Atividades

Julho das Pretas mobiliza DF com programação variada

Mobilização nacional reúne no DF movimentos sociais, coletivos e organizações em defesa dos direitos das mulheres negras e no enfrentamento ao racismo e às desigualdades de gênero, para marcar o mês da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Exposição "Chão Ancestral", na Rodoviária do Plano Piloto, aborda a trajetória, a resistência e a ancestralidade das mulheres negras brasileiras
 -  (crédito:  Divulgação/ Festival Latinidades)
Exposição "Chão Ancestral", na Rodoviária do Plano Piloto, aborda a trajetória, a resistência e a ancestralidade das mulheres negras brasileiras - (crédito: Divulgação/ Festival Latinidades)

*Brunna Ramos

Debates, encontros de fortalecimento coletivo, atividades culturais e ações voltadas à valorização da identidade negra integram a programação do Julho das Pretas no Distrito Federal. A mobilização nacional, realizada ao longo deste mês, reúne movimentos sociais, coletivos e organizações em defesa dos direitos das mulheres negras e no enfrentamento ao racismo e às desigualdades de gênero. Neste ano, a campanha tem como tema "Escrevivências do Bem Viver" e homenageia a escritora mineira Conceição Evaristo, referência da literatura brasileira contemporânea e da produção intelectual negra.

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Entre as atividades previstas está o encontro Pretinhosidade, promovido pelos coletivos AFUANA — Vivências LGBTI+ e Yaa Asantewa, na Casa Kaluanã, em Taguatinga. A iniciativa propõe uma roda de cuidado voltada às vivências de mulheres negras dissidentes, com espaço para escuta, acolhimento, fortalecimento de redes de apoio e troca de experiências.

Durante a tarde, a programação segue com o Sarau Pretinhosidade, atividade cultural dedicada às “mulheridades” negras LGBTI+. O encontro tem como objetivo celebrar afetividades, trajetórias e expressões artísticas produzidas por mulheres negras.

A programação do Julho das Pretas também inclui atividades voltadas à valorização das manifestações culturais afro-brasileiras. Nos dias 18 e 19/7, o projeto Mulheres Fortes recebe a capoeirista Mestra Arara, uma das principais referências da modalidade no país. O evento será realizado na Arena de Lutas, no Riacho Fundo I. A iniciativa conta com apoio do Bando Matilha Capoeira e financiamento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.

Até 31 de julho, quem passa pela Rodoviária do Plano Piloto pode visitar a exposição Chão Ancestral, instalada na plataforma A/B, ao lado da escada rolante. A mostra reúne fotografias que representam ancestralidade, resistência, identidade e feminismo negro.

As imagens são assinadas pelos fotógrafos Walisson Braga, Luiz Alves e Webert da Cruz e contam com apoio da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas. A exposição celebra os 290 anos do Quilombo Mesquita e homenageia a trajetória de mulheres quilombolas brasileiras na defesa de seus territórios, memórias e direitos.

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O Julho das Pretas é realizado em referência ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. A data foi instituída em 1992 durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado na República Dominicana e se tornou um marco na luta contra o racismo, o sexismo e outras formas de discriminação que afetam mulheres negras em diferentes países do continente.

No Brasil, o dia também homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola que viveu no século XVIII e comandou o Quilombo do Quariterê, na região que hoje corresponde ao estado de Mato Grosso. Reconhecida como símbolo da resistência negra, Tereza virou referência para movimentos sociais que reivindicam igualdade racial, justiça social e o protagonismo das mulheres negras na construção da sociedade brasileira. 

Festival

Parte das atividades do Julho das Pretas já ocorreu nas primeiras semanas do mês. Entre elas esteve o Festival Latinidades, que realizou debates, apresentações artísticas, oficinas, feiras criativas e atividades voltadas à valorização da produção cultural afro-latina e afro-brasileira.

Outra atividade que integrou a programação foi o encontro Julho das Pretas que Escrevem, realizado no Museu Nacional da República. O evento contou com a participação da escritora Ana Maria Gonçalves, autora do romance Um Defeito de Cor e primeira mulher negra a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL). O bate-papo reuniu escritoras, leitoras e pesquisadoras para discutir literatura, memória e representatividade, destacando a produção intelectual de mulheres negras e a importância da escrita como instrumento de resistência, preservação de histórias e construção de novas narrativas sobre a população negra brasileira.

*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates

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postado em 14/07/2026 19:52
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