturas majoritárias. "Em análises de eleições majoritárias, uma rejeição de 54,6% atua como um severo teto de vidro. Matematicamente, ter mais da metade do eleitorado afirmando categoricamente que não votaria na sua candidatura torna o crescimento durante a campanha extremamente difícil, pois o candidato perde a capacidade de herdar os votos dos indecisos", explicou.
Na sequência, pela cadeira no Senado, aparecem a deputada federal Bia Kicis (PL), com 14,4%, o ex-senador José Antônio Reguffe (Solidariedade), com 10,1%, e o desembargador aposentado Sebastião Coelho (Novo), com 6%. Bia Kicis preferiu não comentar o resultado. Reguffe e Sebastião Coelho não retornaram até a publicação desta reportagem.
Foco na conquista do eleitor
Diferentemente da pesquisa para o Senado, o levantamento sobre a disputa por vagas na Câmara dos Deputados foi realizado de forma espontânea, sem a apresentação de nomes aos entrevistados. Entre os mais citados, sete nomes não concorrem atualmente a uma cadeira na Câmara Federal: Arruda (PSD), que lidera com 3% das menções; Chico Vigilante (PT), com 1,4%; Érika Kokay (PT), com 1,1%; Michelle Bolsonaro (PL) e Flávia Arruda (PL), ambas com 0,8%; além da governadora Celina Leão (PP) e da deputada distrital Paula Belmonte (PSDB), cada uma com 0,7%.
Considerando apenas os nomes que estão na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, o deputado distrital e pré-candidato Fábio Félix (PSol) aparece entre os mais lembrados, com 1,4% das citações. Para ele, o número reflete o trabalho realizado nos últimos anos.
"É reflexo do que temos sentido nas ruas, que é esse reconhecimento muito expressivo da nossa atuação parlamentar. Temos feito um mandato combativo em diversas pautas, fiscalizando o governo com independência e seriedade e tendo coragem de defender temas que impactam diretamente a vida das pessoas, como a escala 6x1 e a precarização da saúde", afirmou.
Apesar do bom resultado, ele ressaltou que ainda há muito trabalho pela frente. "Mesmo aparecendo bem em diferentes pesquisas, combatemos com muita força qualquer clima de 'já ganhou'. Em campanha eleitoral não existe isso. Vamos para as ruas com disposição para dialogar e com os pés no chão", ressaltou.
Rafael Prudente (MDB) aparece logo atrás, com 1,3%, em empate técnico com Fábio Félix dentro da margem de erro da pesquisa. Ao Correio, o candidato afirmou que ainda é cedo para avaliações definitivas sobre o cenário eleitoral, uma vez que os partidos aguardam as definições das convenções e dos posicionamentos das executivas nacional e regional. "Fiquei muito feliz. Isso é reconhecimento do nosso trabalho, uma coroação do que temos feito, sobretudo nos últimos três anos. Frequento todos os cantos do DF e é difícil encontrar alguém para me confrontar ou rejeitar", afirmou.
Também bem posicionado, Rodrigo Rollemberg (PSB) foi citado por 0,8% dos entrevistados. "Independentemente da pesquisa, estou sentindo uma receptividade muito grande nas ruas, o que me deixa cada vez mais animado a trabalhar pelo DF e pelo Brasil. Pretendo ampliar esse apoio trabalhando, trabalhando e trabalhando", afirmou.
Indecisão
A menos de quatro meses das eleições, a maior porcentagem foi a dos que não sabem em quem votar para a Câmara federal: 54%. O cientista político e professor da Estácio BH Lucas Zandona atribuiu o número ao estágio inicial do processo eleitoral. "Ainda não temos campanha na rua, ou seja, a pesquisa quando indaga candidatos, ela indaga candidatos que ainda precisarão ser referendados nas convenções partidárias. É por isso que o percentual de indecisos é alto e vai seguir alto, uma vez que os indecisos para o Legislativo tendem a ser maior do que para cargos do Executivo", afirmou.
Para o especialista, os resultados devem ser interpretados com cautela, uma vez que a pesquisa representa apenas um retrato do momento e indica uma tendência do cenário eleitoral. "Não podemos utilizar os resultados da pesquisa para bater o martelo, até porque tem muita coisa para acontecer, sobretudo a questão da definição dos candidatos", ressaltou.
A pesquisa foi realizada presencialmente, entre 11 e 15 de junho, em todas as regiões administrativas do Distrito Federal. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RASC-SD0994.
