Rafael Lins
Mel Karoline
A vitória sofrida da Seleção Brasileira, por 2 a 1, contra o Japão, encheu os torcedores de Brasília de otimismo para as oitavas de final, no próximo domingo. Para a partida, o Brasil pode jogar contra a Costa do Marfim ou a Noruega. A definição do adversário será na tarde de hoje, após os times se enfrentarem no Texas, nos Estados Unidos. No Boteco Boa Praça, na 201 Sul, a virada emocionante nos acréscimos consolidou a confiança das amigas Ana Flor Torres, 29 anos, e Gabrielle Barrera, 28, no sonho do hexacampeonato.
Para Ana Flor, a entrada do atacante brasiliense Endrick foi determinante para mudar o ritmo da partida. "Foi importante ele entrar; foi a chave do jogo. A gente sabia que ia ser um jogo difícil, mas estamos acreditando no hexa, ele vai vir", projetou. De olho no cruzamento da próxima fase, Gabrielle demonstrou não temer o possível rival europeu. "Seria melhor para nós pegarmos a Costa do Marfim. Mas pode deixar vir o Haaland vir que o Brasil vai destruir", exclamou, referindo-se ao craque da Noruega.
A postura destemida é compartilhada pela analista financeira Stefany Brito, 25, que cravou o placar exato da partida de ontem e celebrou fantasiada ao lado de colegas de trabalho. Embora prefira enfrentar a seleção africana na sequência da Copa, ela confia no potencial do elenco, especialmente com um retorno esperado. "Tenho certeza de que o Brasil vai tirar de letra. Tem que colocar o Neymar. Certamente ele vai dar o melhor de si e garantir essa vitória", previu.
Após o apito final, que decretou a classificação do Brasil para as oitavas de final, Warley Soares, 47, afirmou que, apesar do susto, era esperado um jogo difícil. "Copa sempre é muito difícil. Acho que o Brasil vai ganhar de todo mundo, mas sempre terá que enfrentar uma dificuldade", opinou. Com a classificação, as esperanças estão renovadas.
"Eu espero que seja um jogo fácil, mas isso é quase impossível de acontecer", brincou Warley. Para o próximo confronto, ele prefere enfrentar a seleção africana. "Jogamos contra ela outras vezes e o resultado sempre foi positivo. Acredito que vai ser mais um confronto ganho. A Noruega tem o Haaland, um 'cara' que gosta de fazer gol e pode nos complicar", acrescentou.
A servidora pública Camila Figueiredo, 30, prefere manter os pés no chão quanto ao futuro do Brasil na Copa do Mundo, preferindo o receio de uma eliminação à confiança cega. Aliviada com a virada de 2 a 1 sobre o Japão, ela celebrou a vitória ao lado dos amigos e também servidores Wagner Varela, 30, e Poliana Ferreira, 30, na festa Arena Brasil DF, no bar Birosca do Conic.
"Não vou criar expectativas para o próximo jogo, mas também não vou achar que o jogo está perdido", ponderou Camila, que gosta de ser surpreendida pela Seleção. De olho no confronto de domingo, Poliana cobrou uma postura mais firme do elenco comandado por Carlo Ancelotti, destacando que a equipe precisa entrar com mais foco e raça, independentemente do adversário.
Mistura de ritmos e festas
No Boteco Caju Limão, no Sudoeste, a euforia contagiou a funcionária pública Cristiane Reis, 47, que reservou três mesas para reunir os amigos. Otimista, ela chegou a apostar em um placar de 4 a 1 no bolão e quase perdeu a voz com o gol da virada. "Quando o Brasil fez o último gol, enfim pudemos respirar", celebrou. A decisão dramática nos acréscimos trouxe à memória de Cristiane outras grandes conquistas que acompanhou na juventude, fazendo um paralelo com o passado. "A vitória mais emocionante foi em 1994. Hoje eu fiquei com medo, com taquicardia, mas em 1994 eu tive que tomar calmante", relembrou, orgulhosa, antes de emendar a comemoração com muito pagode.
Enquanto muitos focavam apenas no mata-mata, no Butéquim, na 306 Sul, a estudante Luisa Xaichavö, 22, e a madrasta dela, Priscila Peixoto, 39, dividiam as atenções com o Festival de Parintins, no Amazonas. Para elas, o dia uniu o orgulho de suas raízes nortistas à paixão pelo futebol. "Viemos assistir ao jogo do Brasil e torcer pelo nosso país, mas também somos amazonenses e, por isso, estamos na expectativa de vir um bicampeonato do Boi-Bumbá Garantido", afirmou Priscila. Luisa também celebrou o resultado após a tensão do início do duelo. "O milagre foi a gente ter feito um gol com o Casemiro", comentou.
No Bar Responsa, na 202 Sul, mais de 560 pessoas acompanharam o pós-jogo, embaladas por pagode, promoções e a presença do mascote Canarinho Pistola. "É muito legal ver a animação e o carinho do público", relatou o animador anônimo. No Bar Por do Sol, na 408 Norte, a designer de sobrancelhas Sara Katrine, 23, acertou o palpite que fez com os amigos, de 2x1, mas acredita que os próximos jogos serão mais difíceis. "Mesmo assim, não perderemos as esperanças", completou.
