Caso Master

Saiba mais sobre o fim do acordo de R$ 15 bilhões entre BRB e Quadra

Banco encerrou negociação com a gestora após não receber a parcela inicial de R$ 4 bilhões, prevista para o fim de junho. De acordo com o secretário de Economia do DF, liquidez do Tesouro substituirá os recursos esperados da operação

O negócio previa a criação de um fundo de investimento com uma carteira de R$ 15 bilhões -  (crédito: Divulgação/BRB)
O negócio previa a criação de um fundo de investimento com uma carteira de R$ 15 bilhões - (crédito: Divulgação/BRB)

O Banco de Brasília (BRB) rompeu o contrato que previa a venda de R$ 15 bilhões de ativos do BRB referente a carteira recebida do Banco Master para a Quadra Capital por descumprimento do acordo por parte da gestora de investimentos. Em nota divulgada ontem, o banco informou que as negociações foram encerradas “de forma consensual”, em razão de “divergências em relação aos parâmetros econômicos e financeiros considerados adequados pelo Banco para a operação”.

Ao Correio, o presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou que a decisão de interromper as negociações partiu do próprio banco, entre outros motivos, porque a Quadra Capital teria que transferir R$ 4 bilhões ao banco até o fim de junho, mas descumpriu o acordo previsto no contrato. 

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Nelson detalhou que o negócio previa a criação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) com uma carteira de R$ 15 bilhões ativos do Banco Master — com deságio de R$ 6,9 bilhões. 

Com isso, a Quadra Capital tinha que pagar R$ 15 bilhões ao BRB, sendo R$ 4 bilhões até o fim de junho, garantindo a liquidez imediata que o banco do DF necessita, e R$ 11 bilhões em cotas subordinadas.

Diante do atraso dos repasses, a direção do BRB preferiu desfazer o acordo comercial. “Optamos por vender  os ativos separadamente e, ao mesmo tempo, abrir negociação com outra gestora de ativos” explicou Nelson de Souza. 

Segundo o presidente do banco, o rompimento do negócio não afetará a situação do BRB porque a liquidez hoje é diferente de quando o negócio foi fechado. “Hoje o banco está andando com as próprias pernas. E estamos vendo com muita responsabilidade e cuidado para não ter grande deságio no ativo no master”, afirmou.

Capitalização

O secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira, reforçou que o fim das tratativas com a Quadra não compromete o plano de recuperação do banco. Segundo ele, o Tesouro do GDF possui liquidez suficiente para substituir os recursos que seriam obtidos na operação. "Hoje, já temos liquidez no GDF. Então, se a operação com a Quadra não ocorrer, não será um fator muito negativo para o banco, porque nós já substituímos essa liquidez pela liquidez do Tesouro do GDF", afirmou.

Valdivino explicou que, no início das negociações, o BRB enfrentava dois desafios: reforçar a liquidez e recompor o patrimônio após as provisões realizadas sobre ativos do Banco Master. "No começo de abril, o negócio com a Quadra era fundamental, porque não tínhamos liquidez nem no GDF nem no BRB. Agora isso mudou. Hoje, o Tesouro substitui a Quadra perfeitamente", explicou.

O secretário afirmou que a operação de capitalização de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) está na fase final. Segundo ele, o aval do sindicato dos bancos foi dado e faltam apenas reuniões para assinatura do contrato. "A operação com o FGC está concluída na parte do aval do sindicato dos bancos. Devemos ter uma reunião com o Banco do Brasil e, depois, a última reunião com o FGC para acertar os termos do contrato", ressaltou.

Após a assinatura, segundo Valdivino, os recursos devem ser liberados rapidamente. "O Fundo Garantidor coloca o dinheiro na conta do GDF e o GDF imediatamente faz a subscrição de capital do banco. É uma coisa imediata, em 24 horas, no máximo", detalhou.

 

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postado em 18/07/2026 04:00
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