Vestida de verde e amarelo, a BRS Brasileirinha, abóbora desenvolvida pela Embrapa, está no clima da Copa do Mundo. A hortaliça com a casca bicolor foi um dos temas, ontem, do CB.Agro — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Aos jornalistas Sibele Negromonte e Marcelo Agner, Geovani Amaro, pesquisador da Embrapa Hortaliças, falou sobre os valores nutritivos e a produção nacional de abóboras. Segundo o especialista, a exportação é pequena, mas, como o Brasil produz o ano todo, tem a oportunidade de chegar a outros mercados. Confira, a seguir, os principais pontos da entrevista.
A Embrapa desenvolveu, na época da Copa de 2006, uma abóbora verde e amarela. Como chegaram a esse fruto tão peculiar?
É uma característica genética que temos em algumas abóboras. A gente tem um banco muito rico em variedades dessa hortaliça, que mantemos na Embrapa. Percebemos que algumas variedades tinham essa característica de ser verde e amarela. Conseguimos, então, isolar em uma linhagem e lançamos, em 2006, a cultivar BRS Brasileirinha.
As abóboras são nutritivas?
Sim. Elas são um dos alimentos mais ricos em betacaroteno, que é a provitamina A, muito importante para a pele e para a visão. Inclusive, nossa Brasileirinha é rica em luteína, nutriente muito importante para a visão. Ela também é resistente a algumas doenças que ocorrem na abóbora. Uma delas é o oídio, que causa deixa um pó cinza em cima das folhas e causa desfolhamento.
Hoje, quantas espécies de abóboras são cultivadas e consumidas no Brasil?
O Brasil é um grande produtor e tem muita diversidade. Existem algumas variedades que são mais cultivadas pelo agricultor, porque são mais demandadas pelo mercado. Por exemplo, a abóbora madura, conhecida como cabotiá, e a abobrinha verde são as mais produzidas e mais consumidas no Brasil.
A produção brasileira atende à demanda do mercado?
Sim. A abóbora é muito produzida por pequenos agricultores, mas existem também alguns grandes produtores que têm 100, 150 hectares de cabotiá. Quando eu falo grande, ainda são menores do que as (plantações) de soja, milho, trigo e arroz. Existem produtores em Paracatu (MG), por exemplo, que plantam frequentemente mais de 100 hectares de abóbora desse tipo.
Como o senhor avalia a produção brasileira em relação ao mundo?
As abóboras eram cultivadas pelos povos originários aqui das Américas antes da chegada dos europeus, asiáticos e africanos. Quando chegaram aqui, perceberam o alimento valioso que tínhamos. Assim, as abóboras foram disseminadas mundo afora. Geralmente, existe alguma exportação dessa hortaliça, mas em relação às outras culturas, ela é muito pequena. A questão é que a planta é muito produtiva. Quando se planta essa hortaliça no quintal, por exemplo, ela produz o suficiente para alimentar aquela família e ainda sobra. Quando se produz em agricultura familiar, o excesso dos frutos é utilizado para alimentação animal. Então, geralmente, os países que consomem abóbora, praticamente todos do mundo, conseguem atender à própria demanda. Vale mencionar que a China é o maior produtor mundial. Porém, como temos condição de produzir o ano todo, podemos abrir o mercado europeu, ainda mais agora, com esse acordo feito entre o Mercosul e a União Europeia.
O que o senhor recomenda para uma pessoa que quer cultivar a abóbora para consumo doméstico?
É bom lembrar que ela ocupa muito espaço. Ela cresce rasteiramente. Há uma vantagem. Uma das recomendações é consumir a semente, o broto, a folha, o fruto verde e o maduro, para ela não crescer muito. Dá pouca diferença colher esse broto, refogar e consumir. É um prato chamado de cambuquira, consumido muito em Minas Gerais, em Goiás e outras regiões do Brasil. Ele é, inclusive, rico em nutrientes. Destaca-se o ferro. Nós, da Embrapa Hortaliças, temos uma publicação sobre produção de abóbora e moranga. Busque por recomendações técnicas para produção de abóbora e moranga com meu sobrenome. Você vai encontrar essa publicação para baixar e ler. Ela em todas as informações com relação à época de plantio, o tipo de solo, adubação, o problema de pragas e doenças e como controlar.
Assista à íntegra da entrevista:
*Estagiária sob supervisão de Eduardo Pinho
