O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o ex-secretário de Economia do Distrito Federal Ney Ferraz estão entre os principais alvos da Operação Juros Zero, deflagrada nesta sexta-feira (19/6) pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A investigação apura um suposto esquema de descontos irregulares em empréstimos consignados na folha de pagamento de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF).
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Além dos dois ex-gestores, Chedid Simões, diretor da PicPay, é investigado. Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo e no Paraná.
Quem é Ney Ferraz
Advogado e servidor público federal, Ney Ferraz ocupou cargos estratégicos no GDF. Foi presidente do Iprev-DF, comandou a Secretaria de Planejamento e, posteriormente, a Secretaria de Economia.
Ele deixou o cargo em 2025 após condenação em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro em outro processo, decisão da qual recorre.
Em nota, a Secretaria de Economia informou que a investigação se refere a acordos para concessão de empréstimos consignados firmados em período anterior à atual gestão. A pasta destacou que a apuração tem como foco a conduta de agentes públicos, e não a atuação institucional do órgão, e afirmou estar colaborando com o cumprimento das diligências.
Ainda nesta semana, o ex-secretário foi alvo de outros mandados de busca e apreensão, no âmbito da Operação Black-Tie, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e crimes contra a administração pública envolvendo agentes públicos e particulares. O nome da operação faz referência a um dos elementos que despertaram atenção no início das apurações: a compra de roupas de alto padrão com pagamentos feitos em espécie. A suspeita é de que Ney Ferraz comprou ternos Hermenegildo Zegna, pagando R$ 50 mil, em dinheiro vivo, em loja do shopping Iguatemi. Ele também foi rastreado em postos de gasolina do Noroeste, bairro onde mora, em carros luxuosos.
Paulo Henrique Costa
Paulo Henrique Costa presidiu o BRB entre 2019 e 2025. Durante sua gestão, liderou o processo de expansão do banco e esteve à frente das negociações envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master. Em abril deste ano, ele foi preso na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas relacionadas à gestão do BRB e a operações financeiras envolvendo o Banco Master.
Sobre a nova investigação, o BRB afirmou que não possui contrato com a PicPay no contexto da operação e que não exerce ingerência sobre a contratação, as condições financeiras ou o relacionamento entre os servidores e a plataforma.
O banco informou que os empréstimos consignados firmados diretamente com a instituição seguem os limites previstos em lei e ressaltou que “os fatos sob investigação não dizem respeito à atual administração do BRB”. A instituição afirmou, por fim, que colabora integralmente com as autoridades.
PicPay
Citado na investigação, o PicPay negou qualquer irregularidade nas operações.
A empresa afirmou que “não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida”. Segundo a companhia, o valor antecipado era disponibilizado diretamente no cartão do cliente, mediante solicitação feita no aplicativo, sem intermediários e sem cobrança nessa modalidade.
O PicPay acrescentou que mantém uma estrutura de governança e compliance alinhada às normas do setor financeiro e informou que continuará colaborando com as autoridades responsáveis pela investigaç
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