Educação

Alunos da rede pública do DF disputam 400 vagas para intercâmbio em quatro países

Seleção do programa Pontes para o Mundo testou habilidades em inglês, francês e espanhol neste fim de semana; número de bolsas é quatro vezes maior do que na edição anterior

Gabriela Cidade*

Mais de mil estudantes de escolas públicas do Distrito Federal enfrentaram, neste fim de semana, avaliações de proficiência em idiomas estrangeiros para concorrer a uma das 400 bolsas de intercâmbio oferecidas pelo programa Pontes para o Mundo, da Secretaria de Educação do DF (SEEDF). Os destinos disponíveis nesta segunda edição são Canadá, França, Espanha e Reino Unido — uma expansão significativa em relação a 2025, quando 101 jovens viajaram exclusivamente para a Inglaterra.

Ao todo, 1.127 candidatos compareceram às provas no primeiro dia de aplicação, o que representa 99,8% dos inscritos nessa fase. Os exames foram realizados de forma simultânea em 13 das 14 Coordenações Regionais de Ensino (CREs) do DF. Jovens com necessidades educacionais especiais, ou que precisavam de tempo adicional, fizeram a avaliação no dia seguinte, em polo centralizado no Centro de Ensino Médio Integrado (CEMI) do Cruzeiro.

De acordo com o coordenador do programa, David Nogueira, as provas mediam quatro competências — leitura, fala, escrita e interpretação — em inglês, francês ou espanhol, conforme o país escolhido pelo candidato. "São quatro habilidades nas quais o estudante é testado durante uma hora para sabermos o nível em que ele está. Aqueles que obtiverem as melhores notas serão os escolhidos", explicou.

Apoio antes e durante a viagem

Além da bolsa de estudos, os selecionados terão acesso a um pacote de suporte que inclui preparação prévia ao embarque, acompanhamento pedagógico e psicológico ao longo de toda a experiência fora do país. A iniciativa é executada pelo Governo do Distrito Federal com o objetivo de ampliar o acesso de alunos da rede pública à formação acadêmica e cultural internacional.

Mobilização nas escolas

O envolvimento de professores e gestores escolares na preparação dos candidatos tem sido apontado como um dos fatores de estímulo à participação. Pedro Miguel Sales Rocha, 16 anos, aluno do Centro Educacional do Lago (CEL) e concorrente a uma vaga no Canadá, contou que toda a comunidade escolar se engajou. "Os professores vêm nos cobrando para estudar e, às vezes, disponibilizam horários para conseguirmos praticar. No ano passado, uma aluna conseguiu passar para o Reino Unido e influenciou a escola toda", relatou.

Outro estudante do CEL, Matheus Ribeiro, também de 16 anos, disse que intensificou os estudos na reta final. "Vim me preparando há uns dois meses, mas peguei firme mesmo na última semana. Tivemos muita influência e vários professores ajudando, principalmente os de línguas. Conheço muita gente da minha escola que está aqui fazendo a prova e estou confiante de que vai dar certo ", contou.

Ao término das avaliações, o alívio tomou conta dos corredores. Luana Sousa, uma das candidatas, considerou o nível da prova adequado ao conteúdo que havia estudado. "Achei muito bem explicada e num nível razoável. Tirei um peso das costas", disse a jovem.

*Estagiário sob a supervisão de Luiz Felipe

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