Agricultura

Produção de mel no DF bate recorde, mesmo com redução de produtores

Queda no número de apicultores não impediu que valor bruto de produção de mel aumentasse. De acordo com a Emater-DF, faturamento do setor em 2025 cresceu 17,8%

 17/06/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Produção de mel de abelha por apicultores no Distrito Federal -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
17/06/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Produção de mel de abelha por apicultores no Distrito Federal - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Por Luiz Francisco*

O mercado de produtos apícolas no Distrito Federal revela-se resiliente e desafiador. O faturamento do setor em 2025 foi de R$ 1,234 milhão, crescimento de 17,8%. A produção também foi maior: 28,2 mil quilos de produtos extraídos da colmeia, 17,3% a mais que no ano anterior, sendo o maior número desde 2020. 

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No entanto, diminuiu a quantidade de pessoas na atividade, de 324 para 278 produtores. De acordo com Carlos Morais, extensionista da Empresa de Assistência Técnica e de Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), a queda de produtores está ligada à dificuldade do manejo de abelhas com ferrão (apicultura), à redução do tamanho das propriedades de produção apícola e ao avanço de condomínios residenciais em áreas rurais que implicam em maiores riscos.

"O fato é que, quando se trata da criação de abelhas com ferrão, o critério mais importante é a segurança das pessoas e animais nas proximidades, porque bastam algumas ferroadas para que a vítima precise de atendimento médico", afirma o técnico. "Equipes de resgate recebem, em média, 10 ocorrências diárias com incidentes urbanos envolvendo abelhas com ferrão."

  • Com manejo simples, porém seguro, produtos de colmeia são muito rentáveis
    Com manejo simples, porém seguro, produtos de colmeia são muito rentáveis Minervino Júnior/CB/D.A.Press
  • Produção de mel de abelha por apicultores no Distrito Federal
    Produção de mel de abelha por apicultores no Distrito Federal Minervino Júnior/CB/D.A.Press

Apesar dos riscos, a criação dessas abelhas ainda é uma atividade atrativa devido às produtividades em mel que podem chegar a 30 a 40 quilos por ano, mesmo com pouco manejo. No entanto, Carlos Morais menciona que a Emater-DF promove uma alternativa de produção, com treinamentos periódicos de meliponicultura — a atividade de criação de abelhas sem ferrão. 

"Elas (sem ferrão) podem ser criadas no jardim, na horta, no pomar, na varanda de casa, junto da convivência de pessoas e animais. Outro fator importante a ser considerado é que, mesmo produzindo pouco, qualquer colônia pode gerar um volume 10 vezes maior que a média anual de consumo per capita do brasileiro, que é de aproximadamente 60 mililitros", explica o extensionista. "Por esses motivos, o número de criadores de abelhas sem ferrão vem crescendo anualmente no DF", acrescenta.

Apesar de existir um crescimento na quantidade de meliponicultores em atividade, a presidente da Federação de Apicultores do Distrito Federal (FAP-DF), Maria Aparecida da Silva, afirma que existem mais criadores de abelhas com ferrão na capital brasileira. "Os produtores preferem a apicultura porque os animais produzem mais mel, ou seja, a pessoa tem mais rentabilidade enquanto a meliponicultura fica como um hobby", explica.

Pela dificuldade do manejo dessas abelhas, a presidente conta que as associações de produtores são importantes para melhorar as atividades e que apicultores são auxiliados pela FAP-DF. "Pela federação, os produtores aprendem muitas coisas em relação às abelhas com ferrão e que podem ajudar na criação. Um exemplo são os nossos cursos oferecidos, como produzir abelhas-rainha ou como retirar o veneno dos animais, que serve de matéria-prima para outros cosméticos ou remédios de dores", destaca Maria Aparecida da Silva.

Anselmo Carvalho é um dos produtores auxiliados pela FAP-DF e também ministra alguns cursos oferecidos pela federação
Anselmo Carvalho, da Maná do Cerrado, é criador de abelhas há quase 30 anos (foto: Luiz Francisco/CB/DA Press)

Produção

Anselmo Carvalho, de 42 anos, é um criador de abelhas do DF e proprietário da empresa Maná do Cerrado, que trabalha na venda de produtos apícolas, como mel, própolis, cera e enxames desses animais. Ele conta que se iniciou no ramo quando tinha 15 anos de idade e encontrou algumas abelhas sem ferrão, porém, a experiência profissional começou há oito anos. Com cursos, ele entrou na atividade de produção apícola. "Hoje, nós somos um dos maiores produtores do DF. Temos criadouros em oito fazendas, geralmente de 20 a 25 colônias para cada apiário", afirma.

Embora a especialidade seja na apicultura, o produtor também é um especialista na área de meliponicultura por ser uma atividade lucrativa. Anselmo conta que vende por R$ 450 o litro de mel feito por abelhas sem ferrão. Enquanto os produtos dos animais que ferroam são vendidos, às vezes, por menos de R$ 100.

Apesar de ser o principal produto feito por esses animais, o apicultor conta que a missão de um criador de abelhas não é produzir o mel e, sim, garantir o bem-estar desses bichos para que consigam fazer outros produtos apícolas. "Quanto maior a quantidade de abelhas, mais a produção terá", explica Anselmo. "Por exemplo, consegui quatro toneladas de mel no ano passado. Ainda é pouco para nós e pretendo dobrar esse valor com investimentos em apiários, na extensão de terras e especializações para aprimorar as técnicas."

 17/06/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Produção de mel de abelha por apicultores no Distrito Federal. Tânia Schmioscki - apicultora.
A apicultora Tânia Schmioscki trabalha no ramo desde criança (foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

A ecóloga Tânia Schimioscki, 62, também é uma das apicultoras que comercializam produtos apícolas com a empresa Mundo Apieco, localizada na Fercal. A produtora relata que, desde que era criança, trabalha no ramo junto com a mãe e testemunhou a profissão de "meleiro", e acrescentou que esses trabalhadores não podem ser considerados criadores de abelhas. "É um trabalho horrível. Normalmente, eles acham a colmeia, fazem com que as abelhas produzam o mel, as matam após concluir o trabalho e repetem o processo, sem se preocupar com o bem-estar delas", explica a profissional.

De acordo com ela, a especialista em apicultura conta que é uma das primeiras mulheres a entrar no ramo de criação de abelhas com ferrão e que o amor por esses animais a motivam a continuar no trabalho. "Eu trabalho com polinizações de flores, acredito que tenho bons clientes neste ramo. Também faço a atividade de apitoxina, que retira o veneno das abelhas para a produção de remédios para dores musculares", narra Tânia.

Ela diz que se especializou em ecologia para aumentar a produtividade na criação de abelhas. Atualmente, ministra cursos de apicultura para outros produtores. "As abelhas são os principais organismos do ecossistema e garantem a vida no planeta."

*Estagiário sob a supervisão de Tharsila Prates

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postado em 13/07/2026 04:01 / atualizado em 13/07/2026 05:24
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