
O Brasil convive com uma das maiores cargas de diabetes do mundo. A doença é causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio responsável por regular os níveis de glicose no sangue e garantir energia ao organismo. Sem esse controle, as taxas elevadas de açúcar podem comprometer diversos sistemas do corpo humano, e em casos mais graves, levar à morte. Neste 26 de junho, instituído como o Dia Nacional do Diabetes pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tema ganha evidência e reforça a urgência de diagnóstico precoce.
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Os números revelam a dimensão do problema. Mais de 13 milhões de pessoas no Brasil têm diabetes mellitus, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes. Segundo a endocrinologista Lidiana Bandeira, do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), a doença pode ser explicada como um conjunto de distúrbios metabólicos que têm em comum o excesso de glicose no sangue — a chamada hiperglicemia crônica —, causado pela baixa produção de insulina, pela ação incorreta do hormônio ou pela combinação dos dois fatores.
Tipo 1 e 2: mesma doença com origens diferentes
O diabetes tipo 1 é uma doença crônica não transmissível, hereditária, definida pela destruição das células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, gerando uma deficiência na emissão desse hormônio. Segundo o Ministério da Saúde, os mais afetados são crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, embora adultos também possam ser diagnosticados. No Brasil, acredita-se que existam cerca de 25,6 casos por 100 mil habitantes a cada ano.
Já o tipo 2 é o mais comum e tem uma dinâmica distinta. Cerca de 90% dos pacientes diabéticos no Brasil possuem essa variação. Segundo a especialista do HUB-UnB, ele combina a produção inadequada de insulina com a dificuldade do organismo em utilizá-la de forma eficiente. A diabetes tipo 2 está diretamente relacionada ao sobrepeso, sedentarismo, hipertensão e a hábitos alimentares inadequados.
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Ao contrário do tipo 1, o diabetes tipo 2 não tem origem autoimune e pode ser prevenido. O tratamento envolve as técnicas de medicamentos inibidores de absorção de carboidratos no intestino e estímulos na produção de insulina no pâncreas e nas células. Isso não ocorre no tipo 1, cuja única forma de tratamento é a reposição de insulina com injeções diárias.
Os principais sintomas do diabetes são fome e sede excessivas e vontade de urinar várias vezes ao dia. No tipo 1, também são comuns perda de peso não intencional, fadiga, mudanças de humor e náuseas. O tipo 2, de acordo com Lidiana Bandeira, costuma se desenvolver de forma silenciosa, sem sinais perceptíveis nas fases iniciais, o que torna o rastreamento médico ainda mais importante.
O que comer e o que evitar
Uma das dúvidas mais frequentes entre pacientes e familiares diz respeito à alimentação. A endocrinologista Lidiana Bandeira é objetiva: carboidratos e açúcar não precisam ser banidos da dieta, mas devem ser consumidos com planejamento e atenção. O ideal é dar preferência aos carboidratos complexos e integrais, distribuindo as porções ao longo do dia para evitar picos de glicemia. Quem faz uso de insulina pode adotar a contagem de carboidratos como estratégia complementar.
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Frutas são bem-vindas para diabéticos dos tipos 1 e 2. Ricas em vitaminas, minerais, antioxidantes e fibras, ajudam a moderar a absorção de açúcares — desde que consumidas inteiras, sem ser transformadas em sucos, e com atenção às porções. Mel, no entanto, não é um substituto mais saudável do açúcar: trata-se de açúcar concentrado e não oferece vantagem metabólica para quem tem a doença.
A prática regular de atividade física é parte fundamental do controle e da prevenção da doença. A recomendação de Lidiana Bandeira é de ao menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica, que inclui caminhada, corrida, natação, ciclismo, entre outras diversas opções, distribuídos em no mínimo três sessões por semana. Exercícios resistidos, como musculação e treino com peso também são indicados, preferencialmente em combinação com os aeróbicos. Ficar mais de dois dias consecutivos sem se movimentar não é aconselhável.
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